
Atualizado em 16/10/2026
Quem tem um Fly More Combo logo descobre o problema: três baterias iguais, na mesma case, e nenhuma pista de qual foi usada no último voo. No fim, duas viram as favoritas e a terceira fica esquecida. Montei uma ferramenta gratuita para resolver isso com papel adesivo comum: ela gera etiquetas numeradas para cada bateria e uma ficha de controle para você anotar, uma vez por mês, o que o DJI Fly mostra.
Por Irlen Menezes, cientista de dados formado pela PUC Minas, com experiência em legislação e regulação de drones no Brasil.
Resposta direta: etiquete cada bateria com um número grande e a cor da aeronave, use e carregue sempre na ordem (1, 2, 3), e uma vez por mês anote numa ficha os ciclos e a tensão da menor e da maior célula, lidos no DJI Fly com a bateria no drone conectado. A ferramenta abaixo gera as etiquetas em folha A4 e a ficha de controle pronta para imprimir, sem cadastro e sem enviar nada. Ela não substitui o aplicativo: o DJI Fly é quem mede, a etiqueta e a ficha só organizam.
A resposta rápida, antes do detalhe
O resto do post explica cada passo e termina na ferramenta. Se você já sabe o que quer, role até a seção “Gere as suas etiquetas e a ficha”.
Por que etiquetar as baterias do drone

Bateria sem identificação vira bateria sem histórico. Com três ou quatro unidades iguais, a tendência é pegar sempre a que está por cima na case. Resultado: algumas acumulam ciclos bem mais rápido que as outras, e quando uma delas começa a dar problema você não sabe se é a mais velha, a mais usada ou só uma que ficou mal armazenada.
A etiqueta resolve a parte física, que o aplicativo não resolve. O número grande permite pegar a bateria certa de longe, na ordem do rodízio. A faixa na cor da aeronave evita misturar baterias quando você tem mais de um drone. E o código completo (por exemplo, M4P-01) é o mesmo que vai na ficha, então a anotação nunca fica solta.
Quem mexe com bateria de drone no dia a dia também deve olhar os outros textos do blog sobre o assunto: quanto dura a bateria de um drone DJI, o que fazer com bateria inchada e os mitos sobre carregar bateria e controle. Este aqui cuida de outra coisa: saber qual bateria é qual e guardar o histórico dela.
O que o DJI Fly mostra e o que ele não resolve
O aplicativo da DJI mostra, por bateria, o número de ciclos, a tensão de cada célula, a temperatura e o número de série. O detalhe é que isso só aparece com a bateria encaixada no drone ligado e conectado ao controle. Fora do drone, na mesa ou na case, o app não diz nada sobre ela. É aí que entram a etiqueta, o rodízio e a ficha.
O caminho no app costuma ser DJI Fly > Configurações > Segurança > Informações da bateria, com o drone ligado e conectado. Os nomes dos menus mudam de uma versão do aplicativo para outra, então se não achar, procure por “bateria” dentro de Segurança ou consulte o manual da sua aeronave.
Como ler os números da ficha
Ciclos. Segundo um post de suporte da DJI, o ciclo de bateria não é cada recarga: é cada vez que o consumo acumulado chega a 75% da capacidade. Na prática, dois voos que gastam 40% da bateria cada contam, juntos, como cerca de um ciclo. O mesmo post diz que, a partir de cerca de 200 ciclos, o desempenho tende a cair, e é aí que vale observar a bateria com mais atenção. É uma referência geral: o valor exato muda de modelo para modelo, e para alguns drones a própria DJI recomenda trocar antes.
Células. A bateria de voo é feita de células em série, e o ideal é que elas fiquem com a tensão parecida. A ficha pede a menor e a maior tensão de célula e a diferença entre as duas. Se a diferença cresce de um mês para o outro, ou uma bateria destoa das irmãs, é sinal de atenção. As faixas abaixo são referências práticas que pilotos usam, não uma regra publicada pela DJI. Na dúvida, vale o manual da sua bateria e a orientação da assistência técnica.
Temperatura e observações. Anote a temperatura lida e qualquer coisa fora do normal: bateria estufada, aquecimento acima do usual, queda brusca de percentual em voo. Bateria que estufa sai de uso na hora, e o post sobre bateria de drone inchada explica como descartar com segurança.
Gere as suas etiquetas e a ficha
Agora é com a ferramenta. Cadastre a aeronave, escolha a cor, diga quantas baterias tem e, se quiser, a data de compra e o final do número de série de cada uma. Tudo roda no seu navegador: nada é enviado e não precisa de cadastro. A última configuração fica salva só no seu aparelho.
Gerador de etiquetas para baterias de drone
1. Suas aeronaves e baterias
2. Contato em caso de perda (opcional)
3. Tamanho e cópias
Como imprimir e cortar do jeito certo
- Papel: folha A4 adesiva comum, branca, de papelaria. Confira se ela é indicada para o tipo da sua impressora.
- Escala: imprima em 100% (tamanho real), sem a opção “ajustar à página”. É a causa número um de etiqueta do tamanho errado.
- Régua: a primeira folha traz uma régua de 50 mm. Meça com uma régua de verdade antes de cortar. Se não der 50 mm, a impressão foi reduzida ou ampliada.
- Corte: tesoura ou estilete, seguindo as marcas finas nos cantos. As etiquetas são brancas para gastar pouca tinta.

A ferramenta calcula sozinha quantas etiquetas cabem por folha, deixa 8 mm de margem de segurança nas bordas, onde muita impressora não imprime, e abre quantas páginas forem necessárias. No pré-visualizar aparece o total, por exemplo “20 etiquetas em 1 folha”. Em etiquetas pequenas, os campos secundários (data, série e contato) somem de propósito, em vez de espremer o texto.
Onde colar cada etiqueta

Com duas ou três cópias por bateria, uma configuração que funciona bem é: uma na própria bateria, outra no slot correspondente da case e a terceira no carregador ou no hub, na posição onde ela carrega. Assim, a bateria 2 só volta para o slot 2, e fica fácil ver de relance qual está faltando.
Na bateria, cole em área lisa e seca, longe dos contatos metálicos, dos LEDs e do botão de nível, e sem cobrir marcações de segurança ou etiquetas regulatórias que vêm de fábrica. O objetivo é identificar, não atrapalhar o encaixe nem o resfriamento.
A ficha de controle: a rotina de cinco minutos por mês

A ficha sai em A4 retrato, com um bloco por bateria e cerca de 12 linhas de registro para cada uma. Imprima uma vez, guarde na case e faça isto uma vez por mês, ou antes de uma viagem ou de um trabalho importante:
- Ligue o drone com a bateria 1 e conecte o controle.
- Abra as informações da bateria no DJI Fly e leia os ciclos, a menor e a maior tensão de célula e a temperatura.
- Anote na linha do dia, calcule a diferença entre as células e escreva qualquer observação.
- Troque pela bateria 2 e repita. Depois, a 3.
Em três meses você tem uma curva real de cada bateria, e a decisão de aposentar ou trocar deixa de ser palpite. Se for comprar mais baterias, o post sobre Fly More Combo e quantas baterias comprar ajuda a fechar a conta, e o calendário de manutenção preventiva mostra onde a ficha se encaixa na rotina.
Perguntas frequentes
Preciso do DJI Fly para usar a ficha?
Os números de ciclos, células e temperatura vêm do aplicativo, então sim, é ele quem alimenta a ficha. Sem o app, você ainda usa as etiquetas e o rodízio, e a ficha serve para anotar observações e datas de uso.
Funciona com baterias de drones que não são da DJI?
As etiquetas aceitam qualquer texto de modelo, então servem para qualquer marca. A ficha é genérica: as colunas de ciclos e células dependem do que o aplicativo do seu fabricante mostra.
Qual tamanho de etiqueta escolher?
O tamanho Mini (ponta), com 24 × 12 mm, serve para o adesivo pequeno que vai na face da bateria que fica à mostra, na traseira do drone, com a bateria encaixada. Assim você vê qual bateria está montada sem tirá-la. A etiqueta leva só o número e o prefixo da aeronave. A opção pequena (45 × 22 mm) cabe em outras áreas livres de Mini e Neo, e a média (60 × 30 mm) é para Air, Mavic e Avata. Se a sua bateria tem outra área livre, use o tamanho personalizado, de 15 a 100 mm de largura e de 8 a 60 mm de altura. Meça o espaço com uma régua antes de imprimir.
A ferramenta guarda ou envia os meus dados?
Não envia nada. O que você digita fica só no seu navegador, e a última configuração é salva no próprio aparelho para você não precisar digitar de novo. O botão “Limpar e começar de novo” apaga tudo.
O que é “ciclo” para a DJI?
Não é cada recarga. Segundo um post de suporte da DJI, é cada vez que o consumo acumulado chega a 75% da capacidade da bateria.
Com que frequência devo anotar na ficha?
Uma vez por mês é um bom ritmo para uso regular. Antes de uma viagem, de um evento ou de um trabalho pago, vale uma leitura extra.
As faixas de diferença entre células são oficiais?
Não. São referências práticas que pilotos usam. Não encontrei esses limites em material oficial da DJI, e por isso a ficha avisa isso no rodapé. Para uma decisão de troca, valem o manual da bateria e a assistência técnica.
Conclusão
Etiqueta e ficha não deixam a bateria melhor, mas deixam você muito mais bem informado sobre ela. Com um número em cada unidade, rodízio na ordem e cinco minutos por mês no DJI Fly, a bateria deixa de ser uma caixa preta que um dia simplesmente falha. Gere a sua, imprima e deixe a ficha dentro da case. Para as regras de operação, cadastro e autorização, o hub drone.irlenmenezes.com.br reúne a ICA 100-40 em linguagem simples, e o gerador de selo ANAC / SISANT é outra ferramenta gratuita para a documentação do seu drone.
Leituras relacionadas
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Fontes oficiais consultadas
- DJI, post de suporte sobre o que é um ciclo de bateria (75% da capacidade e 200 ciclos): forum.dji.com/thread-279700-1-1.html
- DJI Brasil, manuais e downloads por modelo (confira o manual da sua aeronave e da sua bateria): dji.com/br/downloads






