
Atualizado em 19/10/2026
Resposta rápida: a FCC (órgão regulador de telecomunicações dos EUA) incluiu na lista de risco à segurança nacional (Covered List) os drones e componentes críticos fabricados no exterior, o que alcança a DJI, em dezembro de 2025, o que bloqueia a entrada de novos modelos no mercado americano. A DJI contesta a decisão na Justiça (9º Circuito, processo em andamento, sem decisão final até 19/10/2026). Isso NÃO afeta a venda, a homologação nem o uso no Brasil. Aqui, quem homologa e autoriza a venda de drones é a ANATEL, um processo totalmente separado e independente da FCC americana. Se você já tem um DJI ou pretende comprar um no Brasil, pode continuar tranquilo; o efeito indireto está em peças e acessórios importados dos EUA.
A confusão é comum porque a notícia do “banimento da DJI” circula bastante, inclusive em canais brasileiros. Entenda exatamente o que aconteceu, por que é um problema exclusivamente americano, e o que checar antes de comprar seu próximo drone DJI no Brasil.
O que a FCC realmente fez
A FCC (Federal Communications Commission), o órgão que regula telecomunicações nos Estados Unidos, incluiu na chamada “Covered List” – uma lista de empresas e equipamentos considerados risco à segurança nacional americana – os drones e componentes críticos fabricados no exterior, o que alcança a DJI e a Autel (a DJI contesta a decisão na Justiça). Na prática, isso significa que, desde 22 de dezembro de 2025, a FCC parou de conceder novas autorizações de equipamento para produtos DJI nos EUA. Drones que já estavam lá, em uso, continuam funcionando normalmente – a medida bloqueia só a chegada de modelos novos ao mercado americano.
A regra de 13 de outubro de 2026: até a peça conta
Em 11 de setembro de 2026 a FCC publicou no Federal Register, o diário oficial dos EUA, uma regra nova que entrou em vigor em 13 de outubro de 2026. Ela fecha o que a própria FCC chamou de brecha das peças: a partir dessa data, a agência não autoriza aparelho que tenha componente com lógica (“logic-bearing hardware components”) feito por uma empresa da Covered List, quando o aparelho inteiro seria proibido se essa empresa o tivesse fabricado. A regra também obriga as lojas online a mostrar o FCC ID do produto no anúncio, com adequação dos marketplaces prevista a partir de 2027 (1º/3/2027 e 1º/6/2027).
No mundo dos drones, isso mira quem monta drone nos EUA com peça da DJI ou da Autel. Segundo o site especializado DroneXL, entram nessa conta a controladora de voo, o módulo de rádio, a placa da câmera e o controlador do gimbal, e as autorizações já concedidas continuam valendo. Ou seja: a regra de outubro não é um “segundo banimento” da DJI, é o fechamento do caminho por peça.
A DJI contesta na Justiça
Em 20 de fevereiro de 2026, a DJI entrou com uma ação no 9º Circuito da Justiça americana (processo nº 26-1029), alegando que a FCC extrapolou sua autoridade legal e violou o devido processo. O caso segue em andamento, sem decisão final até a data da última atualização deste texto. O impacto financeiro alegado é alto: segundo a petição da DJI, noticiada pelo DroneXL, a empresa estima US$ 1,56 bilhão em perdas em 2026 por não poder lançar os cerca de 25 produtos planejados para os EUA, além de produtos já existentes que perderam a autorização. São números da própria DJI, ainda não julgados.

Por que isso não tem nada a ver com o Brasil
O ponto central para quem está no Brasil: a FCC não tem jurisdição aqui. Quem homologa e autoriza a venda de qualquer drone no território brasileiro é a ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações), seguindo critérios e um processo totalmente próprios e independentes da agência americana. A DJI segue homologando e lançando modelos normalmente no Brasil – a prova está nos lançamentos recentes, como o DJI Avata 360 e a linha Lito, já disponíveis por aqui com nota fiscal e garantia nacional. Veja a lista de drones DJI homologados pela Anatel para conferir.
Tem um único ponto em que a FCC encosta no processo brasileiro, e ele interessa a quem importa por conta própria. Na homologação de uso próprio, o manual da Anatel pede fotos do drone mostrando a etiqueta com modelo, número de série e FCC ID. Se o modelo não está na lista de conformes da Anatel, entra também um certificado internacional com as frequências. Um modelo novo sem FCC ID não fica impedido aqui, mas o pedido vai depender de outro certificado, como o europeu. O passo a passo está em como homologar drone na Anatel.
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O que fazer se você for comprar um DJI no Brasil
O único cuidado real, que já valia antes dessa polêmica, é o de sempre: compre de um revendedor oficial, com nota fiscal e a homologação Anatel confirmada. Quem traz um drone importado diretamente dos EUA por conta própria (sem ser via revendedor oficial homologado) é que pode ter dor de cabeça – não pela disputa com a FCC, mas pelas regras normais de importação e homologação que já existiam. Veja o guia de importar ou comprar a versão nacional.
Perguntas frequentes
O banimento da DJI nos EUA afeta o Brasil?
Não afeta a venda, a homologação nem o uso. A FCC (órgão americano) não tem jurisdição sobre o Brasil. Aqui, a ANATEL é quem homologa e autoriza a venda de drones, em um processo completamente independente. A DJI segue lançando e vendendo modelos normalmente no mercado brasileiro. O efeito indireto está em peças e acessórios importados dos EUA.
Meu drone DJI vai parar de funcionar?
Não. A medida da FCC bloqueia apenas a entrada de NOVOS modelos nos Estados Unidos. Drones já em uso, seja nos EUA ou no Brasil, continuam funcionando normalmente. As regras da FCC tratam de autorização de equipamento para venda nos EUA, e nenhuma delas manda desligar drone que já está em uso.
Por que a FCC baniu a DJI?
A FCC alega risco à segurança nacional e incluiu na “Covered List”, em dezembro de 2025, os drones e componentes críticos fabricados no exterior, o que alcança a DJI e bloqueia novas autorizações de equipamento no mercado americano. A DJI contesta essa decisão na Justiça, argumentando que a agência extrapolou sua autoridade.
Existe alguma decisão final sobre o caso?
Até a data da última atualização (19/10/2026), não encontramos decisão final no processo da DJI contra a FCC no 9º Circuito, que segue em andamento. Em 02/10/2026, o registro público do processo nº 26-1029 continuava sem data de encerramento. Este texto será atualizado quando houver uma decisão do tribunal.
Posso comprar um DJI com segurança no Brasil hoje?
Sim. Basta seguir o cuidado de sempre: comprar de um revendedor oficial, com nota fiscal e homologação Anatel confirmada. A disputa nos Estados Unidos não interfere na venda, no lançamento ou no funcionamento dos drones DJI no Brasil.
Conclusão
A polêmica do “banimento da DJI” é real, mas é um problema exclusivamente americano, resultado de uma decisão da FCC que a própria DJI contesta na Justiça. Para quem compra, usa ou pretende comprar um drone DJI no Brasil, a venda, a homologação e o uso seguem normais: a ANATEL segue homologando os modelos, e os lançamentos continuam chegando por aqui. O único cuidado de sempre continua valendo – comprar de revendedor oficial, com nota fiscal e homologação confirmada.
Fontes: FCC (processo SZ DJI Technology v. FCC, nº 26-1029); DroneDJ; Inside Towers; DroneXL, 01/05/2026 (números da petição da DJI); Federal Register, documento 2026-18535 (91 FR 57798), em vigor em 13/10/2026; DroneXL, 21/09/2026; manual da Anatel de homologação para uso próprio.








