
Atualizado em 25/07/2026
Conhecida como a Terra das Cachoeiras, Presidente Figueiredo fica a cerca de 117 quilômetros de Manaus e concentra dezenas de quedas d’água, grutas e cavernas em plena floresta amazônica. É um dos destinos mais fotogênicos do Norte para quem voa drone, e também um dos que mais exigem leitura de contexto antes de decolar, porque o município reúne uma unidade de conservação estadual e a vizinhança de uma das maiores terras indígenas do país.
Resposta direta antes do detalhamento: voar drone em Presidente Figueiredo é permitido nas cachoeiras e nos atrativos turísticos, com SARPAS aprovado, cadastro no SISANT e respeito às regras do atrativo, que quase sempre exige guia credenciado. O ponto de atenção é a geografia: boa parte dos atrativos está dentro da APA Caverna do Maroaga, unidade de conservação estadual gerida pela Sema do Amazonas, e a BR-174 atravessa a Terra Indígena Waimiri-Atroari, onde o trânsito é fechado das 18h às 6h e não se pode nem descer do carro para fotografar. Sobrevoar terra indígena sem autorização não é atalho, é problema.
As regras que valem em qualquer lugar do Brasil
Para voar drone legalmente em 2026, são quatro camadas: cadastro no SISANT da ANAC, autorização SARPAS do DECEA, os limites do RBAC 100 (até 120 m de altura, em linha de visada e a no mínimo 30 m de pessoas) e a homologação da ANATEL. A grande mudança do ano é que, desde 1 de julho de 2026, o SARPAS passou a ser obrigatório para todo voo a céu aberto, inclusive para drones abaixo de 250 g.
As duas camadas de território que mudam tudo aqui
A primeira camada é a APA Caverna do Maroaga, criada em 9 de março de 1990, com cerca de 374.700 hectares nos municípios de Presidente Figueiredo e Rio Preto da Eva, administrada pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas. Ela é uma unidade de uso sustentável, não um parque nacional, então concentra a maioria dos atrativos visitáveis, com guia credenciado obrigatório. A segunda camada é a Terra Indígena Waimiri-Atroari, homologada em 1989, com mais de 2,5 milhões de hectares, cortada por cerca de 125 quilômetros da BR-174.
Nos atrativos da APA, a lógica é a mesma de qualquer área protegida de uso sustentável: quem manda no chão é o gestor e o proprietário. Cerca de 70 por cento das atrações ficam ao longo da AM-240, a estrada que leva a Balbina, e a visita costuma ser condicionada à contratação de guia credenciado. Antes de tirar o drone da mochila, pergunte ao guia e ao responsável pelo atrativo, porque muita cachoeira fica em propriedade particular ou em área com regra própria de visitação. E nunca voe dentro de gruta ou caverna: além do risco óbvio de perda do equipamento sem GPS, existe fauna cavernícola sensível a ruído e luz.
A camada indígena é inegociável. O trecho da BR-174 que atravessa a Terra Indígena Waimiri-Atroari tem restrição de tráfego noturno, das 18h às 6h, e a orientação no trecho é não parar, não descer do veículo e não fotografar, mesmo durante o dia. Levantar um drone ali para fazer imagem da floresta é ignorar a mesma proteção que fecha a estrada: o ingresso em terra indígena é regulado e depende de autorização, e o sobrevoo não vira exceção só porque o piloto ficou do lado de fora da cerca.

Onde pode e onde não pode em Presidente Figueiredo
A regra prática em Presidente Figueiredo é simples: com SARPAS aprovado, mantenha altura, fique longe das pessoas e respeite as áreas protegidas. O mapa abaixo resume as três situações que você vai encontrar.
Os melhores pontos para voar com responsabilidade
Na prática de aerocinematografia, os melhores pontos combinam boa luz, pouca gente no quadro e áreas fora das zonas mais restritas. Estes são os que mais rendem em Presidente Figueiredo, sempre com a autorização em dia:
- Cachoeiras da AM-240, no sentido Balbina: a estrada concentra a maioria dos atrativos, com quedas largas e floresta fechada em volta.
- Cachoeira da Iracema e quedas do entorno: o contraste da água escura com a rocha e o verde rende ótimos planos altos.
- Vista da floresta a partir de clareiras e mirantes: subir em área aberta evita perder o sinal sob a copa e mostra a dimensão da mata.
- Reservatório de Balbina, com autorização: a paisagem de ilhas e água aberta é única, e ali o cuidado é com a distância de estruturas e da usina.

Checklist antes de decolar
Antes de cada voo em Presidente Figueiredo, rode esta lista rápida. Ela cobre as quatro camadas de regra e o cuidado específico do destino, e leva menos de um minuto.
- Drone cadastrado no SISANT (ANAC)
- SARPAS aprovado para o dia e o local
- Autorização do guia e do dono do atrativo
- Nunca sobrevoar terra indígena
- Sinal, bateria e ponto de retorno conferidos
Perguntas frequentes
Pode voar drone em Presidente Figueiredo?
Pode, com SARPAS e cadastro no SISANT. As cachoeiras e os atrativos turísticos permitem voo, mas quase todos exigem guia credenciado e o aval do responsável pelo local, já que boa parte fica dentro da APA Caverna do Maroaga ou em propriedade particular.
Precisa de autorização para voar na APA Caverna do Maroaga?
A APA é unidade de uso sustentável, gerida pela Sema do Amazonas, e não tem a proibição geral de voo típica de parque nacional. Ainda assim, cada atrativo tem regra própria de visitação, então a confirmação com o guia e com o gestor é o caminho seguro.
Pode voar drone sobre terra indígena?
Não sem autorização. O ingresso em terra indígena é regulado e depende de autorização, e o sobrevoo com drone segue a mesma lógica de proteção territorial. No trecho da BR-174 dentro da Terra Indígena Waimiri-Atroari, a orientação é nem parar o carro para fotografar.
Por que a BR-174 fecha à noite?
O trecho que atravessa a Terra Indígena Waimiri-Atroari tem restrição de tráfego das 18h às 6h, mantida pela Justiça Federal, para reduzir impactos sobre as comunidades indígenas e sobre a fauna que circula na pista, com exceções para casos como ambulâncias e ônibus interestaduais..
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Pode voar drone dentro de caverna ou gruta?
Não é recomendado e costuma ser vedado pelas regras de visitação. Sem GPS o drone fica instável, o risco de perda é alto e existe fauna cavernícola, como morcegos, muito sensível a ruído e iluminação.
Precisa de guia para visitar os atrativos?
Na maioria dos atrativos, sim. A visitação em Presidente Figueiredo é organizada com guias credenciados, o que também ajuda o piloto de drone, porque o guia sabe onde o voo é aceito e onde existe restrição do proprietário ou do gestor da área.
Precisa de SARPAS em Presidente Figueiredo?
Precisa. Desde 1 de julho de 2026, todo voo a céu aberto exige autorização SARPAS do DECEA, inclusive para drones abaixo de 250 gramas, somada ao cadastro do equipamento no SISANT da ANAC.
Qual a melhor época para voar drone na região?
Os meses de menor chuva facilitam bastante a operação, entre junho e novembro, embora as cachoeiras fiquem mais cheias no período chuvoso. Na Amazônia, a janela de céu aberto costuma ser o começo da manhã, antes da formação das nuvens de tarde.
Vale a pena planejar antes
Presidente Figueiredo entrega o que promete: cachoeira grande, floresta cerrada e paisagem que poucos destinos brasileiros têm. O piloto que chega com SARPAS aprovado, conversa com o guia antes de decolar e respeita o limite do território indígena leva imagens excelentes e não vira caso de fiscalização. Se você quer entender de vez o espaço aéreo, o guia completo da ICA 100-40 reúne o que mudou em 2026. E para treinar para a avaliação teórica da ANAC, vale o simulado de drone.
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Fontes oficiais consultadas
- Sema Amazonas, APA Caverna do Maroaga (unidade de conservação estadual criada em 9 de março de 1990, cerca de 374.700 hectares em Presidente Figueiredo e Rio Preto da Eva).
- Funai e Justiça Federal, Terra Indígena Waimiri-Atroari (homologada em 1989, mais de 2,5 milhões de hectares; restrição de tráfego na BR-174 das 18h às 6h).
- DECEA, ICA 100-40 (SARPAS obrigatório para todo voo desde 1 de julho de 2026).
- ANAC, RBAC 100 (cadastro SISANT, 120 m de altura, 30 m de pessoas).
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