
Atualizado em 20/10/2026
Gostou do conteúdo? Siga o Irlen Menezes no Google e veja mais dos nossos guias nas buscasToda lista de drone que você acha no Google responde a mesma pergunta: qual eu deveria comprar. Quase nenhuma responde a pergunta que interessa antes dessa, que é qual o Brasil de fato usa. Essas duas coisas são bem diferentes, e a segunda tem resposta pública: todo drone cadastrado no país está numa base de dados abertos da ANAC, com marca e modelo. Baixei essa base e contei.
Resposta direta, atualizada em 18 de outubro de 2026: o drone mais usado do Brasil em 2026 é o DJI Mini 3, com 19.824 cadastros, seguido pelo DJI Mini 4 Pro (14.301) e pelo DJI Mini 2 (9.718). Olhando a linha inteira em vez de modelo isolado, a família Mini representa 36,4% de toda a frota cadastrada, e a DJI responde por 85,4% dos registros. Ou seja: mais de um em cada três drones do país é um Mini, e o mercado brasileiro é, na prática, um mercado de drone leve. O que mudou desde a primeira apuração, em 4 de agosto: o Mini 5 Pro subiu para o quarto lugar e o Neo 2 para o quinto. A variação mês a mês está no boletim de outubro.
O ranking, modelo por modelo
A base de dados abertos do SISANT com carimbo de 18 de outubro de 2026 tem 190.063 cadastros vigentes. Cada linha traz o modelo declarado no cadastro. O resultado, depois de tratado, é este:
| # | Modelo | Cadastros | Fatia da frota |
|---|---|---|---|
| 1 | DJI Mini 3 | 19.824 | 10,43% |
| 2 | DJI Mini 4 Pro | 14.301 | 7,52% |
| 3 | DJI Mini 2 | 9.718 | 5,11% |
| 4 | DJI Mini 5 Pro | 7.577 | 3,99% |
| 5 | DJI Neo 2 | 7.186 | 3,78% |
| 6 | DJI Neo | 6.716 | 3,53% |
| 7 | DJI Mini 3 Pro | 6.599 | 3,47% |
| 8 | DJI Mavic 3 | 6.201 | 3,26% |
| 9 | DJI Air 2S | 5.639 | 2,97% |
| 10 | DJI Matrice | 5.136 | 2,70% |
Por que este ranking é diferente dos outros

O trabalho sujo que muda o pódio: normalizar as grafias
Esse ranking só está certo porque o campo de modelo foi tratado antes de contar. No arquivo bruto, o mesmo drone aparece escrito de várias formas, porque cada pessoa digita como quer no momento do cadastro.
O caso mais grave é justamente o segundo colocado. O Mini 4 Pro aparece como “Mini 4 Pro”, como “Dji Mini 4 Pro”, como “Dji Mini 4 Pro ( Rc 2)”, como “Dji Mini 4 Pro Fly More” e ainda em outras variações com o nome do combo. Pior: muita gente digita grudado, “Mini4Pro” e “Mini 4Pro”, e só a grafia “Dji Mini 4Pro Fly More Combo Plus” responde por 1.204 aeronaves. Contadas separadamente, nenhuma dessas entra no pódio. Somadas, viram 14.301 cadastros e o segundo lugar do país.
É por isso que ranking tirado de dado público sem tratamento costuma sair errado. Quem só ordena a coluna crua publica um pódio que não existe. Todo o tratamento que descrevo aqui está aplicado no Observatório do Drone no Brasil, a página onde eu mantenho esses números atualizados a cada base nova da ANAC.
A família Mini é mais de um terço do Brasil
Olhar modelo isolado esconde o padrão real. Quando eu agrupo a linha inteira, a conta fica difícil de ignorar: 69.093 cadastros são de algum drone da família Mini, ou 36,4% de toda a frota nacional.
Faz sentido, e a explicação é regulatória tanto quanto comercial. Por anos, o drone abaixo de 250 gramas foi o caminho mais curto para voar com menos exigência, e a linha Mini foi desenhada exatamente nesse limite. Mesmo agora, com a ICA 100-40 tendo encerrado, em 1º de julho de 2026, a dispensa de autorização no SARPAS para esses drones, o parque instalado continua sendo majoritariamente leve. O hábito de compra levou anos para se formar e não muda de um semestre para o outro.
A outra conta que chama atenção é a de marca: a DJI responde por 85,4% dos cadastros. Não é liderança, é quase monocultura.
A armadilha dos enxames: por que eu tirei 7.883 unidades da conta
Aqui está o detalhe metodológico que separa um número honesto de um número bonito. Se você ordenar a base sem pensar, vai encontrar modelos estranhos com milhares de unidades, como “Star V3.1”, “DMD V3” e “Cyber Light”.
Fui checar o ramo de atividade declarado nesses cadastros: 100% deles estão em aeropublicidade e aerodemonstração. São enxames de show de drones de luz, aqueles espetáculos noturnos com centenas de aparelhos voando em formação. Uma única empresa cadastra mil unidades de uma vez.
No total, 7.883 unidades da base de 4 de agosto eram desse tipo. Na base de 18 de outubro, o ramo de show de luzes e publicidade soma 9.686 aeronaves, e uma fabricante cadastrou 448 de uma só vez. Elas são drones de verdade e estão corretamente cadastradas, mas não representam piloto nenhum: representam estoque de espetáculo. Misturá-las num ranking de “drone mais usado” distorceria a leitura, então elas ficam segregadas e viram esta seção em vez de virarem ruído no pódio.
A mesma armadilha aparece em outras contas

O que este ranking diz sobre a sua próxima compra
Um ranking de uso não é recomendação, mas ele responde perguntas práticas que nenhuma review responde.
Seu drone passaria numa fiscalização?
Um fiscal conduz a entrevista pelo chat, uma pergunta por vez: peso, cadastro, etiqueta, SARPAS, ANATEL e seguro.
No fim você recebe o laudo com exatamente o que falta para regularizar.
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Peça de reposição e assistência. Modelo com dezenas de milhares de unidades no país tem hélice, bateria e serviço em qualquer lugar. Modelo raro no Brasil pode ter especificação melhor no papel e virar dor de cabeça na primeira manutenção.
Revenda. Drone popular tem mercado de usado líquido. O Mini 3 e o Mini 4 Pro se vendem sozinhos justamente pelo tamanho do parque instalado.
Comunidade e conteúdo. Quando algo dá errado, a chance de já existir alguém com o mesmo problema documentado é proporcional ao número de unidades cadastradas.
Onde o ranking não ajuda: ele é um retrato acumulado, não uma tendência. O Mini 3 lidera em parte porque está no mercado há mais tempo. Os lançamentos recentes já aparecem no topo: o Mini 5 Pro (7.577) é o quarto e o Neo 2 (7.186) o quinto, e crescem mais rápido que os antigos. Entre 20 de setembro e 18 de outubro, o Neo 2 ganhou 535 cadastros e o Mini 4 Pro perdeu 44.
Os números que não couberam no top 10
Fechando a foto, alguns dados por linha de produto que ajudam a entender o parque brasileiro:
- A linha Mavic inteira soma 18.979 cadastros (9,99% da frota) e é o degrau profissional logo depois da Mini.
- A linha Air vem com 16.653 (8,76%), o meio de campo entre o leve e o profissional.
- A linha Agras, de pulverização agrícola, tem 11.086 cadastros, ou 5,83% de tudo. É um número alto para equipamento bem mais caro que um drone de consumo, e mostra o tamanho do agro nessa conta.
- A linha Avata, de FPV, soma 7.254, o que mostra o tamanho do FPV na frota cadastrada.
- A linha Phantom, com 4.575, segue com cadastros vigentes mesmo sendo geração antiga.
- A linha Matrice, com 5.136, mostra o peso dessa linha profissional na frota.
Perguntas frequentes
Qual é o drone mais usado do Brasil?
O DJI Mini 3, com 19.824 cadastros na base do SISANT de 18 de outubro de 2026, o equivalente a 10,43% de toda a frota registrada no país.
Qual a fatia da DJI no mercado brasileiro de drones?
A DJI responde por 85,4% dos cadastros vigentes no SISANT, considerando os 190.063 registros da base de 18 de outubro de 2026.
Esse ranking é de drones mais vendidos?
Não. É de drones cadastrados. O ranking mede o parque cadastrado e declarado no SISANT, e não a venda de um período específico. O RBAC 100 dispensa do cadastro o drone de até 250 g operado até 120 m em linha de visada, mas o SARPAS só aceita aeronave sincronizada do SISANT, e a base de 18/10/2026 tem 45.520 cadastros de aeronaves de até 250 g.
Por que a família Mini domina tanto?
Porque a linha foi desenhada em torno do limite de 250 gramas, que por anos foi o caminho de menor exigência regulatória. Somada, a família Mini representa 69.093 cadastros, ou 36,4% da frota nacional.
De onde vieram esses números?
Da base de dados abertos que a própria ANAC publica do SISANT, atualizada diariamente. Usei o arquivo com carimbo de 18 de outubro de 2026 (a primeira apuração foi de 4 de agosto) e tratei o campo de modelo antes de contar, porque a mesma aeronave aparece escrita de várias formas.
O que são os modelos estranhos com milhares de unidades?
São enxames de show de drones de luz. Somavam 7.883 unidades na base de 4 de agosto, estão declarados em aeropublicidade e aerodemonstração e ficam concentrados em poucas empresas, então eu os separei do ranking para não distorcer a leitura.
O Mini 5 Pro já aparece bem colocado?
Sim, com 7.577 cadastros ele já é o quarto modelo mais registrado do país, o que é expressivo considerando que é um lançamento recente diante de modelos que estão no mercado há anos.
Conclusão
Ranking de drone costuma ser opinião com foto bonita. Este aqui é contagem: 190.063 cadastros, tratados um a um, com os enxames de espetáculo separados para não mentir o resultado. O que ele mostra é um país que voa leve, concentrado numa marca e numa linha, e isso tem consequência prática na hora de comprar, manter e revender. A base é pública e muda todo dia, então este retrato tem data, e a data está no topo da tabela.
Escrevo isto como piloto com cadastro ativo no SISANT, aprovado na avaliação teórica da ANAC, e apuro os números deste texto direto na base de dados abertos da própria agência, não em resumo de terceiros.
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Fontes consultadas
- Base de dados abertos do SISANT/ANAC, arquivo
SISANT.csvcom carimbo Atualizado em 2026-10-18 e 190.063 cadastros vigentes, apurado por mim. - Números conferidos contra o Observatório do Drone no Brasil, a página de dados que eu mantenho a partir da mesma base e atualizo a cada publicação da ANAC.
- ANAC, portal de dados abertos do SISANT, com atualização diária e histórico mensal. sistemas.anac.gov.br/dadosabertos.
- DECEA, ICA 100-40 (edição 2026, art. 19, §4º): fim da dispensa de solicitação de voo no SARPAS para aeronaves de até 250 gramas a partir de 1º de julho de 2026.








