
Atualizado em 07/10/2026
O drone chegou, a bateria está cheia, o controle liga, e na hora de voar o DJI Fly avisa que o aparelho está vinculado a outra conta. Para quem comprou usado, é o susto da semana. O Google completa a busca sozinho, “drone dji vinculado a outra conta”, o que mostra que muita gente passa por isso. E tem o outro lado, que quase ninguém conta: para o dono que teve o drone furtado, esse mesmo vínculo é uma das melhores provas de que o aparelho é dele. Li o artigo oficial da DJI sobre revinculação, o formulário de pedido de desvínculo, as orientações da ANAC sobre o SISANT e o Código Civil para explicar o que fazer em cada caso.
Por Irlen Menezes, cientista de dados formado pela PUC Minas, com experiência em legislação e regulação de drones no Brasil.
Resposta direta: só quem é dono da conta DJI consegue desvincular o drone. O caminho oficial é pedir ao antigo dono que faça isso no DJI Fly, em Perfil, Gerenciamento de dispositivos. Se você não consegue falar com ele, a DJI tem um formulário que pede o número de série do drone e do controle e um e-mail; ela avisa o titular, mas, se ele não responder ou recusar, a própria DJI diz que não tem como desvincular. Quem comprou usado e recebeu o drone preso pode reclamar com o vendedor como vício oculto, em 30 dias (Código Civil, arts. 441 e 445). E quem achou um drone vinculado não tem o que desvincular: o drone não é seu.
O que é o vínculo de conta da DJI e o que ele trava
Na primeira ativação, o drone, o controle e a conta DJI de quem ativou ficam ligados entre si. É automático. O artigo da central de ajuda da DJI sobre drones de segunda mão explica que, quando o aparelho é vendido ou dado de presente sem que o antigo dono troque a conta associada, o novo usuário pode esbarrar num aviso de restrição de voo. A DJI recomenda refazer o vínculo depois de toda venda ou presente, para, em tradução livre, “completar a relação de vínculo e a verificação de propriedade”.
O que trava, segundo o mesmo artigo, depende de qual peça está fora do lugar:
- Controle que não é o vinculado ao drone: o app avisa que o dispositivo não está vinculado e o número de voos fica limitado.
- Conta diferente da vinculada: o voo funciona, mas só a conta vinculada consegue gerar o relatório de fuga (Flyaway Report) se o drone sumir, e reparos podem ser afetados.
- Controle com tela ou app sem internet por mais de 90 dias: o app desconecta a conta, e voar sem conta logada limita o drone a 30 metros de altura e 50 metros de distância.

A lista de modelos que o artigo cobre inclui as linhas Mavic (do Mavic 3 ao Mavic 4 Pro), Air (do Mavic Air 2 ao Air 3S), Mini (do Mini 2 ao Mini 4 Pro e Mini 4K), além do Flip, do Neo e dos Avata. Se o seu modelo é mais novo e não aparece ali, o caminho no app é o mesmo, mas confira na central de ajuda da DJI.
Só o dono da conta desvincula: o caminho oficial
A DJI é direta nesse ponto: apenas o titular da conta tem o direito de desvincular o drone, e a razão declarada é proteger a propriedade do produto e a privacidade do usuário. O antigo dono faz isso de longe, sem precisar do drone na mão. O roteiro oficial tem três passos:
- O antigo dono desvincula. No DJI Fly, com a conta antiga: Perfil, Gerenciamento de dispositivos, escolher o aparelho, remover da conta, conferir a conta e o número de série (SN) e confirmar.
- Você vincula na sua conta. Com a sua conta logada e drone, controle e celular conectados, o mesmo caminho, conferindo conta e SN.
- Você vincula o controle ao drone. Em Gerenciamento de dispositivos, “Value-added Service”, “Bind New Device”, conferindo o SN do drone e do controle.
E quando o vendedor sumiu? Aí entra o formulário de pedido de desvínculo da DJI. Fui ver o que ele pede: o motivo (empresa, segunda mão, presente, conta antiga inativa ou apagada, conta errada, outro), o número de série do drone, o número de série do controle e um e-mail. Não pede nota fiscal nem comprovante de compra. E a própria página avisa o limite do pedido:
“DJI will notify the original account holder based on the information you provide. The unbinding operation needs to be performed by the original account holder.”
DJI, Precautions for Rebinding Second-hand Drones (central de ajuda), consulta em 07/10/2026

Traduzindo: a DJI avisa o titular, e quem desvincula continua sendo ele. Se ele não responder ou recusar, a DJI diz que não pode ajudar. Ela também não conta se o desvínculo foi feito, por privacidade; você confere sozinho, no Gerenciamento de dispositivos do app. Ou seja, o formulário é uma tentativa, não uma garantia. Por isso o momento certo de resolver isso é antes de pagar.
Comprei usado e veio vinculado: o que a lei diz
Drone que não voa direito porque está preso à conta de outra pessoa é um problema que você não vê na hora da compra. Para venda entre particulares, o Código Civil chama isso de vício oculto: a coisa pode ser enjeitada quando tem defeito escondido que a torne imprópria ao uso ou diminua o valor (art. 441). Você pode devolver e pegar o dinheiro de volta ou pedir abatimento no preço (art. 442). Se o vendedor sabia do problema, devolve o que recebeu com perdas e danos; se não sabia, devolve o valor e as despesas do contrato (art. 443).

O prazo é curto: 30 dias para coisa móvel, contados da entrega (art. 445). Se o defeito só aparece depois, o prazo conta de quando você soube dele, até o limite de 180 dias (art. 445, § 1º). Se você comprou de uma loja de usados, a relação é de consumo, e o Código de Defesa do Consumidor dá 90 dias para reclamar de vício aparente em produto durável (art. 26, II). A primeira coisa a fazer, em qualquer caso, é mandar mensagem por escrito ao vendedor pedindo o desvínculo e guardar a resposta.
| Situação | O que fazer | Base |
|---|---|---|
| Vendedor responde | Peça que ele remova o drone da conta no DJI Fly; confira no seu app | Artigo da DJI |
| Vendedor sumiu | Formulário de desvínculo da DJI e cobrança por escrito ao vendedor | Artigo e formulário da DJI |
| Vendedor se recusa | Devolver o drone ou pedir abatimento, em até 30 dias da entrega | Código Civil, arts. 441, 442 e 445 |
| Comprou de loja de usados | Reclamar com a loja; prazo de 90 dias para produto durável | CDC, arts. 18 e 26, II |
| Vendedor não explica a origem | Pare e desconfie: pode ser produto de furto | Código Penal, art. 180 |
A última linha da tabela não é exagero. Quem vende um drone que é seu desvincula em dois minutos, pelo celular, sem nem ver o aparelho. Vendedor que enrola, some ou diz que “não consegue” é sinal que merece atenção. A checagem completa antes de comprar está em DJI usado vale a pena: o que verificar.

Ganhei de presente ou achei: os outros dois casos
Presente. Doação também transfere o drone, e a lei aceita até a doação verbal de coisa móvel de pequeno valor, quando a entrega acontece logo em seguida (Código Civil, art. 541, parágrafo único). O problema não é jurídico, é prático: quem deu esqueceu de tirar o drone da conta. Peça a ele, que faz pelo celular. O formulário da DJI tem a opção “recebido de presente” para quando a pessoa não está mais acessível.
Achado. Aqui não existe desvínculo a pedir. Quem acha coisa alheia perdida tem de devolver ao dono ou entregar à autoridade (Código Civil, art. 1.233), e ficar com o drone por mais de 15 dias é crime de apropriação de coisa achada (Código Penal, art. 169, parágrafo único, II). Tentar trocar a conta de um drone achado é tratá-lo como seu. O caminho para chegar ao dono, pelo código PP ou PR e pela base pública do SISANT, está em achei um drone: posso ficar com ele?.
O outro lado: o vínculo como prova de que o drone é seu
Para quem é dono, o vínculo é uma proteção. A DJI recomenda que o antigo dono só desvincule depois que a venda ou o presente estiver concluído, para evitar perda de bens. Faz sentido: enquanto o drone estiver na sua conta, ninguém consegue tirá-lo de lá sem você. Se ele for furtado, o vínculo, o número de série e a nota fiscal formam um conjunto difícil de contestar.
Vale entender a diferença para o cadastro da ANAC, que muita gente usa como se fosse documento de propriedade. Não é. Na página de transferência do SISANT, a ANAC escreve com todas as letras:
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“O cadastro no SISANT apenas reflete a pessoa responsável pela operação do drone e não necessariamente o proprietário da aeronave.”
ANAC, página de transferência do SISANT, consulta em 07/10/2026

A certidão do SISANT, segundo as orientações da ANAC, identifica o responsável legal pela operação e não confere título de propriedade. Então, como prova de que o drone é seu, a ordem de força é: nota fiscal no seu nome, número de série que bate com a nota, vínculo na sua conta DJI e, por último, o cadastro do SISANT. Se o drone foi levado, o roteiro das primeiras horas está em drone roubado ou furtado: o que fazer.
E se você está vendendo, faça as duas coisas no dia da entrega: remova o drone da sua conta DJI e transfira o cadastro no SISANT para o comprador, como explicado em vendi meu drone: como transferir o SISANT. Uma não resolve a outra.
RBAC 100, 100.1(e); ICA 100-40, arts. 19, § 4º, e 53
E o drone de até 250 g, que nem sempre tem cadastro?
Formalmente, o RBAC 100 (item 100.1(e)) dispensa do cadastro ANAC o drone de até 250 g operado até 120 m em linha de visada. Na prática, desde 1º de julho de 2026 a ICA 100-40 exige autorização SARPAS para todo voo a céu aberto, inclusive sub-250 g, e o SARPAS pede o número do SISANT: quem voa fora de casa acaba cadastrando de qualquer forma. O vínculo da DJI vale para o Mini e o Neo do mesmo jeito.

Perguntas frequentes
Comprei um drone DJI usado e ele está vinculado a outra conta. O que faço?
Peça ao vendedor que remova o drone da conta dele no DJI Fly (Perfil, Gerenciamento de dispositivos). Ele faz isso de longe. Depois, vincule o drone na sua conta e o controle ao drone, como manda o artigo da DJI sobre drones de segunda mão.
Seu drone passaria numa fiscalização?
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A DJI desvincula o drone se eu mandar a nota fiscal?
Não. O formulário de desvínculo pede o número de série do drone e do controle e um e-mail, não pede nota. A DJI avisa o titular, e quem desvincula é ele. Se ele não responder ou recusar, a DJI diz que não pode ajudar.
Dá para voar com o drone vinculado a outra conta?
Depende do que está fora do lugar. Segundo a DJI, com conta diferente o voo funciona, mas o relatório de fuga só sai pela conta vinculada; com controle não vinculado, o número de voos fica limitado; e sem conta logada há mais de 90 dias, o drone fica preso a 30 metros de altura e 50 de distância.
O vendedor não desvincula. Posso devolver o drone?
Na venda entre particulares, o Código Civil trata o defeito oculto como motivo para devolver ou pedir abatimento (arts. 441 e 442), em até 30 dias da entrega (art. 445). De loja, o CDC dá 90 dias para produto durável (art. 26, II).
Achei um drone DJI. Posso vinculá-lo na minha conta?
Não. Drone achado tem de voltar ao dono ou ser entregue à autoridade (Código Civil, art. 1.233), e ficar com ele por mais de 15 dias é crime (Código Penal, art. 169, parágrafo único, II).
O cadastro do SISANT prova que o drone é meu?
Não. A ANAC diz que o cadastro reflete o responsável pela operação e não necessariamente o proprietário. Para provar propriedade, valem a nota fiscal, o número de série e o vínculo na sua conta DJI.
Vendi meu drone. Preciso fazer alguma coisa na DJI?
Sim: remova o drone da sua conta no DJI Fly depois que a venda estiver concluída, como recomenda a DJI, e transfira o cadastro do SISANT para o comprador. São dois passos separados.
Ganhei um drone de presente e está na conta de quem me deu. E agora?
Peça a quem deu para remover o drone da conta no DJI Fly. Se a pessoa não estiver acessível, o formulário da DJI tem a opção de presente, mas o desvínculo continua dependendo do titular.
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Fontes consultadas
- DJI, Precautions for Rebinding Second-hand Drones (central de ajuda): passos de desvínculo, limites de voo e FAQ, consulta em 07/10/2026.
- DJI, Aircraft and Remote Controller Unbinding Request (formulário oficial): campos pedidos e avisos, consulta em 07/10/2026.
- ANAC, SISANT, Transferência e Orientações aos usuários do SISANT: cadastro não é registro de propriedade.
- Código Civil (Lei nº 10.406/2002): arts. 441, 442, 443, 445, 541 e 1.233.
- Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990): arts. 18 e 26.
- Código Penal (Decreto-Lei nº 2.848/1940): arts. 169 e 180.
- ANAC, RBAC nº 100: item 100.1(e).
- DECEA, ICA 100-40: arts. 19, § 4º, e 53.
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