
Atualizado em 25/07/2026
A Ilha Grande, em Angra dos Reis, é um dos cenários mais cobiçados do litoral brasileiro: mata atlântica descendo até a água, praias como Lopes Mendes e Aventureiro, e nenhum carro circulando. Só que essa preservação toda tem um motivo, e ele aparece no mapa: a ilha é coberta por áreas protegidas sobrepostas, com regras diferentes em cada trecho, e uma delas proíbe até a visitação comum.
Resposta direta antes do detalhamento: voar drone na Ilha Grande depende do trecho da ilha. A maior parte do território está dentro do Parque Estadual da Ilha Grande, criado em 1971 e administrado pelo INEA, e a ilha ainda abriga a Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul, de 1981, onde a visitação pública é proibida e só entra pesquisa científica autorizada, além da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Aventureiro e da APA dos Tamoios. Some a isso o uso de imagem para fins comerciais em parque estadual, que exige autorização do INEA. Valem também as camadas de sempre: SISANT, SARPAS, RBAC 100 e ANATEL.
As regras que valem em qualquer lugar do Brasil
Para voar drone legalmente em 2026, são quatro camadas: cadastro no SISANT da ANAC, autorização SARPAS do DECEA, os limites do RBAC 100 (até 120 m de altura, em linha de visada e a no mínimo 30 m de pessoas) e a homologação da ANATEL. A grande mudança do ano é que, desde 1 de julho de 2026, o SARPAS passou a ser obrigatório para todo voo a céu aberto, inclusive para drones abaixo de 250 g.
Quatro áreas protegidas na mesma ilha
A Ilha Grande concentra quatro tipos de proteção com regras diferentes. O Parque Estadual da Ilha Grande, de 28 de julho de 1971, é proteção integral e cobre a maior parte da ilha, com gestão do INEA. A Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul, criada em 2 de dezembro de 1981, é o nível mais restritivo do sistema brasileiro: visitação pública vedada, com acesso apenas para pesquisa científica expressamente autorizada. Ainda há a RDS do Aventureiro e a APA dos Tamoios, de uso sustentável.
Para o piloto, a leitura prática é esta: quanto mais restritiva a categoria, menos espaço para improviso. Em reserva biológica não existe turismo, então levantar drone sobre a Praia do Sul para fazer imagem é forçar a barreira de uma área onde nem caminhar é permitido. Já no parque estadual, a visitação existe e é incentivada, mas as regras de uso de imagem valem: filmagem com fim comercial em parque estadual do Rio de Janeiro precisa de autorização do INEA, e o registro pessoal de viagem não se confunde com produção comercial.
Tem ainda o fator tráfego aéreo, que muita gente esquece. A Baía da Ilha Grande tem circulação intensa de helicópteros e o Aeroporto de Angra dos Reis, no bairro da Japuíba, opera aeronaves de pequeno porte e helicópteros com movimento forte no verão. Isso torna o SARPAS ainda mais essencial e recomenda voo baixo, sempre em linha de visada, com atenção redobrada ao som de rotor se aproximando. E, como a ilha não tem carros, considere que todo o deslocamento é a pé ou de barco: leve bateria de sobra e planeje o retorno.

Onde pode e onde não pode na Ilha Grande
A regra prática na Ilha Grande é simples: com SARPAS aprovado, mantenha altura, fique longe das pessoas e respeite as áreas protegidas. O mapa abaixo resume as três situações que você vai encontrar.
Os melhores pontos para voar com responsabilidade
Na prática de aerocinematografia, os melhores pontos combinam boa luz, pouca gente no quadro e áreas fora das zonas mais restritas. Estes são os que mais rendem na Ilha Grande, sempre com a autorização em dia:
- Enseada da Vila do Abraão vista do alto: o casario, o píer e os barcos ancorados, cedo, antes da chegada das escunas.
- Lopes Mendes, com a praia vazia: a faixa longa de areia branca rende planos altos excelentes fora do pico de visitação.
- Costões e ilhas menores da baía: pontos com pouca gente, onde é fácil manter a distância mínima das pessoas.
- Mirantes das trilhas, respeitando a regra do parque: a vista da mata atlântica descendo até o mar mostra a dimensão real da ilha.

Checklist antes de decolar
Antes de cada voo na Ilha Grande, rode esta lista rápida. Ela cobre as quatro camadas de regra e o cuidado específico do destino, e leva menos de um minuto.
- Drone cadastrado no SISANT (ANAC)
- SARPAS aprovado para o dia e o local
- Uso comercial: autorização do INEA
- Nunca voar sobre a Reserva da Praia do Sul
- Atenção a helicópteros e barcos na baía
Perguntas frequentes
Pode voar drone na Ilha Grande?
Pode, dependendo do trecho e com SARPAS aprovado. A maior parte da ilha é Parque Estadual da Ilha Grande, com gestão do INEA, e existem áreas mais restritivas, como a Reserva Biológica da Praia do Sul, onde a visitação pública é proibida.
Pode voar drone em Lopes Mendes?
É possível voar com SARPAS aprovado e mantendo a distância mínima das pessoas, mas Lopes Mendes é uma das praias mais visitadas da ilha. Com a areia cheia fica difícil respeitar os 30 metros de pessoas não envolvidas, então cedo é sempre melhor.
Precisa de autorização do INEA para filmar na Ilha Grande?
Para filmagem com fim comercial em parques estaduais do Rio de Janeiro, sim, o uso de imagem exige autorização do órgão. O registro pessoal de viagem é diferente de produção comercial, mas em caso de dúvida vale consultar o INEA antes.
Pode voar drone na Praia do Sul e no Aventureiro?
A Praia do Sul integra uma reserva biológica com visitação pública proibida, então não é área de voo turístico. O Aventureiro fica em Reserva de Desenvolvimento Sustentável, categoria de uso sustentável, com regras próprias que devem ser confirmadas com o gestor.
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Tem aeroporto perto da Ilha Grande?
O Aeroporto de Angra dos Reis fica no continente, no bairro da Japuíba, e opera aeronaves de pequeno porte e helicópteros, com movimento intenso no verão. A Baía da Ilha Grande tem tráfego frequente de helicóptero, o que reforça a necessidade de SARPAS e de voo em linha de visada.
Precisa de SARPAS na Ilha Grande?
Precisa. Desde 1 de julho de 2026, todo voo a céu aberto exige a autorização SARPAS do DECEA, inclusive para drones abaixo de 250 gramas, além do cadastro do equipamento no SISANT da ANAC.
Dá para carregar o drone na ilha sem carro?
Dá, e é a única opção. O trânsito de veículos particulares não é permitido na área do parque, e o deslocamento é a pé pelas trilhas ou de barco, o que pede mochila leve, baterias extras e planejamento do ponto de decolagem.
Qual a melhor época para voar drone na Ilha Grande?
Fora do pico do verão o cenário é mais tranquilo, com praias menos cheias e mais facilidade para manter a distância das pessoas. O começo da manhã é o melhor horário em qualquer época, com vento mais fraco e luz baixa sobre a mata.
Vale a pena planejar antes
A Ilha Grande recompensa quem lê o mapa antes de decolar: em área de visitação, com SARPAS aprovado e praia vazia, as imagens são das melhores do litoral do Rio. Em reserva biológica, a resposta é simplesmente não, e respeitar isso é o que mantém o lugar como ele é. Se você quer entender de vez o espaço aéreo, o guia completo da ICA 100-40 reúne o que mudou em 2026. E para treinar para a avaliação teórica da ANAC, vale o simulado de drone.
Leituras relacionadas para aprofundamento
Veja os pontos icônicos do estado em o guia de drone no Rio de Janeiro.
Outra ilha com regras próprias é Ilhabela, com parque estadual em quase toda a área.
Veja a regra geral de praia em o guia de drone na praia.
Veja também os melhores destinos do Brasil para voar drone.
Fontes oficiais consultadas
- INEA, Parque Estadual da Ilha Grande (criado em 28 de julho de 1971) e Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul (Decreto 4.972, de 2 de dezembro de 1981, visitação pública vedada).
- INEA, regras de uso de imagem para fins comerciais em parques estaduais do Rio de Janeiro.
- DECEA, ICA 100-40 (SARPAS obrigatório para todo voo desde 1 de julho de 2026).
- ANAC, RBAC 100 (cadastro SISANT, 120 m de altura, 30 m de pessoas).
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