
Atualizado em 05/08/2026
Toda lista de drone que você acha no Google responde a mesma pergunta: qual eu deveria comprar. Quase nenhuma responde a pergunta que interessa antes dessa, que é qual o Brasil de fato usa. Essas duas coisas são bem diferentes, e a segunda tem resposta pública: todo drone cadastrado no país está numa base de dados abertos da ANAC, com marca e modelo. Baixei essa base e contei.
Resposta direta antes do detalhamento: o drone mais usado do Brasil em 2026 é o DJI Mini 3, com 19.359 cadastros, seguido pelo DJI Mini 4 Pro (14.245) e pelo DJI Mini 2 (9.699). Olhando a linha inteira em vez de modelo isolado, a família Mini representa 37,7% de toda a frota cadastrada, e a DJI responde por 85,2% dos registros. Ou seja: mais de um em cada três drones do país é um Mini, e o mercado brasileiro é, na prática, um mercado de drone leve.
O ranking, modelo por modelo
A base de dados abertos do SISANT com carimbo de 4 de agosto de 2026 tem 177.631 cadastros vigentes. Cada linha traz o modelo declarado no cadastro. O resultado, depois de tratado, é este:
| # | Modelo | Cadastros | Fatia da frota |
|---|---|---|---|
| 1 | DJI Mini 3 | 19.359 | 10,90% |
| 2 | DJI Mini 4 Pro | 14.245 | 8,02% |
| 3 | DJI Mini 2 | 9.699 | 5,46% |
| 4 | DJI Mini 3 Pro | 6.653 | 3,75% |
| 5 | DJI Mavic 3 | 6.218 | 3,50% |
| 6 | DJI Mini 5 Pro | 6.209 | 3,50% |
| 7 | DJI Neo | 6.022 | 3,39% |
| 8 | DJI Air 2S | 5.598 | 3,15% |
| 9 | DJI Neo 2 | 5.470 | 3,08% |
| 10 | DJI Matrice | 4.589 | 2,58% |

O trabalho sujo que muda o pódio: normalizar as grafias
Esse ranking só está certo porque o campo de modelo foi tratado antes de contar. No arquivo bruto, o mesmo drone aparece escrito de várias formas, porque cada pessoa digita como quer no momento do cadastro.
O caso mais grave é justamente o segundo colocado. O Mini 4 Pro aparece como “Mini 4 Pro”, como “Dji Mini 4 Pro”, como “Dji Mini 4 Pro ( Rc 2)”, como “Dji Mini 4 Pro Fly More” e ainda em outras variações com o nome do combo. Pior: muita gente digita grudado, “Mini4Pro” e “Mini 4Pro”, e só a grafia “Dji Mini 4Pro Fly More Combo Plus” responde por 1.204 aeronaves. Contadas separadamente, nenhuma dessas entra no pódio. Somadas, viram 14.245 cadastros e o segundo lugar do país.
É por isso que ranking tirado de dado público sem tratamento costuma sair errado. Quem só ordena a coluna crua publica um pódio que não existe. Todo o tratamento que descrevo aqui está aplicado no Observatório do Drone no Brasil, a página onde eu mantenho esses números atualizados a cada base nova da ANAC.
A família Mini é mais de um terço do Brasil
Olhar modelo isolado esconde o padrão real. Quando eu agrupo a linha inteira, a conta fica difícil de ignorar: 66.882 cadastros são de algum drone da família Mini, ou 37,7% de toda a frota nacional.
Faz sentido, e a explicação é regulatória tanto quanto comercial. Por anos, o drone abaixo de 250 gramas foi o caminho mais curto para voar com menos exigência, e a linha Mini foi desenhada exatamente nesse limite. Mesmo agora, com a ICA 100-40 tendo encerrado essa dispensa em 1º de julho de 2026, o parque instalado continua sendo majoritariamente leve. O hábito de compra levou anos para se formar e não muda de um semestre para o outro.
A outra conta que chama atenção é a de marca: a DJI responde por 85,2% dos cadastros. Não é liderança, é quase monocultura.
A armadilha dos enxames: por que eu tirei 7.883 unidades da conta
Aqui está o detalhe metodológico que separa um número honesto de um número bonito. Se você ordenar a base sem pensar, vai encontrar modelos estranhos com milhares de unidades, como “Star V3.1”, “DMD V3” e “Cyber Light”.
Fui checar o ramo de atividade declarado nesses cadastros: 100% deles estão em aeropublicidade e aerodemonstração. São enxames de show de drones de luz, aqueles espetáculos noturnos com centenas de aparelhos voando em formação. Uma única empresa cadastra mil unidades de uma vez.
No total, 7.883 unidades da base são desse tipo. Elas são drones de verdade e estão corretamente cadastradas, mas não representam piloto nenhum: representam estoque de espetáculo. Misturá-las num ranking de “drone mais usado” distorceria a leitura, então elas ficam segregadas e viram esta seção em vez de virarem ruído no pódio.

O que este ranking diz sobre a sua próxima compra
Um ranking de uso não é recomendação, mas ele responde perguntas práticas que nenhuma review responde.
Peça de reposição e assistência. Modelo com dezenas de milhares de unidades no país tem hélice, bateria e serviço em qualquer lugar. Modelo raro no Brasil pode ter especificação melhor no papel e virar dor de cabeça na primeira manutenção.
Revenda. Drone popular tem mercado de usado líquido. O Mini 3 e o Mini 4 Pro se vendem sozinhos justamente pelo tamanho do parque instalado.
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- Gabarito comentado
- Ranking nacional
Comunidade e conteúdo. Quando algo dá errado, a chance de já existir alguém com o mesmo problema documentado é proporcional ao número de unidades cadastradas.
Onde o ranking não ajuda: ele é um retrato acumulado, não uma tendência. O Mini 3 lidera em parte porque está no mercado há mais tempo. Modelos recentes como o Mini 5 Pro (6.209) e o Neo 2 (5.470) aparecem menores por idade, não necessariamente por rejeição.
Os números que não couberam no top 10
Fechando a foto, alguns dados por linha de produto que ajudam a entender o parque brasileiro:
- A linha Mavic inteira soma 18.605 cadastros (10,47% da frota) e é o degrau profissional logo depois da Mini.
- A linha Air vem com 16.311 (9,18%), o meio de campo entre o leve e o profissional.
- A linha Agras, de pulverização agrícola, tem 10.409 cadastros, ou 5,86% de tudo. É um número alto para equipamento que custa dezenas de vezes mais que um drone de consumo, e mostra o tamanho real do agro nessa conta.
- A linha Avata, de FPV, soma 6.582, o que confirma que voo imersivo deixou de ser nicho de hobby.
- A linha Phantom, com 4.891, ainda está viva mesmo sendo geração antiga, sustentada por mapeamento e topografia.
- A linha Matrice, com 4.589, mostra o peso da operação institucional, de segurança pública a inspeção de energia.
Perguntas frequentes
Qual é o drone mais usado do Brasil?
O DJI Mini 3, com 19.359 cadastros na base do SISANT de 4 de agosto de 2026, o equivalente a 10,90% de toda a frota registrada no país.
Qual a fatia da DJI no mercado brasileiro de drones?
A DJI responde por 85,2% dos cadastros vigentes no SISANT, considerando os 177.631 registros da base de 4 de agosto de 2026.
Esse ranking é de drones mais vendidos?
Não. É de drones cadastrados. Todo drone que voa legalmente no Brasil precisa estar no SISANT, então o ranking mede o parque instalado e declarado, e não a venda de um período específico.
Por que a família Mini domina tanto?
Porque a linha foi desenhada em torno do limite de 250 gramas, que por anos foi o caminho de menor exigência regulatória. Somada, a família Mini representa 66.882 cadastros, ou 37,7% da frota nacional.
De onde vieram esses números?
Da base de dados abertos que a própria ANAC publica do SISANT, atualizada diariamente. Usei o arquivo com carimbo de 4 de agosto de 2026 e tratei o campo de modelo antes de contar, porque a mesma aeronave aparece escrita de várias formas.
O que são os modelos estranhos com milhares de unidades?
São enxames de show de drones de luz. Somam 7.883 unidades, estão declarados em aeropublicidade e aerodemonstração e ficam concentrados em poucas empresas, então eu os separei do ranking para não distorcer a leitura.
O Mini 5 Pro já aparece bem colocado?
Sim, com 6.209 cadastros ele já é o sexto modelo mais registrado do país, o que é expressivo considerando que é um lançamento recente diante de modelos que estão no mercado há anos.
Conclusão
Ranking de drone costuma ser opinião com foto bonita. Este aqui é contagem: 177.631 cadastros, tratados um a um, com os enxames de espetáculo separados para não mentir o resultado. O que ele mostra é um país que voa leve, concentrado numa marca e numa linha, e isso tem consequência prática na hora de comprar, manter e revender. A base é pública e muda todo dia, então este retrato tem data, e a data está no topo da tabela.
Escrevo isto como piloto com cadastro ativo no SISANT, aprovado na avaliação teórica da ANAC, e apuro os números deste texto direto na base de dados abertos da própria agência, não em resumo de terceiros.
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Fontes consultadas
- Base de dados abertos do SISANT/ANAC, arquivo
SISANT.csvcom carimbo Atualizado em 2026-08-04 e 177.631 cadastros vigentes, apurado por mim. - Números conferidos contra o Observatório do Drone no Brasil, a página de dados que eu mantenho a partir da mesma base e atualizo a cada publicação da ANAC.
- ANAC, portal de dados abertos do SISANT, com atualização diária e histórico mensal. sistemas.anac.gov.br/dadosabertos.
- DECEA, ICA 100-40 (edição 2026), fim da dispensa de cadastro para aeronaves abaixo de 250 gramas a partir de 1º de julho de 2026.
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