
Atualizado em 05/08/2026
A ANAC publica o SISANT em dados abertos todo dia, e guarda um retrato mensal desde 2022. Quase ninguém olha para trás nesse arquivo. Eu baixei 18 desses retratos, de agosto de 2022 a julho de 2026, contei um por um e montei a série. Ela mostra o crescimento que se esperava, uma queda brutal que nunca existiu de verdade, e uma aceleração em 2026 que tem nome e data.
Resposta direta antes do detalhamento: a base do SISANT saiu de 100.456 cadastros em agosto de 2022 para 177.631 em agosto de 2026. No meio do caminho existe uma armadilha: entre fevereiro e março de 2025 a base perde 61.337 registros de um mês para o outro, o que parece um colapso e não é. A ANAC apenas parou de listar cadastros vencidos. E o achado mais forte está no fim: entre fevereiro e julho de 2026 o Brasil somou 35.365 cadastros em cinco meses, contra 4.330 na mesma janela de 2025. Oito vezes mais rápido, puxado pelo uso recreativo, exatamente quando a ICA 100-40 passou a exigir autorização de voo para todo drone.
A série completa, de 2022 a 2026
Cada ponto abaixo é um arquivo diferente, publicado pela ANAC no mês correspondente. Não é estimativa nem projeção: é a contagem de linhas de cada snapshot.
| Mês | Cadastros na base | Recreativo | Não recreativo |
|---|---|---|---|
| ago/2022 | 100.456 | 55.651 | 44.656 |
| ago/2023 | 120.550 | 62.570 | 57.603 |
| ago/2024 | 161.359 | 76.081 | 84.784 |
| fev/2025 | 185.034 | 85.600 | 98.897 |
| mar/2025 | 123.697 | 49.495 | 73.852 |
| ago/2025 | 128.027 | 48.970 | 78.634 |
| fev/2026 | 141.670 | 52.970 | 88.085 |
| jul/2026 | 177.035 | 69.495 | 106.744 |
A queda de 61 mil drones que nunca aconteceu
Entre fevereiro e março de 2025 a base cai de 185.034 para 123.697. São 61.337 registros a menos, ou 33,2%, em trinta dias. Se você comparar 2024 com 2026 sem saber disso, vai concluir que o mercado brasileiro de drone encolheu. Não encolheu.
O que mudou foi o critério do arquivo: até fevereiro de 2025 o SISANT publicado incluía cadastros vencidos; de março em diante passou a listar apenas os vigentes. A frota não sumiu, o passivo saiu da vitrine.
E a limpeza não foi uniforme, o que é a parte interessante. O uso recreativo perdeu 42,2% (de 85.600 para 49.495) contra 25,3% do não recreativo (de 98.897 para 73.852). Faz todo sentido: quem cadastra por hobby esquece de renovar, quem depende do drone para trabalhar não esquece.
A corrida de 2026, e o que a provocou
Agora a comparação limpa, com os dois períodos já sob o mesmo critério.
De março a agosto de 2025, cinco meses, o Brasil somou 4.330 cadastros. De fevereiro a julho de 2026, a mesma janela de cinco meses, somou 35.365.
Oito vezes mais rápido. E o detalhe que fecha o raciocínio: o uso recreativo cresceu 31,2% no período (de 52.970 para 69.495), acima dos 21,2% do não recreativo. Foi o piloto de fim de semana que correu para o cadastro.
A data explica. Em 1º de julho de 2026 entrou em vigor a nova ICA 100-40, que acabou com a dispensa de autorização de voo para o drone leve: o SARPAS passou a ser exigido para todos, independentemente do peso. E o SARPAS não tem cadastro próprio de aeronave, ele só exibe o que vem sincronizado do SISANT.
Ou seja: a ANAC continua não exigindo o cadastro por peso, mas quem tem um drone de 249 gramas e quer voar legalmente precisa do SISANT para conseguir pedir autorização ao DECEA. A série mostra essa fila se formando em dado público. Eu já tinha descrito o mecanismo no guia do sub-250 g; aqui está a evidência de que ele funcionou.

O que mudou na composição da frota
A série também mostra uma virada silenciosa de perfil. Em agosto de 2022, o recreativo era maioria: 55.651 contra 44.656 de uso não recreativo. A inversão acontece no fim de 2023, e a distância não parou de crescer desde então.
Em julho de 2026 são 106.744 cadastros não recreativos contra 69.495 recreativos. O drone brasileiro deixou de ser majoritariamente brinquedo em algum ponto entre 2023 e 2024, e hoje quase dois terços da base está registrada para alguma forma de trabalho.
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Como eu montei a série, para você poder refazer
Transparência de método, porque essa série não existe pronta em lugar nenhum:
- A ANAC mantém uma pasta de histórico com 49 arquivos mensais do SISANT, desde agosto de 2022.
- Baixei 18 deles, em passo trimestral, mais o de março de 2025 por causa da mudança de critério.
- De cada arquivo extraí só as estatísticas e apaguei o CSV, para não acumular centenas de megabytes.
- Contei linhas e prefixos de cadastro, que são campos sem ambiguidade de interpretação.
- Deliberadamente não publiquei aqui a série de participação por fabricante: ela depende de como se normaliza um campo digitado à mão, e eu não quis misturar um número de definição com números de contagem.
Os cortes do retrato mais recente, atualizados a cada publicação da ANAC, ficam no Observatório do Drone no Brasil.

Perguntas frequentes
Quantos drones estão cadastrados no Brasil?
São 177.631 cadastros vigentes na base de 4 de agosto de 2026. Em agosto de 2022 eram 100.456, o que representa um crescimento de 76,8% em quatro anos.
O mercado de drones brasileiro caiu em 2025?
Não. A base publicada cai de 185.034 para 123.697 entre fevereiro e março de 2025, mas isso é mudança de critério: a ANAC passou a listar apenas cadastros vigentes, deixando de incluir os vencidos. A frota real não diminuiu.
Por que houve tantos cadastros novos em 2026?
Entre fevereiro e julho de 2026 o Brasil somou 35.365 cadastros, contra 4.330 na mesma janela de 2025. A explicação mais direta é a ICA 100-40, em vigor desde 1º de julho de 2026, que passou a exigir autorização de voo para todo drone e empurrou o operador de drone leve para o SISANT.
A maioria dos drones do Brasil é de uso profissional?
Sim, e já faz tempo. Em julho de 2026 são 106.744 cadastros não recreativos contra 69.495 recreativos. A inversão aconteceu no fim de 2023.
Onde encontro os dados históricos do SISANT?
A ANAC mantém uma pasta de histórico no portal de dados abertos, com arquivos mensais desde agosto de 2022. São 49 arquivos disponíveis no momento desta apuração.
Dá para comparar qualquer ano da série?
Só com cuidado. Números anteriores a março de 2025 incluem cadastros vencidos e não são comparáveis diretamente com os posteriores. Sempre que comparar, declare a quebra.
Conclusão
Série histórica de dado público é onde as narrativas erradas nascem e morrem. Nessa aqui morreu a ideia de que o mercado brasileiro encolheu em 2025, que é só uma troca de critério mal lida. E nasceu uma evidência concreta: a mudança de regra do DECEA em 1º de julho empurrou dezenas de milhares de pilotos para o cadastro, e dá para ver isso acontecendo mês a mês. O arquivo é público, o método está descrito acima, e qualquer pessoa pode refazer.
Escrevo isto como piloto com cadastro ativo no SISANT e apuro os números deste texto direto na base de dados abertos da ANAC, com o mesmo tratamento que sustenta o Observatório do Drone no Brasil.
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Fontes consultadas
- ANAC, dados abertos do SISANT, arquivo corrente e pasta de histórico mensal desde agosto de 2022. sistemas.anac.gov.br/dadosabertos.
- Base de dados abertos do SISANT/ANAC, arquivo
SISANT.csvcom carimbo Atualizado em 2026-08-04 e 177.631 cadastros vigentes, apurado por mim. - DECEA, ICA 100-40 (edição 2026, Portaria nº 2.094/DNOR8), em vigor desde 1º de julho de 2026: acesso ao espaço aéreo mediante autorização para toda aeronave não tripulada.
- Os mesmos números, atualizados a cada publicação da ANAC, no Observatório do Drone no Brasil.
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