
Atualizado em 05/08/2026
Depois de descobrir quanto ganha um piloto de drone e quem realmente contrata no país, sobra a pergunta que decide se vale a pena seguir nessa carreira: onde esse mercado existe de fato. A resposta que circula por aí é sempre a mesma, “em São Paulo”, e ela é ao mesmo tempo verdadeira e inútil, porque não diz o que se faz com drone em cada canto do Brasil.
Como esse recorte não existe pronto em lugar nenhum, eu apurei. Baixei o arquivo público do SISANT, separei todas as empresas com drone cadastrado e consultei o estado de cada uma na base pública da Receita Federal. São 11.602 empresas localizadas, operando 41.972 aeronaves.
Resposta direta: São Paulo concentra 22,7% das empresas de drone do Brasil (2.633), seguido por Minas Gerais (1.472), Paraná (855), Santa Catarina (723), Rio Grande do Sul (650) e Rio de Janeiro (637). Mas o dado mais útil não é o ranking: é que cada região trabalha com drone de um jeito diferente. No Centro-Oeste é pulverização agrícola, no Sul e no Nordeste é segurança pública, em Minas é inspeção industrial, e em Brasília é fiscalização estatal. Procurar trabalho de aerofotografia no Mato Grosso é remar contra o mercado local.
Como esse número foi apurado (e por que ninguém publica)
O SISANT é o cadastro obrigatório de drones da ANAC, e o arquivo dele é público. O problema é que ele não traz o estado nem o município do operador. As colunas disponíveis são código da aeronave, validade, nome do operador, CPF ou CNPJ, tipo de uso, fabricante, modelo, número de série, peso e ramo de atividade. Não existe um campo de localização.
Para pessoa física o caminho morre ali, porque o CPF vem mascarado por proteção de dados. Mas o CNPJ das empresas vem inteiro, e o CNPJ é uma chave pública que leva à Receita Federal, onde o endereço da empresa é aberto. Foi por aí que eu fui: agrupei as 41.972 aeronaves de pessoa jurídica pelos 11.611 CNPJs distintos e consultei a localização de cada um. Voltaram 11.602, ou 99,9% de cobertura.
Vale ser transparente sobre o que esse mapa mede e o que ele não mede. Pessoa jurídica é 23,7% dos cadastros do país; o resto é pessoa física, que inclui tanto o hobbysta quanto o profissional autônomo que cadastrou no próprio CPF. Ou seja, este é o mapa do mercado empresarial de drone, que é justamente onde estão as vagas com carteira assinada e os contratos de prestação de serviço mais estruturados.
O erro que faz o ranking bruto mentir
Aqui está a parte que me obrigou a refazer a conta. Se você ordenar os estados pelo número de drones, e não pelo número de empresas, o Paraná aparece praticamente empatado com Minas Gerais, e São Paulo dispara. Só que essa leitura está contaminada.
As maiores frotas do Brasil não são de empresas de inspeção ou de agricultura. São de shows de drone de luz, aqueles espetáculos noturnos em que centenas de aeronaves desenham figuras no céu. Uma única empresa desse ramo tem 1.912 drones cadastrados. Outra tem 1.600. Somadas, as operações de aeropublicidade e aerodemonstração respondem por 20,1% de toda a frota empresarial do país.
Um enxame de 1.900 drones é um espetáculo, não um mercado com 1.900 postos de trabalho. Quem conta frota bruta está medindo o tamanho do show, não o tamanho do emprego. Veja o que acontece quando essas operações saem da conta:
Depois dessa limpeza, Minas Gerais assume com folga o segundo lugar do país em operação profissional de verdade, e o Paraná cai para uma distância confortável do quarto colocado. É a diferença entre medir espetáculo e medir trabalho.

Cada região trabalha com drone de um jeito
Este é o achado que eu não esperava encontrar. Quando você olha qual é o ramo de atividade dominante em cada estado, o Brasil se divide em blocos bem definidos. Não existe “o mercado de drone brasileiro”: existem quatro mercados diferentes, distribuídos geograficamente.
Repare no caso de Minas Gerais, que é o mais eloquente. O estado é o segundo em número de empresas e o segundo em frota real, e o ramo que domina lá é a aeroinspeção. Isso não é coincidência: Minas concentra mineração, linhas de transmissão e usinas, e essas estruturas precisam ser inspecionadas periodicamente. É o mesmo motivo pelo qual empresas de energia aparecem entre os maiores operadores individuais do país, com frotas na casa das duas centenas de aeronaves.
Já o Centro-Oeste conta outra história. Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul têm menos empresas que o Sul, mas quase toda a operação delas é pulverização agrícola, que é uma atividade regulada à parte, com curso obrigatório e registro específico no Ministério da Agricultura. Quem chega ali com portfólio de fotografia aérea está oferecendo o produto errado.
As cidades que concentram as empresas
Descendo do estado para o município, a concentração fica ainda mais nítida. São Paulo capital sozinha tem 698 empresas de drone, quase o dobro do Rio de Janeiro (357) e de Belo Horizonte (340). Depois vêm Curitiba (234), Brasília (220), Salvador (156), Porto Alegre (149), Goiânia (136) e Recife (131).
Duas observações práticas sobre essa lista. A primeira é que Campinas aparece no top 15 com 89 empresas, o que mostra que o interior paulista tem mercado próprio e não depende da capital. A segunda é que Campo Grande (110) e Cuiabá (99) aparecem à frente de capitais bem mais populosas, e isso é o agro puxando: são cidades onde a operação com drone virou infraestrutura do campo.

O que fazer com esse mapa se você quer trabalhar com drone
O erro mais comum de quem está começando é montar um portfólio genérico e sair oferecendo para qualquer lugar. O mapa mostra por que isso não funciona: o serviço que fecha contrato em Belo Horizonte é diferente do que fecha em Cuiabá.
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Vale reforçar o último ponto, porque ele muda a leitura de tudo. Este mapa cobre o mercado empresarial, que é um quarto dos cadastros. A maioria dos drones do Brasil está registrada em CPF, e aí se misturam o piloto de fim de semana e o profissional que trabalha por conta própria. Se você pretende ser o segundo caso, os posts sobre vínculo e formalização e sobre como precificar o voo importam mais do que o ranking de estados.
A tabela completa: os 27 estados
Abaixo está o levantamento inteiro, para você achar o seu estado. A coluna de frota já está limpa: ela exclui as operações de show de luz, que inflariam o número sem representar trabalho recorrente.
| UF | Empresas | Frota (sem shows) | Ramo dominante |
|---|---|---|---|
| SP | 2.633 | 7.445 | Shows e publicidade aérea |
| MG | 1.472 | 4.524 | Inspeção industrial |
| PR | 855 | 2.707 | Shows e publicidade aérea |
| SC | 723 | 1.970 | Segurança pública |
| RS | 650 | 1.739 | Segurança pública |
| RJ | 637 | 2.100 | Shows e publicidade aérea |
| MT | 532 | 1.308 | Pulverização agrícola |
| BA | 513 | 1.379 | Segurança pública |
| GO | 429 | 1.006 | Pulverização agrícola |
| ES | 426 | 1.296 | Segurança pública |
| PA | 384 | 1.011 | Pulverização agrícola |
| PE | 297 | 684 | Segurança pública |
| MS | 278 | 738 | Pulverização agrícola |
| RO | 261 | 553 | Pulverização agrícola |
| DF | 220 | 1.587 | Fiscalização estatal |
| MA | 217 | 574 | Pulverização agrícola |
| CE | 204 | 476 | Inspeção industrial |
| TO | 147 | 367 | Pulverização agrícola |
| RN | 137 | 418 | Segurança pública |
| AM | 118 | 232 | Segurança pública |
| AL | 96 | 199 | Pulverização agrícola |
| SE | 92 | 235 | Segurança pública |
| PB | 87 | 342 | Segurança pública |
| PI | 73 | 207 | Segurança pública |
| RR | 45 | 131 | Segurança pública |
| AC | 42 | 159 | Segurança pública |
| AP | 33 | 132 | Segurança pública |
Uma leitura que salta aos olhos nessa tabela: o Distrito Federal tem apenas 220 empresas, mas 1.587 aeronaves em operação real, à frente de estados com o dobro ou o triplo de empresas. É o efeito de sediar os órgãos federais de fiscalização, que compram frota grande e concentrada. É um mercado de poucos contratantes e muitos equipamentos, o oposto do perfil pulverizado de São Paulo.
Este mapa é um retrato de uma data. Os mesmos recortes, atualizados a cada nova publicação da ANAC, ficam no Observatório do Drone no Brasil, com a frota por estado, por modelo e por ramo de atividade.
Perguntas frequentes
Qual estado tem mais empresas de drone no Brasil?
São Paulo, com 2.633 empresas com drone cadastrado no SISANT, o equivalente a 22,7% do total nacional. Em seguida vêm Minas Gerais (1.472), Paraná (855), Santa Catarina (723), Rio Grande do Sul (650) e Rio de Janeiro (637).
Onde tem mais trabalho com drone no Brasil?
Depende do tipo de trabalho. Em número absoluto de empresas, São Paulo lidera. Mas se você quer pulverização agrícola, o mercado está no Centro-Oeste e no Norte. Se quer inspeção industrial, Minas Gerais e Ceará. Se quer atuar em segurança pública, o Sul e o Nordeste concentram essa operação. Escolher a região pelo serviço que você quer prestar funciona melhor do que escolher pelo tamanho do estado.
De onde vêm esses números?
Do arquivo público do SISANT, o cadastro de drones da ANAC, na versão de 2 de agosto de 2026, cruzado com a base pública de CNPJ da Receita Federal. O SISANT não informa o estado do operador, então a localização foi obtida consultando o CNPJ de cada empresa. Foram 11.602 empresas localizadas de um total de 11.611, ou 99,9%.
Por que o mapa cobre só empresas e não todos os drones?
Porque o CPF das pessoas físicas aparece mascarado no arquivo público, por proteção de dados, e não permite descobrir a localização. Só o CNPJ é público e completo. Como pessoa jurídica representa 23,7% dos cadastros, o mapa retrata o mercado empresarial, que é onde estão as vagas formais e os contratos mais estruturados.
Por que os shows de drone distorcem o ranking?
Porque uma única empresa de espetáculo pode ter mais de 1.900 drones cadastrados, que são as aeronaves de um mesmo enxame. Isso infla a frota do estado sem representar postos de trabalho equivalentes. Aeropublicidade e aerodemonstração somam 20,1% de toda a frota empresarial do país. Quando essas operações saem da conta, São Paulo perde 38% da frota e o Paraná perde 41%.
Preciso morar em São Paulo para trabalhar com drone?
Não. O mapa mostra concentração de empresas, não exclusividade de mercado. Serviços como inspeção de telhado, levantamento topográfico e cobertura de eventos são prestados localmente em qualquer região, e cidades médias costumam ter menos concorrência. O que muda por região é qual serviço tem demanda, não se existe demanda.
Esses dados mudam com que frequência?
O arquivo do SISANT é atualizado diariamente pela ANAC. Entre 27 de julho e 2 de agosto de 2026 o total nacional saiu de 175.990 para 177.219 cadastros, um ritmo de cerca de 205 novos drones por dia. A distribuição entre estados, porém, muda devagar, porque depende da estrutura econômica de cada região.
Quantos drones existem no Brasil hoje?
São 177.219 cadastros no SISANT em 2 de agosto de 2026, somando pessoa física e jurídica. O detalhamento completo dessa base, com divisão por tipo de uso, fabricante e peso, está no levantamento sobre quantos drones existem no Brasil.
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