
A pergunta parece simples e tem resposta curta: sim. Mas a explicação completa é o que separa o piloto que voa tranquilo do que toma multa, perde o equipamento ou responde a processo. O DJI Mini 4 Pro pesa 249 g e por isso muita gente acredita que está fora do radar da regulamentação brasileira — uma leitura parcial que ficou ainda mais perigosa com a nova ICA 100-40 (Portaria DECEA nº 2.094/DNOR8) em vigor a partir de 1º de julho de 2026.
Este post explica exatamente o que se aplica ao Mini 4 Pro hoje, o que muda em julho, quando ele entra na faixa de 250 g+ (sim, isso acontece) e em quais voos você vai precisar de SARPAS mesmo com bateria padrão.
O peso de 249 g do Mini 4 Pro: por que ele importa (e onde ele engana)
O DJI Mini 4 Pro tem peso de decolagem declarado pela DJI de menos de 249 g — incluindo bateria de voo inteligente padrão, hélices e cartão microSD. Esse número é estratégico: a fabricante projetou o equipamento exatamente para ficar abaixo do limite regulatório de 250 g adotado em vários países, inclusive no Brasil.
Em termos de regulamentação brasileira, isso significa, hoje:
- Cadastro SISANT (ANAC): não obrigatório, desde que o drone se mantenha abaixo de 250 g de Peso Máximo de Decolagem (PMD).
- Homologação ANATEL: obrigatória para qualquer drone que use radiofrequência. Modelos vendidos por revendas autorizadas (DJI Brasil, Tecno Drones, Linkweb, Kalunga, Modelismo BH e outras) já vêm com selo ANATEL — o Mini 4 Pro tem homologação 11352-23-07248. Equipamentos importados sem nota fiscal e sem selo, frequentemente vendidos em marketplaces, são irregulares.
- SARPAS (DECEA): aqui está a virada que pouca gente entendeu — e que muda completamente o jogo a partir de 1º de julho de 2026.
Antes de avançar, vale conferir como SISANT, SARPAS e ANATEL se encaixam em sequência: o guia completo da ICA 100-40 organiza os três órgãos e mostra a ordem correta de regularização.

O que muda para o Mini 4 Pro em 1º de julho de 2026
A nova ICA 100-40 acabou com o “tratamento diferenciado” que drones de até 250 g tinham em relação ao espaço aéreo. O Art. 19, §4º estende a obrigação de autorização SARPAS a todas as aeronaves não tripuladas, sem exceção genérica baseada em peso. O texto literal da norma é direto:
Art. 19. Nenhuma UA pode acessar o Espaço Aéreo Brasileiro sem Autorização do Estado Brasileiro, conforme restrição expressa no artigo 8º da Convenção de Chicago.
§ 4º O procedimento previsto no caput, aplica-se inclusive às UA com PMD até 250g.
(Texto oficial da ICA 100-40, Portaria DECEA nº 2.094/DNOR8)
A “Nota 4” da edição anterior, que dispensava sub-250 g em VLOS abaixo de 200 ft fora de FRZ, foi expressamente revogada. Traduzindo para a operação real do Mini 4 Pro:
- Voo em qualquer cenário a céu aberto, em qualquer altura, dentro ou fora de FRZ: SARPAS obrigatório.
- Única exceção formal: operações em área confinada (Art. 31) — interior de prédio, ginásio fechado, galpão coberto, espaços onde a aeronave não acesse o espaço aéreo regulado pelo DECEA.
- Voo em qualquer tipo de operação que não seja VLOS (FPV imersivo, BVLOS, voo automatizado por waypoints fora da linha de visada): SARPAS obrigatório com documentação adicional.
Para fotografia urbana, criação de Reels aéreos, sobrevoo de praias movimentadas e captação em pontos turísticos, isso tem efeito direto. Voar sobre o Pão de Açúcar, na orla de Copacabana, no Cristo Redentor, no Aterro do Flamengo ou em qualquer ponto a céu aberto passa a exigir SARPAS — mesmo com Mini 4 Pro.
Quando o Mini 4 Pro deixa de pesar 249 g
Aqui está o ponto que rara fonte aborda com clareza: o Mini 4 Pro nem sempre pesa abaixo de 250 g. Configurações comuns de uso fazem o drone cruzar o limite e cair na faixa de cadastro obrigatório:
- Bateria de Voo Inteligente Plus (DJI Mini 3 Series): compatível com o Mini 4 Pro e amplia a autonomia para até 45 minutos. Com essa bateria, o peso da aeronave passa de 249 g — informação confirmada na própria documentação técnica da DJI.
- Filtros ND e UV: filtros de densidade neutra (ND 16, ND 64, ND 256) acoplados à lente adicionam alguns gramas. Em combinação com bateria Plus ou outros acessórios, podem empurrar o conjunto acima de 250 g.
- Proteção de hélices: usada em voos próximos a pessoas ou ambientes internos, também acrescenta peso.
- Cargas úteis adicionais: qualquer acessório fixado ao drone — refletor, GPS adicional, suporte de microfone — entra no PMD.
Conclusão prática: se você voa com bateria Plus, o seu Mini 4 Pro precisa ser cadastrado no SISANT, exatamente como qualquer drone acima de 250 g. A fabricante alerta sobre isso na própria embalagem, com recomendação para “verificar e cumprir leis e regulamentos locais antes de voar”.
O caminho completo para regularizar o Mini 4 Pro
Independentemente da bateria utilizada, há um caminho recomendado para qualquer piloto sério que opera Mini 4 Pro no Brasil:
1. Confirme a homologação ANATEL
Drones comprados em revendas oficiais já vêm homologados — o número 11352-23-07248 deve constar na etiqueta do produto e na documentação. Equipamentos importados sem esse selo são irregulares e podem ser apreendidos. Se houve compra em marketplace ou no exterior, vale checar.
2. Cadastre o drone no SISANT (ANAC)
Mesmo voando com bateria padrão (249 g), recomenda-se o cadastro no SISANT por dois motivos: cobertura legal em caso de uso eventual com bateria Plus e simplificação do cadastro automático no SARPAS. O processo é gratuito, leva menos de 30 minutos e gera o código PR-XXXXXXXXX (uso recreativo) ou PP-XXXXXXXXX (uso comercial) que deve ser afixado no drone.
3. Cadastre o drone no SISANT primeiro
Esse passo é o que confunde muito piloto de Mini 4 Pro. O SARPAS NG não tem cadastro manual de aeronave — a única forma de uma aeronave aparecer no perfil SARPAS é via sincronização com o SISANT. Então mesmo que a regra ANAC dispense formalmente sub-250g recreativo do registro SISANT, a partir de 1º/jul/2026 o cadastro vira pré-requisito operacional: sem ele, o drone não aparece no SARPAS, e sem aeronave cadastrada no SARPAS não há solicitação de voo possível. Vá ao SISANT (sistemas.anac.gov.br/sisant) e cadastre o Mini 4 Pro — categoria PR (recreativo) ou PP (não recreativo, com seguro RETA obrigatório por lei).
4. Crie perfil pessoa física no SARPAS e sincronize a aeronave
Acesse o SARPAS NG (servicos.decea.mil.br/sarpas) com a mesma conta gov.br usada no SISANT. Faça o cadastro de operador pessoa física. Depois, na aba “Aeronaves”, clique em “Sincronização SISANT” — o Mini 4 Pro aparece em segundos no seu perfil SARPAS.
5. Solicite autorização para cada voo que se enquadre nas regras
Para qualquer voo com Mini 4 Pro a partir de 1º/jul/2026, abra solicitação no SARPAS NG com pelo menos 30 minutos de antecedência para voos simples em Categoria Aberta (PMD até 25 kg, VLOS, até 120 m, fora de FRZ e EAC) e até 8 dias corridos para operações em espaço aéreo segregado (BVLOS, acima de 120 m).
5. Considere o seguro RETA
Para uso comercial — fotografia paga, vídeos publicitários, cobertura jornalística, casamentos, eventos — o cadastro na ANAC deve ser feito como PP (não recreativo), e nesse momento o seguro RETA passa a ser obrigatório por lei (Lei nº 7.565/86, Art. 281), independentemente do peso do drone. Mini 4 Pro sub-250 g em uso profissional precisa de RETA pela exigência legal vinculada ao cadastro PP, não ao peso. Voar com cadastro PP sem RETA é operação ilegal sujeita a autuação ANAC, mesmo com SARPAS aprovado.
Onde o Mini 4 Pro não pode voar (mesmo com SARPAS aprovado)
Algumas zonas são proibidas independentemente de autorização e do peso do drone. Vale memorizar antes de planejar voos no Brasil:
- FRZ (Zonas de Restrição de Voo): entornos de aeroportos, instalações militares e áreas sensíveis. No Rio de Janeiro, por exemplo, há FRZ ativa em torno do Galeão, Santos Dumont, Jacarepaguá e Afonsos.
- Áreas com NOTAM ativo: avisos aeronáuticos temporários que restringem espaço aéreo durante eventos (Carnaval, jogos, visitas oficiais).
- Espaços condicionados publicados em AIS: aerovias, circuitos de tráfego, áreas de segurança.
- Áreas com geofencing da DJI: o próprio drone trava decolagem em zonas marcadas pelo sistema GEO da fabricante. Liberações para essas zonas podem ser solicitadas no app DJI Fly mediante comprovação de autorização DECEA.
Mini 4 Pro × Mini 4: quem precisa do quê
Vale a comparação direta porque os dois modelos coexistem no mercado:
- DJI Mini 4 Pro (249 g): sub-250 g com bateria padrão. Detecção omnidirecional de obstáculos, transmissão 20 km, 4K/100fps. Mesmo sub-250, a partir de 1º/jul/2026 precisa de SARPAS na maioria dos cenários reais de uso urbano.
- DJI Mini 4K (249 g): também sub-250 g, sem detecção avançada e com transmissão limitada. Mesma situação regulatória.
- DJI Mini 3 Pro (249 g): geração anterior. Idêntico em peso e regime regulatório, apenas com hardware menos avançado.
- DJI Mini 3 (249 g): mesma faixa.
Não confundir com o DJI Air 3 (720 g) ou o Mavic 3 (895 g) — esses estão muito acima de 250 g e exigem cadastro SISANT obrigatório, seguro RETA em uso comercial e SARPAS em qualquer voo fora de área confinada.
Perguntas que mais aparecem sobre o DJI Mini 4 Pro
O Mini 4 Pro precisa de SISANT?
Com bateria padrão (249 g): não obrigatório. Com bateria Plus (acima de 249 g): cadastro obrigatório. Recomendação: cadastrar de qualquer forma para cobertura legal.
O Mini 4 Pro precisa de SARPAS?
A partir de 1º/jul/2026, sim, em qualquer operação a céu aberto. A “Nota 4” da edição anterior da ICA 100-40, que dispensava sub-250g em VLOS abaixo de 200 ft fora de FRZ, foi revogada pelo Art. 19, §4º da nova norma. A única exceção formal é operação em área confinada (Art. 31) — interior de prédio, ginásio fechado, galpão coberto. Em qualquer voo externo, em qualquer altura, SARPAS é obrigatório.
Posso voar Mini 4 Pro na praia?
A partir de 1º/jul/2026, qualquer voo de Mini 4 Pro em praia exige SARPAS, independentemente da praia ou da proximidade de aeroportos. Praias do Rio de Janeiro como Copacabana, Ipanema, Leblon, Barra e Recreio estão dentro de FRZ ou EAC dos aeroportos próximos — nessas áreas o SARPAS pode exigir documentação adicional como Termo de Coordenação com a administração aeroportuária. Em praias afastadas e sem FRZ, o SARPAS é mais simples e tipicamente sai em até 30 minutos, mas continua obrigatório. Em qualquer cenário, a distância mínima de 30 m de pessoas não anuentes deve ser respeitada (RBAC-E nº 94).
Preciso de habilitação de piloto remoto para Mini 4 Pro?
Não. O regulamento atual da ANAC não exige habilitação para drones até 25 kg em voo VLOS abaixo de 120 m. A responsabilidade legal pela segurança continua sendo do piloto.
O Mini 4 Pro precisa de seguro?
Para uso recreativo (cadastro PR na ANAC), o seguro RETA não é obrigatório. Para qualquer uso comercial (cadastro PP na ANAC), o seguro RETA é obrigatório por lei (Lei nº 7.565/86, Art. 281), independentemente do peso do drone. Mini 4 Pro sub-250 g em uso PP precisa de RETA pela vinculação legal à categoria de cadastro, não ao peso.
Posso voar Mini 4 Pro à noite?
Voos noturnos exigem condições adicionais: luzes anticolisão visíveis a pelo menos 5 km e SARPAS específico para a operação. O Mini 4 Pro não vem com essa iluminação de fábrica — é necessário kit adicional para regularização.
Pequeno por fora, regulado por dentro
O DJI Mini 4 Pro continua sendo um dos drones mais bem projetados para criadores de conteúdo, fotografia urbana e captação em viagem — especialmente pela combinação de peso compacto, qualidade de imagem profissional e portabilidade. Mas a ideia de que “sub-250 g é livre no Brasil” é uma simplificação que sempre foi parcial e que, com a nova ICA 100-40, deixa de funcionar em qualquer cenário externo. A partir de 1º/jul/2026, qualquer voo a céu aberto com Mini 4 Pro exige SARPAS, com única exceção formal sendo operações em área confinada (Art. 31).
Para entender em detalhe quais voos exigem SARPAS, como configurar perfil pessoa física para drone sub-250 g, mapear FRZ na sua região e cumprir o checklist completo da nova regulamentação, vale consultar a nova regra para drones consolidada em drone.irlenmenezes.com.br. Voar Mini 4 Pro com tranquilidade em 2026 começa por entender exatamente em qual quadrado da regulamentação cada operação se encaixa.

















