
Drone, UAV, UAS, RPAS, RPA: cinco termos que se referem em alguma medida ao mesmo equipamento, mas com nuances importantes que definem como o sistema é tratado pela regulamentação. A confusão é comum mesmo entre operadores experientes. Esse guia organiza, com base em definições oficiais da ANAC, DECEA, ICAO e EASA, o que cada sigla significa, quando cada termo se aplica, e qual é o termo preferido em cada contexto regulatório brasileiro em 2026.
Resposta direta antes do detalhamento: drone é o termo coloquial, UAV é a aeronave isolada (apenas a parte voadora), UAS é o sistema completo (aeronave + controle + comunicação), RPAS é o sistema remotamente pilotado (categoria específica de UAS), e RPA é a aeronave pilotada remotamente (parte voadora do RPAS).
Drone — o termo coloquial
Termo informal de origem em “macho da abelha” (zangão em inglês, drone), por analogia ao zumbido das hélices. Usado coloquialmente para qualquer aeronave não tripulada. Aceito em textos jornalísticos, blogs, marketing.
Limitação: o termo “drone” não é preciso em regulamentação. Cada órgão prefere terminologia técnica.
UAV — Unmanned Aerial Vehicle
Veículo Aéreo Não Tripulado. Refere-se especificamente à aeronave isolada, sem incluir o sistema de controle ou comunicação. UAV é apenas a parte voadora do conjunto operacional.
Origem e uso
- Termo originalmente militar, popularizado por uso em Iraque e Afeganistão.
- Caiu em desuso parcial após introdução do termo UAS.
- Ainda usado em literatura técnica e operacional.
UAS — Unmanned Aircraft System
Sistema de Aeronave Não Tripulada. Engloba todo o conjunto operacional:
- A aeronave (UAV/RPA).
- O sistema de comando e controle (controle remoto).
- Os enlaces de comunicação (telemetria, vídeo).
- Eventualmente, sistema de detecção e evasão (DAA).
UAS é o termo padrão internacional adotado pela ICAO (Organização da Aviação Civil Internacional) e usado pela FAA (EUA) e EASA (Europa).
RPAS — Remotely Piloted Aircraft System
Sistema de Aeronave Remotamente Pilotada. Subconjunto específico de UAS, onde a aeronave é controlada remotamente por um piloto humano (não autônoma).
Distinção importante
- UAS abrange RPAS e drones autônomos (sem piloto humano contínuo).
- RPAS especifica controle humano direto via piloto remoto.
- Drones DJI populares são todos RPAS (precisam de piloto operando o controle).
RPAS é o termo preferido pela ANAC e DECEA brasileiros. A regulamentação brasileira fala em RPAS, não em UAS.
RPA — Remotely Piloted Aircraft
Aeronave Remotamente Pilotada. Refere-se especificamente à parte voadora do RPAS. Equivalente a UAV no contexto da terminologia internacional.
Tabela comparativa de uso por órgão
| Órgão | Termo preferido | Termo alternativo |
|---|---|---|
| ANAC (Brasil) | RPAS / RPA | UAS |
| DECEA (Brasil) | RPAS / SARPAS | UAS |
| ICAO (internacional) | RPAS | UAS |
| EASA (Europa) | UAS | RPAS |
| FAA (EUA) | UAS | drone |
Outros termos relevantes
VANT — Veículo Aéreo Não Tripulado
Termo em português brasileiro, equivalente a UAV. Usado em alguns documentos antigos da ANAC. Em desuso, substituído por RPA/RPAS.
Quadcóptero, hexacóptero, octocóptero
Classificação por número de hélices (4, 6, 8). DJI Mavic é quadcóptero, Matrice 300 é também quadcóptero, Matrice 600 (descontinuado) era hexacóptero.
Multirotor
Termo genérico para drones com múltiplos rotores. Inclui quad, hex, octo.
Fixed-wing UAV
Drone de asa fixa (formato avião). Usado em mapeamento de longa distância, monitoramento ambiental, agricultura de precisão.
VTOL — Vertical Take-Off and Landing
Drone que decola e pousa verticalmente como helicóptero, mas pode voar horizontalmente como avião. Híbrido.
FPV — First Person View
Modo de operação com câmera transmitindo imagem em tempo real ao piloto através de óculos VR. Distinto de RPAS porque o piloto vê pela perspectiva do drone, não por linha de visão direta. Vale conferir o guia sobre voo FPV no Brasil.
Categorização por uso
Por uso operacional
- RPAS recreativo: uso pessoal, sem fins comerciais.
- RPAS experimental: testes e desenvolvimento.
- RPAS comercial: uso profissional remunerado.
- RPAS específico/restrito: aplicações especializadas (agrícola, militar autorizado).
Por peso (classificação ANAC)
- Classe 1: até 250g (PMD – Peso Máximo Decolagem).
- Classe 2: entre 250g e 25kg.
- Classe 3: acima de 25kg.
Cada classe tem regulamentação distinta de cadastro e operação. Vale conferir o guia sobre RBAC 100 vs ICA 100-40 para sub-250g.
Perguntas frequentes
Qual termo usar em documentos formais?
No Brasil, use RPAS para o sistema e RPA para a aeronave. Esses são os termos da ANAC e DECEA.
Drone DJI Mini é UAS ou RPAS?
Tanto faz, mas RPAS é o termo preciso porque a aeronave é pilotada remotamente por humano. UAS abrangeria também drones autônomos.
Posso usar “drone” em laudo técnico?
Não recomendado em documentos formais. Use “RPAS” ou “RPA” para precisão.
EASA usa terminologia diferente da ANAC?
Sim. EASA prefere UAS, ANAC prefere RPAS. Na prática, são intercambiáveis para a maioria das situações.
O que significa “drone classe 1” no Brasil?
RPAS com PMD (Peso Máximo Decolagem) de até 250g. Vale conferir o guia sobre DJI Mini sub-250g.
FPV é categoria à parte?
Tecnicamente sim, FPV é modo de operação. Mas no Brasil, FPV é considerada operação especial dentro da regulamentação RPAS, com regras adicionais.
Terminologia precisa demonstra profissionalismo
Em 2026, com a profissionalização crescente do mercado de drones no Brasil, terminologia precisa virou marca de operador profissional sério. Usar “RPAS” em laudo técnico vs “drone” pode parecer detalhe, mas comunica conhecimento da regulamentação. Em proposta comercial, em contrato, em laudo pericial, em documentação corporativa, a terminologia correta posiciona o operador como conhecedor do mercado.
Para mapear em detalhe o ecossistema regulatório completo, vale consultar o conteúdo organizado em drone.irlenmenezes.com.br.
Leituras relacionadas
- Guia completo da ICA 100-40
- VLOS, EVLOS, BVLOS
- FRZ, EAC, ZAD
- Voo FPV no Brasil
- RBAC vs ICA para sub-250g















