
Atualizado em 20/08/2026
Enquanto a conversa pública gira em torno de qual Mini comprar, existe uma frota silenciosa trabalhando: a linha Matrice, a família enterprise da DJI. Ela não aparece em review de YouTube nem em promoção de marketplace, mas está mapeando obra, inspecionando linha de transmissão e sobrevoando ocorrência policial. Baixei a base de cadastros da ANAC e fui atrás de números concretos: quantas existem, quem são os donos e para que elas realmente servem no Brasil.
Resposta direta antes do detalhamento: a base do SISANT de 4 de agosto de 2026 tinha 177.631 aeronaves cadastradas, das quais 4.671 são da linha Matrice, ou seja, 2,63% da frota. O que muda tudo é o perfil do dono: 67,9% dos Matrice estão em CNPJ, contra 23,6% da frota brasileira inteira. É quase três vezes mais empresarial que a média. O uso declarado se concentra em aerolevantamento e aerofotogrametria (27,7%), aeroinspeção (19,1%), segurança pública e defesa civil (17,9%) e aerofotografia (12,8%). E a linha está encolhendo de tamanho: a série Matrice 4, que pesa cerca de 1,2 kg, já responde por 39,7% de todos os Matrice cadastrados, à frente do Matrice 30, do 300 RTK e do 350 RTK.
O número que separa o hobby do trabalho
Um cadastro no SISANT não diz quanto custou o drone nem quanto ele fatura, mas diz duas coisas preciosas: quem é o responsável e para que ele declarou usar a aeronave. Quando você cruza esses dois campos com o modelo, a linha Matrice se separa do resto da frota de forma gritante.
Na frota geral, três de cada quatro cadastros estão em CPF. Entre os Matrice, a conta se inverte: dois de cada três estão em CNPJ. Traduzindo, Matrice é ferramenta de trabalho, não brinquedo caro. E, mesmo entre os 32,1% em CPF, boa parte declara uso profissional, o que costuma ser o autônomo que ainda não abriu empresa.
Para que serve na prática: o que os donos declaram
O campo de ramo de atividade é preenchido pelo próprio operador no cadastro, e é a melhor fotografia disponível do uso real. Entre os Matrice, quatro atividades concentram quase 78% de tudo:
Duas leituras saltam dos números. A primeira é que Matrice é, antes de tudo, um drone de medição: aerolevantamento e aeroinspeção somam 46,8%, e essas duas palavras significam entregar dado técnico, não vídeo bonito. A segunda é o peso do setor público: segurança pública e defesa civil respondem por 836 aeronaves, quase uma em cada cinco.
Quem quer entrar nesse mercado encontra o caminho detalhado nos guias sobre inspeção de linhas de transmissão, topografia e mapeamento e drone no serviço público.

A surpresa: a linha enterprise está encolhendo de tamanho
Se você imagina Matrice como aquele hexacóptero enorme de 6 kg, os dados dizem outra coisa. A geração mais nova, a série Matrice 4, é de longe a mais cadastrada, e ela pesa cerca de 1,2 kg. Segundo as especificações oficiais da DJI, o peso de decolagem do Matrice 4E e do 4T é de 1.219 g com hélices padrão, com autonomia máxima de 49 minutos e resistência de vento de 12 m/s.
| Família | Cadastros | Participação | O que ela representa |
|---|---|---|---|
| Matrice 4 (4, 4E, 4T, 4TD) | 1.856 | 39,7% | Geração nova, cerca de 1,2 kg, mais barata de operar |
| Matrice 30 (M30 e M30T) | 727 | 15,6% | Compacto dobrável com câmera térmica, favorito da segurança pública |
| Matrice 300 RTK | 679 | 14,5% | O cavalo de batalha da inspeção industrial |
| Matrice 350 RTK | 647 | 13,9% | Sucessor do 300, ainda em plena expansão |
| Matrice 600 Pro | 330 | 7,1% | Hexacóptero antigo de carga, legado no cinema e na pesquisa |
| Matrice 400 | 202 | 4,3% | Lançamento recente, ainda entrando na frota |
| Matrice 200 e 210 | 207 | 4,4% | Geração aposentada, mantida por quem já tinha payload |
O recado é econômico, não técnico: a empresa está trocando o drone grande pelo drone que faz quase o mesmo trabalho com um terço do peso, menos logística e menos exigência regulatória. O peso mediano declarado na frota Matrice é de 4 kg, e 55% dos registros estão em até 4 kg.
Quem são os maiores operadores
São 2.612 operadores diferentes com pelo menos um Matrice cadastrado, e a concentração é baixa: os dez maiores somam 511 aeronaves, ou seja, 10,9% do total. Não existe um gigante dominando a frota, e sim muitas operações médias.
| Operador | Matrice cadastrados | Perfil |
|---|---|---|
| CPE Tecnologia | 89 | Empresa de tecnologia e serviços aéreos |
| Aeroguard | 66 | Empresa de operação com drones |
| Polícia Militar (registro genérico) | 60 | Segurança pública |
| PMMG | 60 | Polícia Militar de Minas Gerais |
| Polícia Militar do Espírito Santo | 54 | Segurança pública |
| Polícia Militar do Paraná | 47 | Segurança pública |
| DR1 Images | 39 | Produtora e serviços aéreos |
| Aeroscan | 36 | Inspeção e levantamento |
| Polícia Militar de Santa Catarina | 32 | Segurança pública |
| CETESB | 28 | Órgão ambiental do Estado de São Paulo |
Metade da lista é polícia militar, e isso conversa com os 17,9% de segurança pública no campo de ramo de atividade. O padrão é o mesmo em vários estados: compra concentrada, operação distribuída em batalhões, com forte presença do Matrice 30 por causa da câmera térmica.
O que a lei cobra de quem opera nessa faixa
Operação empresarial tem obrigações que o piloto de fim de semana não tem, e a primeira delas é o seguro. O RBAC 100 é explícito:

Ou seja, toda operação de UAS sob o regulamento precisa de seguro com cobertura de danos a terceiros, com duas exceções: aeronaves de entidades controladas pelo Estado e a aplicação agrícola em linha de visada até 120 metros sobre área desabitada. Para a empresa privada que opera Matrice, portanto, seguro não é opcional.
- Cadastro no SISANT em nome do operador, com validade de 24 meses e número fixado na aeronave.
- Seguro de danos a terceiros, conforme a seção 100.37, salvo as exceções acima.
- Piloto aprovado na avaliação teórica da ANAC, exigência que passa a ser cobrada na fiscalização a partir de 1º de janeiro de 2027.
- Autorização de voo no SARPAS para toda operação a céu aberto, com Termo de Coordenação quando houver interseção com FRZ.
- Categoria específica quando o voo passar de 120 metros, sair da linha de visada ou a aeronave ultrapassar 25 kg.
Vale lembrar que o campo de tipo de uso da base mostra a realidade dessa frota: dos 4.671 Matrice, 4.643 estão como uso básico e apenas 28 como avançado. A operação brasileira, mesmo a empresarial, ainda vive quase inteira dentro do envelope mais simples.

O que isso significa para quem quer trabalhar com drone
Para quem está montando operação, a combinação mais realista hoje é começar com um equipamento leve de categoria aberta, aprender a entregar dado e migrar para a linha enterprise quando o contrato justificar. A conta de investimento e retorno está em quanto custa montar uma operação profissional, e o retrato do mercado em o mercado de drone está saturado.
Perguntas frequentes
Quantos drones Matrice existem no Brasil?
Na base do SISANT de 4 de agosto de 2026 havia 4.671 aeronaves da linha Matrice cadastradas, o que representa 2,63% das 177.631 aeronaves registradas. O número muda a cada dia, porque cadastros novos entram e cadastros vencidos são inativados.
Qual o Matrice mais usado no Brasil?
Somando as variações de grafia, a série Matrice 4 (4, 4E, 4T e 4TD) lidera com 1.856 registros, 39,7% da frota Matrice. Depois vêm o Matrice 30 e 30T com 727, o Matrice 300 RTK com 679 e o Matrice 350 RTK com 647.
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Matrice é só para empresa?
Não existe restrição por tipo de dono, mas o perfil é claramente empresarial: 67,9% dos cadastros estão em CNPJ, contra 23,6% na frota brasileira inteira. O restante costuma ser autônomo que ainda opera como pessoa física.
Quanto pesa um Matrice?
Depende da geração. A série Matrice 4 tem peso de decolagem em torno de 1.219 g, segundo a DJI, enquanto modelos como o 300 RTK e o 350 RTK ficam na faixa de 6 kg. Na base da ANAC, o peso mediano declarado da frota Matrice é de 4 kg e 55% dos registros estão em até 4 kg.
Preciso de autorização especial para operar um Matrice?
Enquanto a aeronave tiver até 25 kg e o voo acontecer em linha de visada até 120 metros, a operação pode ficar na categoria aberta, com solicitação normal no SARPAS. Acima disso, ou em voo além da linha de visada, entra a categoria específica, que exige autorização própria da ANAC.
Seguro é obrigatório para operar Matrice?
Sim na prática. A seção 100.37 do RBAC 100 exige seguro com cobertura de danos a terceiros para todas as operações sob o regulamento, com duas exceções: aeronaves de entidades controladas pelo Estado e aplicação agrícola em linha de visada até 120 metros sobre área desabitada.
Por que tanta polícia militar na lista de maiores operadores?
Porque segurança pública e defesa civil respondem por 836 aeronaves Matrice, quase 18% da frota da linha. O modelo mais comum nesse uso é o Matrice 30T, pela combinação de câmera térmica, zoom e formato dobrável.
Matrice serve para pulverização agrícola?
Não é a função dele. Pulverização é a especialidade da linha Agras, e apenas 0,6% dos Matrice declaram uso aeroagrícola. Quem quer entrar no agro deve olhar a linha certa, tema tratado no guia de drone agrícola.
Dá para trabalhar com inspeção sem comprar um Matrice?
Dá para começar, sim. Boa parte da inspeção de telhado, fachada e obra é feita com drones leves da categoria aberta. O Matrice entra quando o contrato pede sensor específico, como térmica calibrada, RTK ou tempo de voo maior.
Onde consigo esses dados para conferir?
Na base de dados abertos da ANAC sobre aeronaves não tripuladas cadastradas, atualizada periodicamente e disponível para download público. É a mesma fonte usada aqui, filtrada por modelo e cruzada com os campos de documento e ramo de atividade.
Os números da base são exatos?
São oficiais, mas exigem tratamento. Modelo e fabricante são digitados livremente pelo operador, o que gera dezenas de grafias para o mesmo drone, e o campo de peso tem erros evidentes, como registros de poucos gramas para aeronaves de vários quilos. Sem normalizar as grafias, qualquer contagem sai errada.
A frota Matrice está crescendo?
O indicador mais forte é a composição: modelos lançados recentemente, como a série Matrice 4 e o Matrice 400, já somam 44% da frota da linha, enquanto as gerações 200 e 210 caíram para 4,4%. É renovação rápida, típica de equipamento que trabalha e se paga.
Conclusão
A linha Matrice é o retrato mais fiel do drone como ferramenta de trabalho no Brasil: dois terços em CNPJ, quase metade dedicada a levantamento e inspeção, um quinto nas mãos do poder público e uma renovação acelerada em direção a equipamentos mais leves. Para quem vive de voar, a mensagem é direta: o mercado que paga melhor não é o que faz a imagem mais bonita, é o que entrega o dado mais confiável.
Se a sua operação está caminhando para essa faixa, vale revisar a base regulatória no guia completo da ICA 100-40 e no material sobre as regras do espaço aéreo brasileiro para drones, porque operação empresarial é fiscalizada com outro rigor.
Todos os números deste post foram apurados por mim na base pública de cadastros da ANAC baixada em 4 de agosto de 2026, com normalização das grafias de modelo. Escrevo como piloto com cadastro ativo no SISANT e aprovado na avaliação teórica da ANAC.
Leituras relacionadas para aprofundamento
- Mercado e dados: os drones mais usados do Brasil, o mercado está saturado? e como ler os dados abertos da ANAC.
- Nichos B2B: inspeção de linhas de transmissão, inspeção de pás de turbina eólica e topografia e mapeamento.
- Regra da operação profissional: categoria específica do RBAC 100, seguro obrigatório e drone com câmera térmica.
Fontes consultadas
- Dados abertos da ANAC, base de aeronaves não tripuladas cadastradas (SISANT), extração de 04/08/2026 com 177.631 registros.
- RBAC nº 100 (ANAC), seções 100.5 (categorias por risco), 100.37 (seguro) e 100.301 (cadastro).
- Especificações oficiais da série DJI Matrice 4, com peso de decolagem de 1.219 g, autonomia máxima de 49 minutos e resistência de vento de 12 m/s.
- ICA 100-40 (DECEA), Portaria nº 2.094/DNOR8, de 18/03/2026, que rege o acesso ao espaço aéreo e a exigência de autorização de voo.
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