
Atualizado em 15/09/2026
Na manhã desta terça-feira, 15 de setembro de 2026, enquanto o plenário do Supremo Tribunal Federal analisava o pedido de investigação sobre as mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, um drone apareceu sobre os arredores do prédio na Praça dos Três Poderes. A equipe da Polícia Judicial do STF apontou para ele um aparelho em formato de fuzil e o drone saiu do ar. O vídeo do momento, publicado pela BandNews FM, passou de 49 mil curtidas e 10 mil comentários em seis horas, quase todos sobre a mesma cena: o agente parecendo não saber usar a arma. Só que a arma não dispara nada. E é isso que explica o vídeo, a lei que proibia o voo e o tamanho do problema de quem estava no controle.
Resposta direta: o STF confirmou que um drone não identificado foi mitigado pela Polícia Judicial do tribunal, e mitigar é o termo correto, porque o equipamento usado, a DroneGun Tactical da australiana DroneShield, não atira: ele bloqueia o rádio de controle e o sinal de satélite do drone, que responde pousando no lugar ou voltando ao ponto de decolagem. Por isso o vídeo parece não mostrar nada acontecendo. Voar ali era proibido antes de qualquer reforço de segurança: a ICA 100-40 do DECEA lista sedes de Governos como área de segurança, com zona de restrição de voo, e o art. 19 exige autorização para toda aeronave não tripulada, inclusive as de até 250 g. Quem operou o drone perdeu o equipamento no mínimo, responde a processo administrativo na ANAC e no Comando da Aeronáutica e pode responder criminalmente conforme o risco criado. E o bloqueador que derrubou o drone é proibido para você: a Resolução Anatel 760/2023 reserva o uso a órgãos do Estado.
O que aconteceu na Praça dos Três Poderes, com o que foi confirmado
O esquema de segurança para a sessão foi planejado de forma integrada entre a Secretaria de Polícia Judicial do STF, a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, o Comando Militar do Planalto, as Forças Armadas, o GSI e a Abin, segundo o Metrópoles. Desde a madrugada a Polícia Militar do DF isolou o acesso à praça e às áreas vizinhas, com gradis a partir da Avenida José Sarney, drones com câmera térmica no ar e um aviso publicado antes da sessão pela Agenda do Poder: equipamentos não autorizados que sobrevoassem a área poderiam ser abatidos.
A sessão começou às 10h. Em algum momento da manhã, um drone passou a circular nos arredores do prédio do Supremo. A nota do tribunal, reproduzida pelo ND Mais, resume o desfecho em uma frase:
“Um drone não identificado foi mitigado pela equipe da polícia judicial do STF nos arredores do prédio do STF.”
Nota do Supremo Tribunal Federal, 15/09/2026, via ND Mais

O dono do drone não foi divulgado até a publicação deste texto. O vídeo que viralizou foi gravado por jornalistas na praça e mostra o agente com o equipamento apontado para cima, sem nenhum efeito visível. A legenda da BandNews FM atribui a ação à Polícia Federal; a nota oficial diz Polícia Judicial do STF, que é a força de segurança própria do tribunal. Fica registrada a correção.
Ver o reel de @radiobandnewsfm no Instagram

A arma antidrone não atira: o que a DroneGun Tactical faz de verdade
O aparelho que aparece no vídeo é a DroneGun Tactical, fabricada pela DroneShield, empresa australiana que vende sistemas de detecção e mitigação de drones para governos. Segundo a ficha pública do fabricante, o equipamento pesa 7,3 kg com as duas baterias, tem trilhos MIL-STD 1913 para montar luneta, radome de antena próprio e bateria de íons de lítio com mais de duas horas de operação agregada por carga. O que ele emite é interferência de rádio em uma faixa ampla de bandas ISM, as mesmas usadas pelo enlace entre o controle e o drone, e nas frequências de GNSS, o GPS e seus equivalentes.
“When disruption is triggered, UAS targets will respond via vertical on the spot landing or return to its remote controller or starting point.”
DroneShield, ficha da DroneGun Tactical (tradução livre: quando a interferência é acionada, o drone responde com pouso vertical no lugar ou retorno ao controle remoto ou ao ponto de partida)
Isso muda a leitura do vídeo. Um bloqueador não tem coice, não tem clarão e não faz o drone cair. O operador precisa manter a antena direcional apontada para a aeronave, às vezes por dezenas de segundos, enquanto o drone executa o que seu firmware manda fazer quando perde o controle e o GPS ao mesmo tempo: pairar, descer devagar ou tentar voltar ao ponto de decolagem. Para quem assiste de longe, parece que nada aconteceu. Para quem estava no controle, a tela apagou e o drone deixou de responder.
Leitura técnica, não julgamento do agente
Por que o agente parece perdido no vídeo
Sem saber o que o aparelho faz, a plateia espera um tiro e um drone caindo. O que a operação de um bloqueador exige é o contrário: pontaria contínua, escolha das bandas certas e paciência enquanto o drone reage. O vídeo tem poucos segundos e não mostra o desfecho. A nota do STF mostra: o drone foi mitigado.
A DroneShield deixa claro, na própria página, que seus produtos de interrupção não são vendidos nem autorizados para uso privado nos Estados Unidos, só para o governo e seus delegados. No Brasil a regra é a mesma na essência, e vem da Anatel, como explico mais abaixo.
Por que ninguém podia voar ali, mesmo antes do esquema especial
A proibição não nasceu na terça-feira. A ICA 100-40, norma do DECEA em vigor desde 1º de julho de 2026, prevê zonas de restrição de voo (FRZ) em três situações: aeródromos, áreas de segurança e locais de interesse estratégico (art. 11). O art. 13 lista o que a norma considera área de segurança, e o inciso VI é curto: sedes de Governos. A Praça dos Três Poderes reúne as sedes dos três Poderes da República. O volume da FRZ é divulgado por produto AIS (art. 16), e no mapa do SARPAS a Esplanada e a praça aparecem em vermelho, como já mostrei no guia de onde pode e onde não pode voar drone em Brasília.

Sobre essa camada vem a regra geral do art. 19: nenhuma aeronave não tripulada acessa o espaço aéreo brasileiro sem autorização do Estado, e o § 4º diz que o procedimento se aplica inclusive às aeronaves com peso máximo de decolagem até 250 g. Um Mini, um Neo ou um Flip precisava de SARPAS aprovado para estar ali, e um pedido para sobrevoar sede de Poder em dia de sessão extraordinária não seria aprovado. A norma ainda tem um detalhe que interessa a quem trabalha para o governo: a operação com interseção em FRZ de área de segurança pode ser solicitada com 30 minutos de antecedência quando é feita pelo responsável pela área ou em proveito dele (art. 55, § 1º, I). Vale para a equipe de segurança, não para quem filma de fora.
Em datas sensíveis, o DECEA ainda pode ativar restrições temporárias e o esquema de segurança soma mitigação ativa, como aconteceu no desfile de 7 de Setembro. A diferença entre um dia comum e a terça-feira não é a lei: é a quantidade de gente pronta para aplicá-la.
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Quem pode usar um bloqueador de drone no Brasil (e por que você não pode)
O bloqueio de sinal é regulado pela Anatel na Resolução nº 760/2023, que trata do Bloqueador de Sinais de Radiocomunicações. O art. 4º traz a lista fechada de quem pode operar com anuência da agência: Presidência da República, Ministério da Defesa, Forças Armadas, Abin, órgãos de segurança pública e de administração penitenciária. O art. 5º, § 1º, fecha a porta para o resto: em hipótese alguma a Anatel anuirá ao uso de bloqueador por pessoa natural ou por pessoa jurídica de direito privado. Usar sem anuência é uso não autorizado de radiofrequência (art. 25) e, na esfera penal, atividade clandestina de telecomunicação, com detenção de dois a quatro anos e multa de R$ 10 mil (Lei Geral de Telecomunicações, art. 183).
A operação do STF foi planejada com GSI, Forças Armadas e a Secretaria de Segurança Pública do DF, órgãos que estão na lista, e a anuência da Anatel é dada por área de bloqueio. É o que separa a cena do vídeo do bloqueador de marketplace que alguém compra para tirar o drone do vizinho: o mesmo tipo de aparelho, com um enquadramento legal oposto. Detalhei as penas e a lista completa em derrubar drone é crime? O que a lei permite de verdade.
| Quem | Pode bloquear? | Base |
|---|---|---|
| Forças Armadas, GSI, Abin, segurança pública, sistema penitenciário | Sim, em área anuída pela Anatel | Res. 760/2023, art. 4º |
| Empresa privada, condomínio, segurança privada | Não, em nenhuma hipótese | Res. 760/2023, art. 5º, § 1º |
| Pessoa física (você) | Não, e é crime | LGT, art. 183: 2 a 4 anos + R$ 10 mil |
| Fabricante ou revenda | Só vende para o Estado com certificação | LGT, art. 162, § 2º |
O que acontece com o piloto de um drone mitigado
O bloqueio derruba o sinal, não o piloto. A identificação vem de outras camadas. Sistemas de detecção por radiofrequência, do tipo que o Rio de Janeiro usou no Rock in Rio, estimam a posição do controle, não só a do drone; se o failsafe mandou a aeronave voltar para casa, ela entrega o ponto de decolagem; e o número de cadastro no SISANT, quando existe, leva ao dono. No festival, a sequência foi alerta, equipe no chão e abordagem em minutos, com drone, rádio, cartão de memória e case apreendidos, como contei em drone apreendido no Rock in Rio.
No papel, o piloto responde em três frentes. Na administrativa, a ANAC autua a operação irregular pelo RBAC 100 e o Comando da Aeronáutica registra a infração à ICA 100-40; as multas por drone irregular estão na casa dos milhares de reais, como mostro em multa de drone irregular: quanto custa. Na civil, qualquer dano é dele. Na penal, o enquadramento depende do risco criado: o art. 261 do Código Penal pune quem expõe a perigo aeronave ou pratica ato tendente a dificultar a navegação aérea, com reclusão de dois a cinco anos, e a discussão sobre alcançar um drone pequeno está em aberto nos tribunais. Sobrevoar a sede do Supremo em dia de sessão sobre um ministro coloca o caso no pior cenário de análise.
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ICA 100-40, art. 19, § 4º
Não existe voo de ‘só uma fotinho’ em sede de governo
O drone de 249 g que sobrevoa a Esplanada por 40 segundos está na mesma FRZ que o de 25 kg. A diferença de peso muda o cadastro na ANAC; não muda a autorização do DECEA, que não vem. E o esquema de segurança não pergunta o peso antes de mitigar.

Como filmar Brasília sem virar o próximo vídeo
Brasília rende imagem aérea de verdade, e boa parte da cidade permite voo com SARPAS aprovado. O caminho é o mesmo de qualquer capital com aeroporto e área de segurança: abrir o mapa do SARPAS NG antes de qualquer plano, respeitar a cor do ponto exato, pedir com antecedência e manter a aprovação no celular. As orlas do Lago Paranoá e os parques afastados do núcleo cívico costumam aparecer em azul ou amarelo; Esplanada, praça e palácios, em vermelho. Em dia de evento ou sessão especial, o vermelho ganha reforço e mitigação ativa.
- Conferir no mapa do SARPAS se o ponto está em FRZ de área de segurança (art. 13 da ICA 100-40).
- Pedir a autorização com antecedência e voar só com ela aprovada, mesmo com drone abaixo de 250 g.
- Nunca voar sobre Esplanada, Praça dos Três Poderes e palácios; a resposta ali é sempre não.
- Em data sensível, esperar restrição temporária e esquema com bloqueador: não é o dia de testar.
- Manter cadastro no SISANT, seguro e a etiqueta no drone; se algo der errado, isso separa o descuido do dolo.
O guia completo da norma está no guia da ICA 100-40, e as zonas FRZ, EAC e ZAD estão explicadas em FRZ, EAC e ZAD: as zonas restritas para drone.
Perguntas frequentes
O drone abatido no STF foi derrubado com tiro?
Não. O STF informou que o drone foi mitigado pela Polícia Judicial do tribunal. O equipamento usado, a DroneGun Tactical, é um bloqueador de sinal: interrompe o rádio de controle e o GNSS, e o drone pousa ou retorna ao ponto de partida.
Quem operou a arma antidrone no STF: Polícia Federal ou Polícia Judicial?
Polícia Judicial do STF, segundo a nota oficial do tribunal. A legenda do vídeo da BandNews FM atribuiu a ação à Polícia Federal, mas a nota citada pelo ND Mais diz equipe da polícia judicial do STF.
O que é a DroneGun Tactical?
Um bloqueador portátil de sinais de drone da DroneShield, em formato de fuzil. Pesa 7,3 kg com duas baterias, opera por mais de duas horas por carga e interfere nas bandas ISM e no GNSS, segundo a ficha do fabricante.
Por que o agente parece não saber usar a arma no vídeo?
Porque um bloqueador não dá sinal visível de funcionamento. O operador mantém a antena apontada para o drone enquanto ele reage ao failsafe, o que pode levar dezenas de segundos. O vídeo curto não mostra o desfecho; a nota do STF confirma que o drone foi mitigado.
Era proibido voar drone na Praça dos Três Poderes naquele dia?
Era proibido em qualquer dia. A ICA 100-40 lista sedes de Governos como área de segurança (art. 13, VI), o que gera FRZ, e exige autorização para todo voo, inclusive de drone até 250 g (art. 19, § 4º).
Drone de 249 g podia voar perto do STF?
Não. A dispensa de cadastro por peso é da ANAC; a autorização de voo é do DECEA e vale para todo peso. Em FRZ de área de segurança o pedido não é aprovado.
O que acontece com o piloto do drone mitigado no STF?
Apreensão do equipamento, processo administrativo na ANAC e no Comando da Aeronáutica e possível responsabilização penal, conforme o risco criado. Até a publicação deste texto o STF não havia divulgado o dono do drone.
Posso comprar um bloqueador de drone para usar na minha casa?
Não. A Resolução Anatel 760/2023 veda anuência a pessoa física e a empresa privada em qualquer hipótese, e usar sem anuência é crime da Lei Geral de Telecomunicações (art. 183), com detenção de 2 a 4 anos.
Quem pode usar bloqueador de drone no Brasil?
Presidência, Ministério da Defesa, Forças Armadas, Abin, órgãos de segurança pública e administração penitenciária, com anuência da Anatel por área de bloqueio (Res. 760/2023, art. 4º).
Como a polícia descobre quem estava pilotando?
Por detecção de radiofrequência, que estima a posição do controle, pelo retorno automático do drone ao ponto de partida e pelo cadastro no SISANT. Foi assim no Rock in Rio, com abordagem em minutos.
Onde dá para voar drone em Brasília?
Fora do núcleo cívico e da área do aeroporto, com SARPAS aprovado. Orla do Lago Paranoá e parques afastados costumam aparecer em azul ou amarelo no mapa; Esplanada e Três Poderes, em vermelho.
A restrição vale para outros prédios públicos?
Vale para toda sede de Governo e para as outras áreas de segurança do art. 13: áreas militares, presídios, refinarias, usinas, subestações, redes de água e gás, barragens e instalações de navegação aérea. A lista é aberta.
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Fontes consultadas
- ND Mais, 15/09/2026, 15h39: nota do STF confirmando que um drone não identificado foi mitigado pela equipe da polícia judicial do tribunal; dono não revelado.
- NSC Total, 15/09/2026, 11h10: identificação do equipamento como DroneGun Tactical, com antenas direcionais e painel de controle.
- Metrópoles, 15/09/2026: planejamento integrado entre Polícia Judicial do STF, SSP-DF, Comando Militar do Planalto, Forças Armadas, GSI e Abin; bloqueio da praça e gradis a partir da Av. José Sarney.
- Agenda do Poder, 15/09/2026: drones da PMDF com câmera térmica e aviso de que equipamentos não autorizados poderiam ser abatidos.
- Reel da BandNews FM no Instagram: vídeo do momento da mitigação, 49,7 mil curtidas e 10,4 mil comentários em seis horas.
- ICA 100-40 (DECEA), edição 2026, PDF oficial: arts. 11, 13 (áreas de segurança, inciso VI: sedes de Governos), 16, 19 (§ 4º: vale até 250 g) e 55, § 1º. Página canônica: publicacoes.decea.mil.br.
- DroneShield, ficha da DroneGun Tactical: 7,3 kg com duas baterias, bandas ISM e GNSS, reação por pouso vertical ou retorno, mais de duas horas de operação.
- Resolução Anatel nº 760/2023: arts. 4º (quem pode), 5º, § 1º (nunca pessoa física ou empresa privada) e 25 (uso sem anuência).
- Lei nº 9.472/1997 (LGT), art. 183: atividade clandestina de telecomunicação, detenção de 2 a 4 anos e multa de R$ 10 mil.
- Código Penal, art. 261: atentado contra a segurança de transporte aéreo, reclusão de 2 a 5 anos.
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