
Atualizado em 20/10/2026
Gostou do conteúdo? Siga o Irlen Menezes no Google e veja mais dos nossos guias nas buscasQuase todo texto sobre o mercado de drones no Brasil repete o mesmo número solto, sem dizer de onde veio nem de quando é. Resolvi fazer diferente: baixei o arquivo público do SISANT, o cadastro oficial de aeronaves não tripuladas da ANAC, e contei linha por linha. O resultado desenha um mercado bem diferente do que o senso comum sugere, e explica por que a maior parte das vagas de piloto não está onde o iniciante procura.
Resposta direta, atualizada em 18 de outubro de 2026: o SISANT tem 190.063 drones com cadastro vigente no Brasil, 4.047 a mais do que em 20 de setembro. Desses, 75.276 são de uso recreativo (prefixo PR), 113.846 de uso não recreativo (PP) e 941 de operação avançada (PS), ou seja, 60,4% dos drones cadastrados no país trabalham. São 146.324 aeronaves em nome de pessoa física e 43.739 em nome de empresa ou órgão público, distribuídas entre 11.949 CNPJ. Os números atuais saem do Observatório do Drone no Brasil e do boletim de outubro.
A análise detalhada abaixo foi feita sobre o arquivo de 27 de julho de 2026 (175.990 cadastros) e cada número dela vem datado. Naquela base, a DJI respondia por 84,5% da frota, quase metade dos equipamentos pesava até 250 gramas e o cadastro cresceu 38,3% em doze meses, um ritmo de cerca de 6,2 mil novos drones por mês.
O total: 175.990 drones com cadastro vigente
O arquivo público do SISANT publicado em 27 de julho de 2026 traz 175.990 registros de aeronaves com cadastro vigente. Esse é o número que vale como fotografia oficial da frota regularizada no Brasil, e ele não mede quantos drones foram vendidos no país: o cadastro só enxerga o que foi registrado.
Vale entender o que o número inclui. O SISANT registra a aeronave, não o piloto, e o cadastro tem prazo de validade. Pelo RBAC 100 (seção 100.301, parágrafo c), o cadastro não revalidado em até 6 meses depois de vencido é inativado, e, desde março de 2025, o arquivo público lista apenas os cadastros vigentes. Por isso o total mede a frota ativa e regular, que é justamente o retrato que interessa a quem quer trabalhar com isso.
Como esse número foi apurado
A maioria dos drones cadastrados no Brasil não é de hobby
Esta é a descoberta que mais contraria o senso comum: o uso não recreativo já é maioria absoluta do cadastro. O prefixo do código de identificação separa os dois mundos, e a conta é direta: 69.072 aeronaves com prefixo PR, de uso recreativo, contra 106.127 com prefixo PP, de uso não recreativo, mais 791 com prefixo PS, a faixa de operação avançada.
Em proporção, 39,2% de recreativo contra 60,8% de não recreativo. Ou seja, a cada dez drones regularizados no país, seis trabalham. Isso muda a leitura do mercado: o cadastro não é dominado por quem comprou um drone para filmar a viagem de família, e sim por quem usa o equipamento como ferramenta de trabalho.
Um detalhe técnico que confunde muita gente e que a base confirma: o prefixo PR é o do uso recreativo e o PP é o do uso não recreativo. O mnemônico que circula por aí, associando PP a particular e PR a profissional, está invertido. Na base de 27 de julho, todas as 69.072 aeronaves com prefixo PR aparecem com ramo de atividade recreativo, o que fecha a prova.
Pessoa física e pessoa jurídica: quem é o dono da frota
Das 175.990 aeronaves, 133.858 estão no nome de pessoa física e 41.839 no nome de empresa ou órgão público. Contando os documentos distintos, a base traz 11.574 CNPJ diferentes e cerca de 103.546 CPF diferentes, o que dá algo próximo de 115 mil operadores cadastrados no país.
O número de pessoas físicas é um piso, não um teto: no arquivo público o CPF aparece parcialmente mascarado, então documentos diferentes podem se sobrepor na contagem. Já a contagem de CNPJ é confiável, porque vem completa. E é ela que interessa a quem procura emprego: existem hoje mais de 11 mil empresas e órgãos com drone regularizado no Brasil, e é nesse grupo que a contratação acontece.

Para que os drones brasileiros estão registrados
O campo de ramo de atividade do SISANT é a melhor radiografia disponível do que o mercado brasileiro faz com drone. Depois do uso recreativo, a liderança é do audiovisual, seguida pelo agronegócio e pelos serviços técnicos.
Chama atenção o tamanho da aeropublicidade com 6.781 aeronaves, faixa que inclui os shows de drones com letreiros luminosos. E a soma de segurança pública e defesa civil com órgãos de fiscalização passa de dez mil aeronaves, o que faz do Estado brasileiro um dos maiores operadores de drone do país.
O que a frota diz sobre equipamento: DJI e o peso
A DJI aparece em 84,5% dos cadastros, somando os registros em que a marca está no campo de fabricante ou no de modelo. Não existe segundo colocado próximo: o fabricante seguinte na base tem menos de dois por cento do total. Para quem vai investir em equipamento, isso tem uma consequência prática, que é a facilidade de encontrar peça, assistência e conteúdo técnico.
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Na distribuição de peso, 87.170 aeronaves declaram até 250 gramas, 67.400 ficam entre 250 gramas e 2 quilos e 9.798 entre 2 e 25 quilos. Quase metade da frota regularizada é, portanto, da categoria mais leve, aquela que dominou o mercado de consumo. Um alerta de transparência: cerca de 940 registros trazem peso zerado ou implausível, quase sempre porque o operador digitou o valor em gramas no campo que pede quilos. É pouco no total, mas mostra que o dado bruto precisa de cuidado antes de virar estatística.
O crescimento: 38,3% em doze meses
Comparando os arquivos mensais publicados pela ANAC, a frota regularizada saiu de 127.251 cadastros em julho de 2025 para 175.990 em julho de 2026, um avanço de 38,3%. Só em 2026 o ritmo é de aproximadamente 6,2 mil novos cadastros por mês.
Aqui entra uma ressalva metodológica que quase ninguém observa e que muda o resultado. Os arquivos históricos do SISANT até fevereiro de 2025 listavam também cadastros já vencidos, enquanto os arquivos de março de 2025 em diante trazem apenas registros vigentes. Quem compara um arquivo de 2024 com um de 2026 acha uma queda que nunca existiu. Por isso a série deste post começa em março de 2025, quando o critério passou a ser o mesmo.
O trecho mais acelerado é justamente o do primeiro semestre de 2026, período em que o novo regulamento da ANAC entrou em vigor e o assunto ganhou espaço no noticiário. Entre março e junho de 2026, foram mais de 20 mil cadastros novos em três meses.

Perguntas frequentes
Quantos drones estão cadastrados no Brasil em 2026?
São 190.063 aeronaves com cadastro vigente no SISANT, conforme o arquivo público da ANAC de 18 de outubro de 2026 (eram 175.990 em 27 de julho e 186.016 em 20 de setembro). O número mede a frota regularizada, e não o total de drones vendidos no país, que o cadastro não informa. A cada base nova, os números são atualizados no Observatório do Drone.
A maioria dos drones no Brasil é de uso profissional?
Sim. 106.127 aeronaves têm prefixo PP, de uso não recreativo, contra 69.072 com prefixo PR, de uso recreativo. Em proporção, 60,8% do cadastro é de uso não recreativo, o que inclui trabalho remunerado, uso corporativo e operação de órgão público.
Qual a diferença entre os prefixos PP, PR e PS do SISANT?
PR identifica a aeronave de uso recreativo, PP a de uso não recreativo e PS a operação da faixa avançada, que na base de julho de 2026 soma apenas 791 aeronaves. O mnemônico popular que troca PP por particular e PR por profissional está invertido e leva o piloto a errar o cadastro.
Quantas empresas têm drone cadastrado no Brasil?
O arquivo traz 11.574 CNPJ distintos, responsáveis por 41.839 aeronaves. É esse grupo que concentra as contratações, seja em vaga formal, seja em contrato de prestação de serviço.
Qual a participação da DJI no mercado brasileiro?
A DJI aparece em 84,5% dos cadastros do SISANT. Nenhum outro fabricante chega a dois por cento da frota registrada, o que faz da marca o padrão de fato no Brasil, tanto no consumo quanto no uso profissional.
Quantos drones do governo estão cadastrados?
Somando os ramos de segurança pública e defesa civil (7.780 aeronaves) e de órgãos de fiscalização de entidades estatais (2.448), o poder público passa de dez mil drones cadastrados, sem contar registros que descrevem a atividade com outra redação.
De onde vêm esses números?
Do arquivo SISANT.csv, publicado pela ANAC no portal de dados abertos e atualizado diariamente. Baixei a versão de 27 de julho de 2026 e fiz a contagem por conta própria, cruzando tipo de uso, prefixo, fabricante, peso e ramo de atividade.
Cadastro vencido continua na lista pública?
Não. Desde março de 2025 o arquivo público lista apenas cadastros vigentes. Isso é importante para quem compara séries históricas, porque os arquivos anteriores a essa data incluíam registros já vencidos e não são comparáveis com os atuais.
Conclusão
O retrato é de um mercado que virou profissional sem que o discurso acompanhasse: seis em cada dez drones regularizados no Brasil trabalham, mais de onze mil empresas têm equipamento em nome próprio e o cadastro cresce a quase duas centenas de aeronaves por dia. Para quem quer entrar, a boa notícia é que a demanda está registrada em dado público. A má notícia é que ela não está distribuída como o iniciante imagina, e é isso que os próximos textos desta série destrincham.
Escrevo isto como piloto que passou pela avaliação teórica da ANAC, mantém cadastro ativo no SISANT e acompanha o mercado de perto desde antes do RBAC 100. Os números deste texto foram apurados na fonte, não copiados de outros blogs.
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Fontes consultadas
- ANAC, dados abertos, arquivo SISANT.csv e pasta Historico (versão de 27/07/2026): sistemas.anac.gov.br/dadosabertos
- ANAC, Sistema de Aeronaves Não Tripuladas (SISANT): gov.br/anac
- ANAC, RBAC 100 (Resolução nº 805/2026), em vigor desde 16/06/2026








