
Atualizado em 05/08/2026
Toda escolha de drone profissional começa com a mesma pergunta mal formulada: qual é o melhor. A pergunta útil é outra, e ela tem resposta pública: qual drone as pessoas que já trabalham nesse setor registraram na ANAC. Cruzei os 177.631 cadastros do SISANT pelo ramo de atividade declarado e pelo modelo, e o retrato que sai é bem mais informativo que qualquer lista de melhores.
Resposta direta antes do detalhamento: o Brasil profissional se divide em três pesos. No audiovisual e no recreativo, o peso mediano declarado é 0,25 kg e o líder absoluto é o DJI Mini 3. No trabalho técnico, de inspeção a topografia, a mediana sobe para 0,80 a 0,91 kg e quem manda é o Mavic 3, com a linha Matrice logo atrás. E na pulverização agrícola a mediana explode para 90 kg, território exclusivo da linha Agras. Cada faixa tem também a sua alternativa fora da DJI: XAG no agro, senseFly e XMobots no aerolevantamento, Flyability na inspeção de espaço confinado.
O mapa: quem registra o quê
O SISANT pede o ramo de atividade no cadastro. Agrupando por ele e cruzando com o modelo normalizado, este é o Brasil profissional do drone:
| Ramo de atividade | Cadastros | Modelo líder | Peso mediano |
|---|---|---|---|
| Recreativo | 70.051 | DJI Mini 3 | 0,25 kg |
| Aerocinematografia | 26.227 | DJI Mini 3 | 0,25 kg |
| Aerofotografia | 15.078 | DJI Mini 3 (11,8%) | 0,25 kg |
| Pulverização agrícola | 12.977 | Linha Agras (21,1%) | 90,00 kg |
| Aerolevantamento | 8.579 | DJI Matrice (14,7%) | 0,91 kg |
| Segurança pública e defesa civil | 7.833 | DJI Mavic 3 (18,1%) | 0,91 kg |
| Aeroinspeção | 7.631 | DJI Mavic 3 (12,7%) | 0,80 kg |
| Aeropublicidade | 6.779 | enxames de show | 0,52 kg |
| Fiscalização estatal | 2.484 | DJI Mavic 3 (13,2%) | 0,90 kg |
| Treinamento | 2.385 | DJI Mini 4 Pro (9,9%) | 0,25 kg |
O mercado de 0,25 kg: conteúdo
Recreativo, aerocinematografia e aerofotografia somam 111.356 cadastros, quase dois terços de tudo. Os três têm a mesma mediana de peso e o mesmo líder, o Mini 3.
Isso diz uma coisa importante para quem quer começar a vender imagem: o equipamento não é a barreira de entrada nesse mercado. Quem trabalha com aerocinematografia está voando essencialmente o mesmo drone de quem voa por hobby. O que separa um do outro é autorização em dia, método de captação e entrega, não sensor.
A alternativa fora da DJI aqui tem cara: Xiaomi FIMI no recreativo, com 1.087 cadastros, e GEPRC e iFlight na aerocinematografia, que são marcas de FPV. Quem foge da DJI nesse mercado quase sempre está indo para o voo imersivo, não procurando um substituto direto.

O mercado de 0,9 kg: engenharia
Aerolevantamento, segurança pública, aeroinspeção e fiscalização somam 26.527 cadastros e formam um bloco coerente: mediana entre 0,80 e 0,91 kg, e o Mavic 3 ou a linha Matrice no topo de todos.
O caso mais nítido é a segurança pública: o Mavic 3 sozinho responde por 18,1% do setor, e somando Mavic 2 e a linha Mavic mais antiga passa de 43%. É o setor mais padronizado do país, o que faz sentido para quem compra por licitação e precisa de peça, treinamento e manutenção previsíveis.
O aerolevantamento é o único onde a Matrice lidera (14,7%), e onde o Phantom 4 ainda aparece forte com 10,3%, sustentado por fotogrametria. É também onde as alternativas fora da DJI são mais relevantes tecnicamente: senseFly (96) com asa fixa e XMobots (62), fabricante brasileiro.
Na aeroinspeção aparece o nome mais especializado de toda a base: Flyability, com 31 cadastros. É o drone com gaiola para espaço confinado, que voa dentro de tanque, caldeira e duto. Número pequeno, nicho altíssimo.
O mercado de 90 kg: agricultura
A pulverização agrícola tem 12.977 cadastros e um peso mediano de 90 quilos. Não é o mesmo esporte.
A linha Agras domina, com o T40 (2.006), o T50 (1.893) e o T25 (1.847) à frente, além de milhares registrados apenas como Agras sem o modelo. Mas é aqui que a DJI encontra a concorrência mais real de todo o país: a XAG tem 1.077 cadastros, o que a torna a marca não-DJI mais relevante em qualquer setor produtivo da base.
Quem olha o mercado de drone pelo consumidor não vê esse pedaço. São 12,9 mil máquinas que custam dezenas de vezes mais que um drone de imagem, com regulação própria e exigência de curso específico. Se você quer entender o tamanho real disso, escrevi o guia do drone agrícola.
O que o Brasil voa quando não voa DJI
A DJI responde por 85,2% dos cadastros. Os 14,8% restantes não são um bloco único, e cada setor tem a sua fuga:
- Recreativo: Xiaomi FIMI (1.087), Lyzrc (586), SJRC (450). Entrada barata, sem pretensão profissional.
- Aerocinematografia: GEPRC (246) e iFlight (94). FPV para quem quer movimento que o drone de câmera não faz.
- Pulverização: XAG (1.077), GTEEX (145), XFly (111). O único setor com concorrência de porte.
- Aerolevantamento: senseFly (96) e XMobots (62). Asa fixa e engenharia nacional.
- Aeroinspeção: Flyability (31). Espaço confinado, onde a DJI não tem produto equivalente.
O padrão é claro: fora da DJI, ou você está no muito barato, ou está num nicho técnico onde ela simplesmente não compete.

Como usar isso na sua decisão
Um ranking de uso não substitui teste, mas responde três perguntas que review nenhuma responde.
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Estou levando o equipamento certo para o setor? Se você quer entrar em inspeção com um drone de 249 gramas, a base está dizendo que 80% do setor voa algo três vezes mais pesado, com sensor e autonomia diferentes.
Vou achar peça e assistência? Modelo com milhares de unidades no seu setor tem cadeia de suporte. Modelo raro pode ser tecnicamente superior e operacionalmente inviável.
Meu cliente vai reconhecer o equipamento? Em licitação e contrato B2B, padronização conta. Chegar com o que o setor usa reduz atrito comercial.
Perguntas frequentes
Qual drone a segurança pública mais usa no Brasil?
O DJI Mavic 3, presente em 18,1% dos 7.833 cadastros do ramo de segurança pública e defesa civil. Somando as gerações anteriores da linha Mavic, o setor passa de 43% padronizado numa única família.
Qual drone é mais usado na agricultura?
A linha DJI Agras domina a pulverização, com o T40, o T50 e o T25 à frente entre os 12.977 cadastros do ramo. A XAG é a principal alternativa, com 1.077 cadastros.
Qual o peso típico de um drone profissional?
Depende do setor. No audiovisual a mediana declarada é 0,25 kg, no trabalho técnico fica entre 0,80 e 0,91 kg, e na pulverização agrícola chega a 90 kg.
Preciso de um drone caro para trabalhar com imagem aérea?
Os dados sugerem que não. Aerocinematografia e aerofotografia têm o mesmo modelo líder e o mesmo peso mediano do recreativo. O que separa o profissional é autorização, método e entrega, não o equipamento.
Existe alternativa real à DJI no Brasil?
Por setor, sim. XAG na pulverização é a mais expressiva, com 1.077 cadastros. senseFly e XMobots aparecem no aerolevantamento e a Flyability na inspeção de espaço confinado, onde a DJI não tem produto equivalente.
O que é o ramo de aeropublicidade nesse ranking?
São majoritariamente enxames de show de drones de luz, concentrados em poucas empresas. Somam 6.779 cadastros mas não representam pilotos individuais, então convém lê-los à parte.
De onde vêm esses números?
Da base de dados abertos do SISANT publicada pela ANAC, edição de 4 de agosto de 2026, com 177.631 cadastros. Agrupei por ramo de atividade e normalizei as grafias de modelo antes de contar.
Conclusão
O dado não escolhe drone por você, mas ele elimina a conversa improdutiva sobre qual é o melhor. Existem três mercados de drone no Brasil, separados por uma ordem de grandeza de peso, e cada um já convergiu para o seu equipamento. Descobrir em qual deles você quer trabalhar é a decisão que vem antes de escolher o modelo.
Escrevo isto como piloto com cadastro ativo no SISANT e apuro os números deste texto direto na base de dados abertos da ANAC, com o mesmo tratamento que sustenta o Observatório do Drone no Brasil.
Leituras relacionadas para aprofundamento
- O ranking geral: os drones mais usados do país
- Drone agrícola: quanto custa, quanto retorna e o que exige
- Topografia com drone: como começar e cobrar
- Inspeção de linhas de transmissão com drone
- Piloto de drone no serviço público
- Fotografia e filmagem aérea: o guia de quem vende imagem
- Observatório do Drone no Brasil: o corte por ramo sempre atualizado
Fontes consultadas
- Base de dados abertos do SISANT/ANAC, arquivo
SISANT.csvcom carimbo Atualizado em 2026-08-04 e 177.631 cadastros vigentes, apurado por mim. - Os mesmos números, atualizados a cada publicação da ANAC, no Observatório do Drone no Brasil.
- ANAC, RBAC nº 100, categorias de operação por risco. Texto oficial.
- MAPA, Portaria SDA nº 1.187/2024, requisitos para operação aeroagrícola com aeronave remotamente pilotada.
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