
Atualizado em 01/07/2026
“Quem fiscaliza drone no Brasil? Posso ser denunciado por um vizinho? Dá multa, ou dá cadeia?” Essas perguntas explodiram com a entrada em vigor da nova ICA 100-40, em 1º de julho de 2026. E a resposta honesta é: a fiscalização ficou mais organizada, mais distribuída e muito mais fácil de acionar do que a maioria dos pilotos imagina.
Resposta direta antes do detalhamento: a partir de 1º de julho de 2026, voar drone fora das regras te expõe a três frentes que trabalham juntas. Qualquer pessoa pode denunciar (Art. 67 da ICA 100-40), a autoridade aeronáutica pode requisitar apoio da força policial para deter o operador ou a aeronave (Art. 70, com base no Art. 290 do Código Brasileiro de Aeronáutica) e o caso é julgado administrativamente pela JJAER (Art. 66). Voar perto de aeródromo sem autorização ainda é tratado como Ato de Interferência Ilícita contra a aviação civil. Falo isso como piloto registrado: não é terrorismo regulatório, é o sistema que passou a valer, e dá para se proteger conhecendo as regras.
As três frentes da fiscalização de drone
A grande mudança não é uma multa nova. É a estrutura. A ICA 100-40 dedica um capítulo inteiro (Capítulo V, Infrações de Tráfego Aéreo) a como uma operação irregular é detectada, apurada e punida. São três frentes que se conectam.

Qualquer pessoa pode denunciar um drone
Este é o ponto que mais muda o jogo na prática. O Art. 67 da ICA 100-40 é direto: “Qualquer pessoa pode denunciar fato ou situação indicativa de atividade irregular de Aeronaves Não Tripuladas (drone)”. Ou seja, o vizinho incomodado, o segurança do evento ou um pedestre podem registrar a ocorrência. A própria norma diz que essa pessoa pode solicitar o apoio da segurança pública para averiguar a legalidade da operação.
A denúncia, segundo o Art. 68, deve trazer o máximo de informações: descrição da ocorrência, data, horário, local e o que mais ajudar a identificar a operação. Fotos, vídeos e a localização entram aí. E ela pode ser encaminhada à organização regional responsável pela área ou pelos canais oficiais do DECEA (Art. 69). Na prática, isso significa que o registro do seu voo irregular não some: ele vira processo.
A polícia pode agir, com base no Código Brasileiro de Aeronáutica
A segunda frente é a fiscalização propriamente dita. O Art. 70 da ICA 100-40 se apoia no Art. 290 do Código Brasileiro de Aeronáutica (Lei nº 7.565, de 1986) para dizer que a autoridade aeronáutica pode requisitar o apoio da força policial para obter a detenção dos presumidos infratores, ou da aeronave que ponha em perigo a segurança pública, pessoas ou coisas.
Traduzindo: não é a polícia caçando drone por conta própria, e sim a autoridade aeronáutica acionando o apoio policial quando há risco. Mas o efeito para quem está voando errado é o mesmo. O equipamento pode ser apreendido e o operador, abordado. Some a isso a possibilidade de responsabilização administrativa e, em casos graves, criminal, e fica claro por que improvisar deixou de ser uma boa ideia.

E as multas? Os valores reais, sem sensacionalismo
Aqui mora a maior confusão da internet. Você já viu “multa de R$ 30 mil” ou “R$ 50 mil” para quem voa drone errado. Na esmagadora maioria dos casos, isso é mito. As sanções administrativas da ANAC seguem a Resolução nº 762/2024, em vigor desde 1º de janeiro de 2026, que organiza as infrações por nível de não conformidade.
Os valores-base, em regra, são modestos: cerca de R$ 750 para o nível 1, R$ 2.250 para o nível 2 e R$ 4.500 para o nível 3. Sobre eles incidem multiplicadores por grupo de piloto ou operador, o que muda o valor final. A norma ainda prevê sanções alternativas, como advertência e obrigação de fazer, que podem substituir a multa em casos mais leves. As cifras de dezenas de milhares de reais existem, mas são reservadas a infrações graves de espaço aéreo, como voar em área proibida ou sem autorização, não para um cadastro esquecido.
Quer entender exatamente quanto custa cada situação? Reuni os cenários e os cálculos no guia dedicado de quanto custa a multa de drone irregular em 2026. Aqui o foco é outro: como você é pego.
Perto de aeroporto, o nível sobe: Ato de Interferência Ilícita
Existe um ponto em que a conversa deixa de ser sobre multa. O Art. 19, parágrafo 3º, da ICA 100-40 diz que operar uma UA próxima a aeródromos e auxílios à navegação aérea, sem a devida autorização, é considerado Ato de Interferência Ilícita contra a Aviação Civil. Essa é uma classificação séria, do mesmo universo de segurança (AVSEC) que trata de ameaças à aviação. É o tipo de enquadramento que tira o caso da esfera de uma simples infração e o leva para um patamar de responsabilização bem mais pesado.
A lição prática: respeitar a distância de aeródromos não é detalhe. Se você ainda tem dúvida sobre os raios e alturas, veja o guia de distância mínima de aeroporto para voar drone.
Como não virar alvo da fiscalização
A boa notícia é que a fiscalização mira o voo irregular, não o piloto que se organiza. Manter a documentação em dia resolve a quase totalidade dos riscos. O básico, em ordem, é simples.
Para regularizar cada item, três guias resolvem o essencial: o cadastro no SISANT passo a passo, o passo a passo de como pedir autorização no SARPAS e, se o seu drone passa de 250 g, a avaliação teórica de piloto da ANAC. Para treinar antes, use também o nosso simulador de conhecimento de drone.
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Perguntas frequentes sobre fiscalização de drone
Quem fiscaliza drone no Brasil em 2026?
Três frentes atuam em conjunto: a população, que pode denunciar (Art. 67 da ICA 100-40), a autoridade aeronáutica com apoio da força policial (Art. 70, baseado no Art. 290 do CBA) e a JJAER, que julga as infrações de tráfego aéreo administrativamente (Art. 66). A ANAC, por sua vez, cuida das infrações de sua competência pela Resolução nº 762/2024.
Um vizinho pode denunciar meu drone?
Sim. A ICA 100-40 prevê expressamente que qualquer pessoa pode denunciar um voo que pareça irregular, inclusive solicitando apoio da segurança pública para averiguação. A denúncia pode conter fotos, vídeos, data, hora e localização.
A polícia pode apreender meu drone na hora?
A autoridade aeronáutica pode requisitar o apoio da força policial para deter o operador ou a aeronave que ponha em perigo a segurança pública, pessoas ou coisas, conforme o Art. 290 do Código Brasileiro de Aeronáutica. Na prática, o equipamento pode ser apreendido e o operador, abordado.
Voar drone irregular dá cadeia?
Na maioria dos casos a responsabilização é administrativa (multa, advertência, apreensão). Mas situações graves, como colocar em risco a segurança da aviação perto de aeroportos, podem gerar responsabilização criminal, além da administrativa. Por isso o voo perto de aeródromo sem autorização é classificado como Ato de Interferência Ilícita.
Qual é o valor real da multa de drone?
Pela Resolução ANAC nº 762/2024, os valores-base, em regra, partem de cerca de R$ 750 (nível 1), R$ 2.250 (nível 2) e R$ 4.500 (nível 3), antes dos multiplicadores. As cifras de R$ 30 mil ou R$ 50 mil que circulam pela internet são, em geral, mito, ou se referem a infrações graves de espaço aéreo.
Falta de cadastro no SISANT dá multa alta?
Não. A falta de cadastro costuma ser enquadrada como infração de menor potencial, com valor-base na casa de R$ 1.200. Ainda assim, é fácil de evitar: o cadastro no SISANT é gratuito e online.
O que é a JJAER?
É a Junta de Julgamento da Aeronáutica, o órgão que apura e julga administrativamente as infrações de tráfego aéreo e o descumprimento das normas do espaço aéreo, conforme o Art. 66 da ICA 100-40.
O drone sub-250 g também é fiscalizado?
Sim. Com a edição 2026 da ICA 100-40, mesmo a UA de até 250 g precisa de autorização para acessar o espaço aéreo. A isenção de peso da ANAC continua valendo para o exame teórico, mas o lado do espaço aéreo, que é do DECEA, passou a alcançar o sub-250 g. Entenda em nosso guia sobre o que muda para o drone sub-250 g em julho.
Como faço uma denúncia de drone irregular?
Reúna o máximo de informações (descrição, data, hora, local, fotos e vídeos) e encaminhe à organização regional responsável pela área ou aos canais oficiais do DECEA, conforme os Arts. 68 e 69 da ICA 100-40. Em situação de risco imediato, acione a segurança pública.
Como me proteger da fiscalização?
Mantenha a documentação em dia: cadastro no SISANT, autorização no SARPAS antes de cada voo, exame teórico quando exigido e respeito às zonas, alturas e distâncias de aeródromos. Voo regular não é alvo. Treine seu conhecimento no nosso simulado de drone.
Conclusão: a fiscalização ficou séria, mas previsível
O recado de 1º de julho de 2026 é claro. A fiscalização de drone deixou de depender só de uma blitz da autoridade e passou a contar com a população e com a integração entre polícia e DECEA. Isso assusta quem voa no escuro, mas é tranquilo para quem se organiza. Cadastro, autorização e respeito às regras de espaço aéreo continuam sendo a melhor (e mais barata) blindagem. Não voe no escuro: voe com documento.
Leituras relacionadas
- Valores e cenários: Quanto custa a multa de drone irregular em 2026
- Base de espaço aéreo: O que é a ICA 100-40 e por que todo piloto precisa saber
- Regularização: Como pedir autorização no SARPAS
Fontes oficiais consultadas
- DECEA, ICA 100-40 (edição 2026, Portaria DECEA nº 2.094/DNOR8), Arts. 19, 66, 67, 68, 69 e 70.
- Lei nº 7.565/1986, Código Brasileiro de Aeronáutica, Art. 290.
- Resolução ANAC nº 762/2024, infrações e valores-base de multa.
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