
Atualizado em 19/08/2026
Quem precisa voar perto de um aeródromo esbarra sempre no mesmo obstáculo: descobrir com quem falar e montar o Termo de Coordenação. É nessa dor que o DroneCoord se posiciona, prometendo contato de aeródromo e documento pronto em minutos. Testei as páginas públicas da plataforma em 19 de agosto de 2026 para separar o que ela entrega do que ela promete, e para responder a pergunta que ninguém responde: dá para fazer o mesmo de graça?
Resposta direta antes do detalhamento: o DroneCoord é uma plataforma privada brasileira, não é do DECEA e não substitui o SARPAS. Ela reúne dados públicos do AISWEB por aeródromo, incluindo raio de FRZ por altura de voo, METAR, TAF, NOTAM e contatos institucionais, e vende, por créditos, a geração de Termo de Coordenação, análise de risco e plano de voo, além de um recurso que busca o telefone do administrador do aeródromo. A consulta por aeródromo é aberta e útil; contatos da comunidade e geração de documento exigem conta. A conta gratuita vem com 3 créditos e a tabela de preços não é pública: a página de preços redireciona para o login, o que confirmei em 19/08/2026. Vale para quem coordena com muitos aeródromos; para o piloto ocasional, o caminho gratuito do DECEA resolve.
O que é o DroneCoord (e o que ele não é)
A confusão mais comum aparece já no primeiro contato: por reunir dado oficial e falar a língua da norma, a plataforma passa a impressão de ser um canal do governo. Não é. Trata-se de um serviço privado que consome camadas públicas do AISWEB e organiza tudo em uma interface própria, com um modelo de negócio por créditos.

O que a parte pública entrega de graça
Esta é a melhor parte do serviço e não custa nada. Cada aeródromo tem uma página aberta com informação consolidada. Na página do Santos Dumont, por exemplo, encontrei em 19 de agosto de 2026 o seguinte conjunto:
- Raio de FRZ por altura de voo: 3,55 km para até 30 m AGL, 4,48 km para até 60 m, 5,40 km para até 90 m e 6,3 km para até 120 m, com a observação de que o valor varia por aeródromo.
- METAR e TAF atualizados, com vento, visibilidade, temperatura e pressão, creditados ao AISWEB e ao DECEA.
- NOTAM ativos, no caso 36 avisos, incluindo obstáculos móveis e áreas com atividade de aeronaves não tripuladas já publicada.
- Contatos institucionais publicados pelo DECEA, com telefones de operações, coordenação e do centro regional responsável.
- Restrições do AIP e do ROTAER, incluindo obstáculos próximos às cabeceiras e limitações de horário.

O que fica atrás do login
Três coisas exigem conta, e é aí que o modelo de negócio aparece:
| Recurso | O que promete | Como acessa |
|---|---|---|
| Contatos da comunidade | Telefone e e-mail enviados por outros operadores | Login obrigatório |
| Contato Mágico com IA | Cruzar coordenadas com fontes públicas para achar o telefone da administração | Login e créditos |
| Termo de Coordenação em PDF | Documento com assinatura digital citando a Lei 14.063/2020 | Créditos |
| Análise de risco e plano de voo | Documentos operacionais complementares | Créditos |
| Verificação pública | Página de verificação do documento gerado | Aberta, com o código do documento |
O recurso de busca de telefone tem um argumento real por trás: aeródromo instalado em shopping, hospital, hotel ou prédio corporativo, especialmente heliponto, quase nunca publica contato no AISWEB, e é justamente onde o piloto trava. A plataforma promete resolver cruzando a coordenada oficial com fontes públicas de localização.
Quanto custa: o que dá para afirmar
Aqui a transparência é menor do que deveria. A conta gratuita vem com 3 créditos, informação exibida na página de entrada. A tabela de valores, porém, não está pública: ao abrir o endereço de preços em 19 de agosto de 2026, fui redirecionado para a tela de login. Ou seja, para saber quanto custa cada documento é preciso criar conta antes.
Não vejo problema em cobrar por conveniência, e três créditos gratuitos são suficientes para testar. O ponto de crítica é outro: preço fechado atrás de login é fricção desnecessária para quem só quer saber se vale a pena antes de entregar o e-mail.
O ponto de atenção que encontrei no texto da plataforma
Ao ler as descrições dos documentos, apareceu uma referência que merece cuidado: a análise de risco é apresentada como sendo conforme a RBAC-E 94. Esse regulamento foi substituído pelo RBAC nº 100, aprovado pela Resolução ANAC nº 805 e em vigor desde 16 de junho de 2026, que trocou a antiga classificação por peso, aquela das Classes 1, 2 e 3, por categorias baseadas em risco: aberta, específica e certificada.
Vale dizer o outro lado: a mesma plataforma exibe um aviso claro de que não garante a exatidão dos dados e recomenda consultar as publicações oficiais do DECEA e o SARPAS antes de operar. É a postura correta, e é exatamente assim que uma ferramenta de apoio deve ser tratada. Para entender as categorias atuais, vale o guia sobre categoria aberta, específica ou certificada.
A rota gratuita: como fazer o mesmo sem pagar
Antes de comprar crédito, saiba que o DECEA publica o modelo oficial do documento e todas as informações aeronáuticas necessárias. O caminho completo sem custo é este:
O modelo oficial está no portal de drones do DECEA, em Modelo de Termo de Coordenação para Operações UAS. O passo a passo completo, com o que o documento precisa conter e os erros que derrubam o pedido, está em como fazer o Termo de Coordenação. E a solicitação em si segue pelo SARPAS NG, detalhada em SARPAS passo a passo.

Para quem vale e para quem não vale
Resumindo o veredito: a consulta pública por aeródromo é boa e gratuita, e vale estar nos seus favoritos. A parte paga faz sentido para quem coordena com muitos aeródromos diferentes e cobra por isso, onde meia hora economizada por operação já paga o crédito. Para o piloto que voa no mesmo lugar, o modelo oficial do DECEA e um telefonema resolvem, com a vantagem de você conhecer o processo de verdade.
Perguntas frequentes
O DroneCoord é do DECEA?
Não. É uma plataforma privada que consome dados públicos do AISWEB e do DECEA e os organiza em uma interface própria. A própria plataforma avisa que não garante a exatidão dos dados e recomenda consultar as publicações oficiais antes de operar.
O DroneCoord substitui o SARPAS?
Não. A autorização de acesso ao espaço aéreo continua saindo exclusivamente do SARPAS NG, sistema oficial do DECEA. A plataforma ajuda a montar documentos e a encontrar contatos, o que é uma etapa anterior à solicitação.
Quanto custa o DroneCoord?
A conta gratuita inclui 3 créditos. O valor de cada crédito não é publicado abertamente: em 19 de agosto de 2026, a página de preços redirecionava para a tela de login, então é preciso criar conta para ver a tabela.
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Dá para usar sem criar conta?
Dá, em parte. As páginas por aeródromo são abertas e trazem raio de FRZ por altura, METAR, TAF, NOTAM, frequências, pistas e contatos institucionais publicados pelo DECEA. Contatos da comunidade e geração de documentos exigem login.
O Termo de Coordenação gerado pela plataforma é válido?
O que dá validade ao Termo de Coordenação é o conteúdo correto e a coordenação efetiva com o órgão ATS local ou com o operador do aeródromo, não a ferramenta que o gerou. Você pode produzir o mesmo documento a partir do modelo oficial que o DECEA publica gratuitamente.
Existe modelo oficial e gratuito de Termo de Coordenação?
Sim. O DECEA publica no portal de drones o arquivo Modelo de Termo de Coordenação para Operações UAS, em formato .docx, para download livre.
Onde encontro o telefone de um aeródromo sem pagar?
Na ficha do aeródromo no AISWEB, portal oficial de informação aeronáutica do DECEA, que traz contatos institucionais e dados operacionais. Em aeródromos instalados dentro de outros empreendimentos, como helipontos de prédios e hospitais, esse contato costuma faltar, e aí a busca dá mais trabalho.
O raio da FRZ é o mesmo para todo aeródromo?
Não. Ele varia conforme o aeródromo e conforme a altura pretendida do voo: quanto mais baixo o voo, menor o raio exigido. Em um aeródromo, o raio para até 120 metros pode passar de 6 km, enquanto em outro fica em torno de 3,6 km.
A plataforma tem dados de quantos aeródromos?
A página inicial informa mais de 3.200 aeródromos e helipontos mapeados, com dados sincronizados a partir do AISWEB.
A análise de risco gerada serve para a ANAC?
Confira a norma citada no documento antes de usar. O material da plataforma menciona a RBAC-E 94, que foi substituída pelo RBAC 100, em vigor desde 16 de junho de 2026. Documento que fala em Classe 1, 2 ou 3 usa vocabulário revogado; o atual é categoria aberta, específica ou certificada.
Vale a pena para quem voa uma vez por mês?
Provavelmente não. Para uso ocasional, o modelo oficial gratuito do DECEA mais uma ligação para o aeródromo resolvem, e você aprende o processo. O ganho aparece para quem coordena com muitos aeródromos diferentes e cobra pelo serviço.
Meus dados de voo ficam públicos ao usar a plataforma?
A plataforma declara criptografia e conformidade com a LGPD, e mantém uma base colaborativa de contatos alimentada por operadores. Como em qualquer serviço privado, vale ler a política de privacidade e decidir o que compartilhar, principalmente em operação sensível.
Conclusão
O DroneCoord acerta ao atacar uma dor real: achar com quem falar e montar o documento quando a operação encosta na FRZ de um aeródromo. A camada pública é boa o suficiente para entrar nos favoritos de qualquer piloto, e três créditos grátis dão para testar a parte paga sem compromisso. O que ele não é, e nem promete ser, é substituto do SARPAS ou do contato com o órgão que efetivamente coordena o seu voo.
Antes de decidir, vale ler o guia completo da ICA 100-40 e o material sobre as regras do espaço aéreo brasileiro para drones, porque entender a norma é o que permite avaliar qualquer ferramenta que se proponha a cumpri-la por você.
Este review foi feito a partir das páginas públicas da plataforma em 19 de agosto de 2026, sem conta e sem consumo de créditos. Não há qualquer relação comercial entre este blog e o DroneCoord, e nenhum link deste texto é patrocinado.
Leituras relacionadas para aprofundamento
- Coordenação e FRZ: como fazer o Termo de Coordenação, drone perto de aeroporto e os contatos que a ICA 100-40 exige.
- Autorização de voo: SARPAS passo a passo, as 12 causas de reprovação no SARPAS e código SARPAS NG.
- Ferramentas e norma: os apps que o piloto brasileiro usa, categorias do RBAC 100 e o que o SARPAS Lite mostra.
Fontes consultadas
- DroneCoord e página pública do aeródromo Santos Dumont na plataforma, consultadas em 19/08/2026.
- ICA 100-40 (DECEA), Portaria nº 2.094/DNOR8, de 18/03/2026, Art. 28, que torna obrigatória a apresentação do Termo de Coordenação em interseção com FRZ.
- Modelo de Termo de Coordenação para Operações UAS (DECEA), download gratuito.
- Portal de drones do DECEA, com tutoriais, cartilha e formulários oficiais.
- AISWEB (DECEA), fonte primária dos dados de aeródromo, NOTAM e meteorologia.
- RBAC nº 100 (ANAC), que substituiu o RBAC-E 94 e criou as categorias por risco.
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