PMD é a sigla mais relevante na regulamentação brasileira de drones, e poucos operadores entendem com precisão o que ela significa. Peso Máximo de Decolagem é o parâmetro técnico que ajuda a enquadrar o drone para fins de cadastro SISANT e operação. Atenção: o RBAC nº 100 da ANAC (em vigor desde 16 de junho de 2026, Resolução ANAC nº 805/2026) não classifica drones em “Classe 1/2/3 por peso”; essa divisão é terminologia histórica do antigo RBAC-E nº 94 (revogado). O RBAC 100 usa categorias de operação por risco (Aberta, Específica e Certificada, conforme 100.5) e isenta UA com peso em voo até 250 g operando até 120 m AGL em VLOS/EVLOS (100.1(e)). E aqui está a nuance que pega muito piloto: o peso relevante é o peso em voo, e acessórios instalados (como uma bateria de maior capacidade) somam ao peso e podem empurrar o drone para acima de 250 g. Esse guia organiza, com base na ICA 100-40 do DECEA e no RBAC nº 100 da ANAC, o que é PMD, como conferir o peso do seu drone na configuração em que ele voa, e os casos clássicos onde o operador acreditava estar abaixo de 250 g e estava acima.
Resposta direta antes do detalhamento: PMD é o peso máximo que a aeronave pode ter para decolar e voar com segurança (ICA 100-40, art. 7º, XLIX). Já a dispensa do RBAC 100 é definida pelo peso em voo de até 250 g (100.1(e)). Exemplo com números das fichas oficiais da DJI: o Mini 3 pesa 248 g, mas com a bateria Plus o conjunto vai a cerca de 290 g. Nessa configuração o peso em voo passa de 250 g, a operação perde a dispensa do sub-250 g e o cadastro no SISANT passa a ser obrigatório.
O que é PMD (definição técnica)
PMD é o Peso Máximo de Decolagem, ou em inglês MTOW (Maximum Take-Off Weight). A ICA 100-40 (DECEA, em vigor desde 1º/07/2026) o define, no art. 7º, inciso XLIX, como “o peso máximo que uma UA pode ter para ser capaz de decolar e realizar um voo com segurança”. Para calcular o PMD, o art. 55, §3º manda incluir o combustível, as cargas, os equipamentos transportados e os acessórios.
Na prática, o número que importa é o do drone na configuração em que ele voa, e não só o “peso de catálogo” do modelo base. Entram na conta:
Estrutura da aeronave (chassi, hélices, motores).
Bateria instalada.
Câmera e gimbal.
Acessórios instalados (por exemplo, protetor de hélices ou uma bateria de maior capacidade).
Cargas e equipamentos transportados (no caso de drones com payload).
Para o limite de 250 g, o RBAC 100 usa o termo peso em voo (100.1(e)). O RBAC 100 não detalha o que entra nessa conta além do termo “peso em voo”: o critério é o drone na configuração em que ele decola, com a bateria e os acessórios instalados. Em caso de dúvida, pese o conjunto pronto para voar e confirme com a ANAC.
A pegadinha dos 250g: o caso clássico
O caso clássico é o do drone que “pesa menos de 250 g” no catálogo. A ficha oficial do DJI Mini 3 informa 248 g, e a mesma ficha informa cerca de 290 g com a bateria Plus. O operador acredita que está no regime simplificado do sub-250 g, e só está se o drone realmente voar abaixo de 250 g.
Com a bateria Plus (Mini 3 e Mini 3 Pro nas fichas oficiais):
o peso em voo passa de 250 g (cerca de 290 g);
a dispensa do RBAC 100 para até 250 g (100.1(e)) deixa de valer;
o cadastro no SISANT passa a ser obrigatório (100.301(b), e Res. ANAC 806, art. 24, para aeromodelo recreativo);
na operação não recreativa, valem as regras do RBAC 100, como o seguro de danos a terceiros (100.37) e a avaliação teórica do piloto (100.13(b), cobrada a partir de 1º/01/2027).
O inverso também vale: o que conta é o peso em voo na configuração em que o drone decola. Para a ficha do Mini 4 Pro, por exemplo, o peso informado é de menos de 249 g, e a ficha registra que, com a bateria Plus, o peso passa de 249 g.
O que muda acima e abaixo de 250 g
O RBAC nº 100 vigente não usa “classes” por peso (a divisão em Classe 1, 2 e 3 vem do antigo RBAC-E nº 94, revogado). O enquadramento depende do peso em voo e do tipo de operação. Resumo conforme as normas lidas:
Situação
Cadastro no SISANT
Seguro de danos a terceiros
Exame teórico da ANAC
Peso em voo até 250 g, até 120 m AGL, VLOS/EVLOS
Dispensado pelo RBAC 100 (100.1(e)); o SARPAS só enxerga aeronave sincronizada do SISANT (ICA, art. 53)
Dispensado (Res. 806, art. 29)
Não se aplica
Aeromodelo recreativo acima de 250 g, até 120 m AGL
Obrigatório (Res. 806, art. 24)
Dispensado (Res. 806, art. 29)
Não se aplica (100.1(d))
Operação não recreativa acima de 250 g, até 25 kg (categoria aberta)
Obrigatório (100.301(b))
Obrigatório (100.37), salvo as exceções da própria seção
Exigido (100.13(b)); cobrança a partir de 1º/01/2027
Acima de 25 kg
Obrigatório (100.301(b))
Obrigatório (100.37), salvo as exceções da própria seção
Exigido (100.13(b)); a operação é na categoria específica, com autorização da ANAC (100.5(a)(2))
No espaço aéreo, a regra do DECEA vale para qualquer peso: a ICA 100-40 exige solicitação no SARPAS inclusive para UA com PMD até 250 g (art. 19, §4º). A única dispensa é a operação recreativa realizada em EAC destinado à recreação (art. 55, §2º).
Drones DJI populares e seus pesos oficiais
Drone
Peso de decolagem (ficha oficial)
Leitura
DJI Mini 4 Pro
menos de 249 g
Com a bateria Plus o peso passa de 249 g
DJI Mini 5 Pro
249,9 g (±4 g)
No limite; com a bateria Plus, some o peso do conjunto
DJI Mini 3
248 g
Cerca de 290 g com a bateria Plus
DJI Mini 3 Pro
menos de 249 g
Cerca de 290 g com a bateria Plus
DJI Mini 4K
246 g
Abaixo de 250 g
DJI Lito 1 e Lito X1
cerca de 249 g na configuração padrão
Com a bateria Plus ou os protetores o peso passa de 249 g (ficha)
DJI Neo
135 g
Abaixo de 250 g
DJI Neo 2
151 g (160 g com o transmissor digital opcional)
Abaixo de 250 g
DJI Air 3S
724 g
Acima de 250 g
DJI Mavic 3 Pro
958 g (963 g na versão Cine)
Acima de 250 g
DJI Mavic 4 Pro
1.063 g
Acima de 250 g
DJI Matrice 30T
3.770 g (com duas baterias, ±10 g)
Peso máximo de decolagem de 4.069 g
DJI Matrice 350 RTK
6.470 g (aprox., com duas baterias TB65 e o gimbal inferior)
Peso máximo de decolagem de 9,2 kg
DJI Agras T50
52 kg com bateria (39,9 kg sem bateria)
Peso máximo de decolagem para pulverização de 92 kg; acima de 25 kg
Quais DJI ficam abaixo de 250 g
Pelas fichas oficiais da DJI, vários modelos ficam abaixo de 250 g na configuração padrão: o DJI Neo (135 g), o Neo 2 (151 g), o Mini 2 SE (246 g), o Mini 4K (246 g), o Mini 3 (248 g) e o Lito 1 e o Lito X1 (cerca de 249 g), além de Mini 3 Pro, Mini 4 Pro e Flip (menos de 249 g) e do Mini 5 Pro (249,9 g, com tolerância de ±4 g, ou seja, no limite).
O que muda a conta é o acessório: o Mini 3 e o Mini 3 Pro vão a cerca de 290 g com a bateria Plus, e a ficha do Mini 4 Pro registra que, com a bateria Plus, o peso passa de 249 g. Nessas configurações a operação perde a dispensa do sub-250 g (100.1(e)) e passa a exigir cadastro no SISANT e, no uso não recreativo, as regras do RBAC 100, como o exame teórico do piloto (cobrado a partir de 1º/01/2027). Importante separar os órgãos: pela ANAC, o sub-250 g (até 120 m, VLOS/EVLOS) segue dispensado/simplificado; o “aperto” do espaço aéreo vem do DECEA (ICA 100-40, a partir de 1º/07/2026), não da ANAC.
Como conferir o peso em voo do seu drone
Passo 1: peso base do drone
Pegue o peso de decolagem na ficha oficial do fabricante (no caso da DJI, a página de especificações do modelo). Inclui chassi, hélices, bateria padrão e câmera/gimbal integrado.
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Bateria de maior capacidade, se usada (a bateria “Plus” do Mini 3, do Mini 3 Pro e do Mini 4 Pro).
Passo 3: some o peso de cada acessório
Consulte a página de especificações de cada acessório no site oficial da DJI e anote o peso individual. Se o resultado ficar perto de 250 g, pese o conjunto pronto para voar em uma balança de precisão.
Passo 4: considere a bateria que você realmente usa
Modelos com opção de bateria de maior capacidade (a Plus do Mini 3, por exemplo) pesam mais com ela: o Mini 3 vai de 248 g para cerca de 290 g nas fichas oficiais. Quem voa com a bateria Plus deve usar o peso do conjunto.
Passo 5: compare com os limites
Compare o peso em voo com os limites de 250 g (100.1(e)) e de 25 kg (categoria aberta, 100.5(a)(1)(i)). Esse é o número que enquadra a sua operação.
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Mini 3 com bateria estendida (Plus): cerca de 290 g (ficha oficial).
Mini 3 Pro com bateria padrão: menos de 249 g (ficha oficial).
Mini 3 Pro com bateria estendida: cerca de 290 g (ficha oficial).
Com a bateria padrão, o drone voa abaixo de 250 g. Quem troca para a bateria estendida voa com cerca de 290 g e, nessa configuração, perde a dispensa do sub-250 g (100.1(e)), com cadastro obrigatório no SISANT. O que vale é a configuração em que o drone está voando.
Implicações práticas de voar acima de 250 g
Quando o peso em voo passa de 250 g:
Cadastro no SISANT obrigatório, para uso recreativo (Res. ANAC 806, art. 24) ou não recreativo (RBAC 100, 100.301(b)).
SARPAS para todo voo (ICA 100-40, art. 19), com a única dispensa da recreação em EAC destinado à recreação (art. 55, §2º).
Seguro de danos a terceiros para a operação sob o RBAC 100 (100.37), com as exceções previstas na própria seção; o aeromodelo recreativo está dispensado (Res. 806, art. 29).
Distância mínima de 30 m de pessoas não envolvidas e não anuentes na categoria aberta (100.3), salvo barreira mecânica suficientemente forte.
Acima de 250 g de peso em voo, o aeromodelo recreativo precisa estar cadastrado na ANAC (Res. 806, art. 24). No espaço aéreo, vale a ICA 100-40:
Cadastre o drone no SISANT: é obrigatório acima de 250 g e é o que sincroniza a aeronave com o SARPAS (art. 53).
Solicite o voo no SARPAS, exceto em EAC destinado à recreação (art. 55, §2º).
Respeite os limites da operação recreativa: 60 m de altura e 300 m de distância horizontal (art. 32).
Respeite FRZ e demais zonas restritas.
Para uso comercial
Na operação não recreativa acima de 250 g:
Cadastro no SISANT (100.301).
SARPAS para todo voo (ICA 100-40, art. 19).
Seguro de danos a terceiros (100.37), salvo as exceções da própria seção.
Avaliação teórica da ANAC (100.13(b)), cobrada a partir de 1º/01/2027.
Perguntas frequentes
Se eu não usar o protetor de hélices, o Mini 4 Pro continua abaixo de 250 g?
O critério do RBAC 100 é o peso em voo (100.1(e)), ou seja, o drone na configuração em que ele voa. A ICA 100-40 manda incluir os acessórios no cálculo do PMD (art. 55, §3º). Nenhum dos dois textos fala em somar acessórios que não estão instalados. A ficha oficial do Mini 4 Pro informa menos de 249 g e registra que, com a bateria Plus, o peso passa de 249 g. Se o resultado ficar perto de 250 g, pese o conjunto.
O peso de uma câmera externa adicional conta?
Conta se ela estiver instalada no voo. O peso em voo inclui o que o drone carrega, e a ICA 100-40 manda incluir cargas, equipamentos transportados e acessórios no cálculo do PMD (art. 55, §3º). Os textos não distinguem acessório do fabricante de acessório de terceiros.
E baterias que pesam mais que a original?
Conta a bateria que está instalada no voo, de qualquer origem. O que vale é o peso real em voo.
Drone agrícola com tanque vazio entra em qual regime?
A ICA 100-40 manda incluir as cargas no cálculo do PMD (art. 55, §3º). A ficha oficial do DJI Agras T50 informa 52 kg com bateria (39,9 kg sem bateria) e peso máximo de decolagem para pulverização de 92 kg. Em qualquer dessas configurações o drone passa de 25 kg, e PMD maior que 25 kg é requisito de análise da categoria específica (ICA 100-40, art. 40, inciso I).
Posso tirar acessórios para ficar abaixo de 250 g?
Pode, desde que o peso em voo daquele voo fique em até 250 g (100.1(e)). O que vale é o drone na configuração em que ele decola. Confira a conta com a balança antes de voar.
Como provo o peso do meu drone?
Com a documentação oficial do fabricante (a ficha técnica ou a página de especificações do modelo). Se o peso estiver no limite, pese o conjunto em uma balança de precisão.
Drone caseiro (não comercial) tem PMD?
Tem peso em voo como qualquer drone, e o critério é o mesmo: pese o conjunto pronto para voar em uma balança de precisão e compare com os limites de 250 g e de 25 kg.
Existe drone DJI que passa de 250 g só com a bateria estendida?
Sim. Pelas fichas oficiais, o Mini 3 e o Mini 3 Pro vão a cerca de 290 g com a bateria Plus, e a ficha do Mini 4 Pro registra que, com a Plus, o peso passa de 249 g. No Mini 5 Pro (249,9 g, ±4 g), some o peso do conjunto antes de decidir.
PMD é a fronteira regulatória que o operador precisa dominar
Em 2026, conferir o peso do drone na configuração em que ele voa virou conhecimento básico para o operador. A pegadinha dos 250 g é real: quem voa o Mini 3 com a bateria Plus, por exemplo, está acima do limite mesmo que o catálogo diga 248 g.
Para manter a operação dentro da dispensa do sub-250 g, a regra é simples: confira o peso em voo de cada configuração que você usa. Pelas fichas oficiais, Neo (135 g), Neo 2 (151 g), Mini 2 SE (246 g) e Mini 3 (248 g) ficam abaixo de 250 g na configuração padrão, e Mini 3 Pro, Mini 4 Pro e Flip têm menos de 249 g. Entram nessa lista também o Mini 4K (246 g) e o Lito 1 e o Lito X1 (cerca de 249 g, e a ficha registra que com a bateria Plus ou com os protetores o peso passa de 249 g). Para os modelos acima de 250 g (Air, Mavic, Matrice, Agras, Avata), valem o cadastro no SISANT, o SARPAS e, na operação não recreativa, o regime do RBAC 100, com seguro de danos a terceiros quando exigido; confira a ficha do seu modelo. A diferença operacional não é tão dramática quanto parece, e apenas exige planejamento e documentação prévia.
Para mapear em detalhe o ecossistema regulatório completo, vale consultar o conteúdo organizado em drone.irlenmenezes.com.br. Para começar pela estrutura completa do regime regulatório, vale conferir o guia completo da ICA 100-40.
Irlen Menezes é piloto de drone registrado no SISANT (ANAC) e operador profissional de aerofotografia e aerocinematografia no Rio de Janeiro. Com mais de 17 anos de experiência em tecnologia e desenvolvimento, criou os geradores gratuitos de selo ANATEL e SISANT usados pela comunidade de droneiros do Brasil. No irlenmenezes.com.br, traduz a regulamentação brasileira de drones (ANAC, DECEA, ANATEL e MAPA), incluindo a nova ICA 100-40, em guias práticos baseados em fontes oficiais e na experiência de quem voa de verdade.