
Atualizado em 07/09/2026
Toda escolha de drone profissional começa com a mesma pergunta mal formulada: qual é o melhor. A pergunta útil é outra, e ela tem resposta pública: qual drone as pessoas que já trabalham nesse setor registraram na ANAC. Cruzei os 177.631 cadastros do SISANT pelo ramo de atividade declarado e pelo modelo, e o retrato que sai é bem mais informativo que qualquer lista de melhores.
Resposta direta antes do detalhamento: o Brasil profissional se divide em três pesos. No audiovisual e no recreativo, o peso mediano declarado é 0,25 kg e o líder absoluto é o DJI Mini 3. No trabalho técnico, de inspeção a topografia, a mediana sobe para 0,80 a 0,91 kg e quem manda é o Mavic 3, com a linha Matrice logo atrás. E na pulverização agrícola a mediana explode para 90 kg, território exclusivo da linha Agras. Cada faixa tem também a sua alternativa fora da DJI: XAG no agro, senseFly e XMobots no aerolevantamento, Flyability na inspeção de espaço confinado.
O mapa: quem registra o quê
O SISANT pede o ramo de atividade no cadastro. Agrupando por ele e cruzando com o modelo normalizado, este é o Brasil profissional do drone:
| Ramo de atividade | Cadastros | Modelo líder | Peso mediano |
|---|---|---|---|
| Recreativo | 70.051 | DJI Mini 3 | 0,25 kg |
| Aerocinematografia | 26.227 | DJI Mini 3 | 0,25 kg |
| Aerofotografia | 15.078 | DJI Mini 3 (11,8%) | 0,25 kg |
| Pulverização agrícola | 12.977 | Linha Agras (21,1%) | 90,00 kg |
| Aerolevantamento | 8.579 | DJI Matrice (14,7%) | 0,91 kg |
| Segurança pública e defesa civil | 7.833 | DJI Mavic 3 (18,1%) | 0,91 kg |
| Aeroinspeção | 7.631 | DJI Mavic 3 (12,7%) | 0,80 kg |
| Aeropublicidade | 6.779 | enxames de show | 0,52 kg |
| Fiscalização estatal | 2.484 | DJI Mavic 3 (13,2%) | 0,90 kg |
| Treinamento | 2.385 | DJI Mini 4 Pro (9,9%) | 0,25 kg |
O peso mediano é o melhor atalho
O mercado de 0,25 kg: conteúdo
Recreativo, aerocinematografia e aerofotografia somam 111.356 cadastros, quase dois terços de tudo. Os três têm a mesma mediana de peso e o mesmo líder, o Mini 3.
Isso diz uma coisa importante para quem quer começar a vender imagem: o equipamento não é a barreira de entrada nesse mercado. Quem trabalha com aerocinematografia está voando essencialmente o mesmo drone de quem voa por hobby. O que separa um do outro é autorização em dia, método de captação e entrega, não sensor.
A alternativa fora da DJI aqui tem cara: Xiaomi FIMI no recreativo, com 1.087 cadastros, e GEPRC e iFlight na aerocinematografia, que são marcas de FPV. Quem foge da DJI nesse mercado quase sempre está indo para o voo imersivo, não procurando um substituto direto.

O mercado de 0,9 kg: engenharia
Aerolevantamento, segurança pública, aeroinspeção e fiscalização somam 26.527 cadastros e formam um bloco coerente: mediana entre 0,80 e 0,91 kg, e o Mavic 3 ou a linha Matrice no topo de todos.
O caso mais nítido é a segurança pública: o Mavic 3 sozinho responde por 18,1% do setor, e somando Mavic 2 e a linha Mavic mais antiga passa de 43%. É o setor mais padronizado do país, o que faz sentido para quem compra por licitação e precisa de peça, treinamento e manutenção previsíveis.
O aerolevantamento é o único onde a Matrice lidera (14,7%), e onde o Phantom 4 ainda aparece forte com 10,3%, sustentado por fotogrametria. É também onde as alternativas fora da DJI são mais relevantes tecnicamente: senseFly (96) com asa fixa e XMobots (62), fabricante brasileiro.
Na aeroinspeção aparece o nome mais especializado de toda a base: Flyability, com 31 cadastros. É o drone com gaiola para espaço confinado, que voa dentro de tanque, caldeira e duto. Número pequeno, nicho altíssimo.
O mercado de 90 kg: agricultura
A pulverização agrícola tem 12.977 cadastros e um peso mediano de 90 quilos. Não é o mesmo esporte.
A linha Agras domina, com o T40 (2.006), o T50 (1.893) e o T25 (1.847) à frente, além de milhares registrados apenas como Agras sem o modelo. Mas é aqui que a DJI encontra a concorrência mais real de todo o país: a XAG tem 1.077 cadastros, o que a torna a marca não-DJI mais relevante em qualquer setor produtivo da base.
Quem olha o mercado de drone pelo consumidor não vê esse pedaço. São 12,9 mil máquinas que custam dezenas de vezes mais que um drone de imagem, com regulação própria e exigência de curso específico. Se você quer entender o tamanho real disso, escrevi o guia do drone agrícola.
Seu drone passaria numa fiscalização?
Um fiscal conduz a entrevista pelo chat, uma pergunta por vez: peso, cadastro, etiqueta, SARPAS, ANATEL e seguro.
No fim você recebe o laudo com exatamente o que falta para regularizar.
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Cuidado ao ler a aeropublicidade
O que o Brasil voa quando não voa DJI
A DJI responde por 85,2% dos cadastros. Os 14,8% restantes não são um bloco único, e cada setor tem a sua fuga:
- Recreativo: Xiaomi FIMI (1.087), Lyzrc (586), SJRC (450). Entrada barata, sem pretensão profissional.
- Aerocinematografia: GEPRC (246) e iFlight (94). FPV para quem quer movimento que o drone de câmera não faz.
- Pulverização: XAG (1.077), GTEEX (145), XFly (111). O único setor com concorrência de porte.
- Aerolevantamento: senseFly (96) e XMobots (62). Asa fixa e engenharia nacional.
- Aeroinspeção: Flyability (31). Espaço confinado, onde a DJI não tem produto equivalente.
O padrão é claro: fora da DJI, ou você está no muito barato, ou está num nicho técnico onde ela simplesmente não compete.
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Como usar isso na sua decisão
Um ranking de uso não substitui teste, mas responde três perguntas que review nenhuma responde.
Estou levando o equipamento certo para o setor? Se você quer entrar em inspeção com um drone de 249 gramas, a base está dizendo que 80% do setor voa algo três vezes mais pesado, com sensor e autonomia diferentes.
Vou achar peça e assistência? Modelo com milhares de unidades no seu setor tem cadeia de suporte. Modelo raro pode ser tecnicamente superior e operacionalmente inviável.
Meu cliente vai reconhecer o equipamento? Em licitação e contrato B2B, padronização conta. Chegar com o que o setor usa reduz atrito comercial.
Perguntas frequentes
Qual drone a segurança pública mais usa no Brasil?
O DJI Mavic 3, presente em 18,1% dos 7.833 cadastros do ramo de segurança pública e defesa civil. Somando as gerações anteriores da linha Mavic, o setor passa de 43% padronizado numa única família.
Qual drone é mais usado na agricultura?
A linha DJI Agras domina a pulverização, com o T40, o T50 e o T25 à frente entre os 12.977 cadastros do ramo. A XAG é a principal alternativa, com 1.077 cadastros.
Qual o peso típico de um drone profissional?
Depende do setor. No audiovisual a mediana declarada é 0,25 kg, no trabalho técnico fica entre 0,80 e 0,91 kg, e na pulverização agrícola chega a 90 kg.
Preciso de um drone caro para trabalhar com imagem aérea?
Os dados sugerem que não. Aerocinematografia e aerofotografia têm o mesmo modelo líder e o mesmo peso mediano do recreativo. O que separa o profissional é autorização, método e entrega, não o equipamento.
Existe alternativa real à DJI no Brasil?
Por setor, sim. XAG na pulverização é a mais expressiva, com 1.077 cadastros. senseFly e XMobots aparecem no aerolevantamento e a Flyability na inspeção de espaço confinado, onde a DJI não tem produto equivalente.
O que é o ramo de aeropublicidade nesse ranking?
São majoritariamente enxames de show de drones de luz, concentrados em poucas empresas. Somam 6.779 cadastros mas não representam pilotos individuais, então convém lê-los à parte.
De onde vêm esses números?
Da base de dados abertos do SISANT publicada pela ANAC, edição de 4 de agosto de 2026, com 177.631 cadastros. Agrupei por ramo de atividade e normalizei as grafias de modelo antes de contar.
Conclusão
O dado não escolhe drone por você, mas ele elimina a conversa improdutiva sobre qual é o melhor. Existem três mercados de drone no Brasil, separados por uma ordem de grandeza de peso, e cada um já convergiu para o seu equipamento. Descobrir em qual deles você quer trabalhar é a decisão que vem antes de escolher o modelo.
Escrevo isto como piloto com cadastro ativo no SISANT e apuro os números deste texto direto na base de dados abertos da ANAC, com o mesmo tratamento que sustenta o Observatório do Drone no Brasil.
Leituras relacionadas para aprofundamento
- O ranking geral: os drones mais usados do país
- Drone agrícola: quanto custa, quanto retorna e o que exige
- Topografia com drone: como começar e cobrar
- Inspeção de linhas de transmissão com drone
- Piloto de drone no serviço público
- Fotografia e filmagem aérea: o guia de quem vende imagem
- Observatório do Drone no Brasil: o corte por ramo sempre atualizado
Fontes consultadas
- Base de dados abertos do SISANT/ANAC, arquivo
SISANT.csvcom carimbo Atualizado em 2026-08-04 e 177.631 cadastros vigentes, apurado por mim. - Os mesmos números, atualizados a cada publicação da ANAC, no Observatório do Drone no Brasil.
- ANAC, RBAC nº 100, categorias de operação por risco. Texto oficial.
- MAPA, Portaria SDA nº 1.187/2024, requisitos para operação aeroagrícola com aeronave remotamente pilotada.
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