
Atualizado em 21/06/2026
Resposta direta: o espaço aéreo controlado é a porção do céu onde o controle de tráfego aéreo presta serviço e coordena cada voo (normalmente perto de aeroportos e em rotas movimentadas, dentro de ATZ, CTR e TMA). O espaço aéreo não controlado é o restante, longe de aeródromos, onde o drone tem mais liberdade de altura, até 120 metros AGL na categoria aberta. Mas atenção ao ponto que mais confunde: com a ICA 100-40 (edição 2026, em vigor desde 1º de julho de 2026), todo voo de drone precisa de autorização no SARPAS antes de decolar, inclusive o sub-250 g. O mapa do SARPAS mostra o nível de coordenação em cores: verde (solicitação simples, aprovação rápida), amarelo (exige coordenação e prazo maior) e vermelho (proibido). Não controlado não quer dizer sem autorização: quer dizer menos coordenação.
Essa é a parte da regulamentação que mais assusta o iniciante, porque envolve siglas de aviação. Mas a ideia central é simples: o céu é dividido em pedaços, alguns vigiados de perto pelo controle e outros livres, e o seu drone precisa saber em qual pedaço vai voar antes de decolar.
Como piloto registrado no SISANT que opera em área urbana do Rio de Janeiro, lido com espaço controlado o tempo todo: quase toda a cidade está sob alguma camada de controle, e ignorar isso é a forma mais rápida de voar ilegal sem perceber.
O que é espaço aéreo controlado e não controlado?
Espaço aéreo controlado é aquele em que o controle de tráfego aéreo presta serviço e exige autorização para entrar; espaço aéreo não controlado é onde não há esse controle ativo. O Brasil segue a classificação da OACI (classes A a G) implementada pelo DECEA. Áreas com tráfego intenso, como o entorno de aeroportos e as aerovias, são controladas. O campo aberto, longe de aeródromo, costuma ser não controlado, e é onde o drone tem mais liberdade até os 120 metros.

As classes de espaço aéreo (A a G), sem complicar
O espaço aéreo é dividido em sete classes, de A a G: as classes A a E são controladas, a F é de serviço consultivo e a G é não controlada. Para drone, o que importa é saber se o seu ponto cai numa classe controlada (vai precisar de coordenação) ou na classe G, não controlada. Você não precisa decorar as sete: precisa consultar o mapa e entender que, quanto mais perto de aeroporto e rota, mais “controlada” e restritiva fica a classe.
ATZ, CTR e TMA: as siglas que importam pro drone
ATZ, CTR e TMA são as porções de espaço aéreo controlado em torno de aeroportos, e é onde o drone mais esbarra em restrição. A ATZ (Zona de Tráfego de Aeródromo) protege o tráfego ao redor do aeródromo; a CTR (Zona de Controle) é um cilindro de cerca de 5 a 15 NM de raio que começa no solo; e a TMA (Área de Controle Terminal) é maior, geralmente começando entre 1.000 e 2.000 pés e subindo. Se o seu ponto de voo está dentro de uma dessas, você está em espaço controlado e precisa de autorização.
Com a ICA 100-40 (edição 2026), o acesso ao espaço aéreo deve ser solicitado no SARPAS para toda aeronave não tripulada, inclusive abaixo de 250 g. A única dispensa é a operação recreativa realizada em um Espaço Aéreo Condicionado destinado à recreação, com altura máxima de 200 pés (60 metros). — Síntese das regras de acesso ao espaço aéreo do DECEA (ICA 100-40, edição 2026)

Preciso de autorização mesmo no espaço não controlado?
Sim. Com a ICA 100-40 (edição 2026), nenhuma aeronave não tripulada acessa o espaço aéreo sem solicitar autorização no SARPAS, inclusive o drone de até 250 g. Estar em espaço não controlado, no “verde” do mapa, não dispensa o pedido: apenas torna a solicitação simples, com aprovação rápida. A única exceção é a operação recreativa feita dentro de um Espaço Aéreo Condicionado (EAC) destinado à recreação, até 60 metros. Fora disso, mesmo em área rural distante de aeroportos, você solicita o SARPAS, mantém a linha de visada (VLOS), respeita os 30 metros de pessoas e tem o cadastro em dia.
Como checar o espaço aéreo do seu ponto (passo a passo)
A forma certa de saber se o seu local é controlado é consultar o mapa do SARPAS antes de cada voo, e não confiar na memória. O sistema do DECEA mostra as zonas e diz se você precisa solicitar acesso.
- Abra o mapa do SARPAS (sistema do DECEA) e localize o ponto exato da operação.
- Verifique a cor e as camadas sobre o ponto: verde, amarelo ou vermelho, e quais ATZ/CTR/TMA incidem.
- Confira a altura pretendida contra o limite daquela área (muitas vezes menor que 120 m perto de aeródromo).
- Abra a solicitação de acesso e aguarde a autorização antes de voar: no verde costuma sair rápido; no amarelo, exige coordenação e prazo maior.
- Se for vermelho, não voe: escolha outro local ou busque autorização específica do responsável pela área.
Controlado não quer dizer proibido
Estar em espaço aéreo controlado não proíbe o voo: significa que ele depende de autorização e coordenação com o controle de tráfego aéreo. Muita operação profissional acontece dentro de CTR e TMA, com SARPAS aprovado e, quando necessário, coordenação direta com a torre. O que não pode é entrar no controlado por conta própria, sem pedir. A diferença entre o profissional e o amador é justamente saber pedir e esperar a autorização antes de subir.
Perguntas frequentes
O que é espaço aéreo controlado para drone?
É a porção do céu onde o controle de tráfego aéreo presta serviço e exige autorização para qualquer voo. Fica tipicamente perto de aeroportos e em rotas, dentro de ATZ, CTR e TMA. Para voar drone ali, é preciso solicitar acesso pelo SARPAS e aguardar a aprovação.
Existe lugar onde voo drone sem pedir autorização?
Praticamente não. Com a ICA 100-40 (edição 2026), todo voo de drone solicita autorização no SARPAS, inclusive o sub-250 g. A única dispensa é a operação recreativa dentro de um Espaço Aéreo Condicionado destinado à recreação, até 60 metros. No espaço não controlado (verde), você ainda solicita, mas a aprovação costuma ser rápida. Mantenha também linha de visada, 30 metros de pessoas e cadastro em dia.
O que significam ATZ, CTR e TMA?
São porções de espaço aéreo controlado em torno de aeroportos. ATZ é a zona de tráfego do aeródromo; CTR é um cilindro de cerca de 5 a 15 NM que começa no solo; TMA é a área terminal maior, que costuma começar entre 1.000 e 2.000 pés. Dentro delas, o voo exige autorização.
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Como sei se meu local é controlado ou não?
Consultando o mapa do SARPAS, do DECEA. Ele mostra as zonas em verde, amarelo e vermelho e indica quais camadas de controle incidem sobre o ponto. É a forma confiável de descobrir, em vez de confiar na intuição ou na distância aparente do aeroporto.
O que querem dizer as cores verde, amarelo e vermelho?
Verde indica solicitação simples e aprovação rápida, amarelo indica coordenação e prazo maior, e vermelho indica área proibida. As cores mostram o nível de coordenação daquele ponto, não se você pode pular o pedido: nos casos verde e amarelo, a solicitação no SARPAS continua necessária. Confira também a altura permitida, que pode ser menor que 120 metros.
Aeromodelo precisa de autorização de espaço aéreo?
A única dispensa de SARPAS é a operação recreativa feita em um Espaço Aéreo Condicionado (EAC) destinado à recreação, com altura máxima de 200 pés (60 metros). Fora dessas áreas, o aeromodelo precisa de autorização como qualquer outro drone, e o voo sempre segue as regras da ICA 100-40.
Posso voar drone dentro de uma CTR?
Pode, desde que com autorização. Estar em CTR não proíbe o voo, mas exige solicitação pelo SARPAS e, em alguns casos, coordenação com a torre. Muita operação profissional acontece em CTR com tudo autorizado.
Espaço aéreo controlado é o mesmo que FRZ?
São coisas relacionadas, mas não idênticas. A FRZ é uma zona de restrição de voo específica, geralmente ligada a aeródromos. O espaço aéreo controlado é o conceito mais amplo de classes e áreas (ATZ, CTR, TMA). Na prática, ambos sinalizam que você precisa de autorização.
Quase toda cidade grande é espaço controlado?
Boa parte sim, porque as grandes cidades têm aeroportos e TMAs extensas. Por isso, em área urbana, o normal é precisar de autorização. Não presuma que um parque no meio da cidade é livre: consulte o mapa do SARPAS antes.
O drone avisa quando entro em espaço controlado?
Às vezes, mas não confie nisso. Apps de fabricantes como a DJI têm zonas GEO que alertam ou bloqueiam perto de aeroportos, porém essas bases nem sempre refletem a regulamentação brasileira. A fonte oficial é o mapa do SARPAS, não o app do drone.
Conclusão: saiba o pedaço de céu antes de subir
Entender espaço aéreo controlado x não controlado é o que separa quem voa legal de quem voa no escuro. O controlado (ATZ, CTR, TMA, perto de aeroportos) exige coordenação; o não controlado, longe de aeródromo, dá mais liberdade de altura, até 120 metros. Mas, com a ICA 100-40 (edição 2026), a solicitação no SARPAS é obrigatória em todo voo, inclusive no sub-250 g: no verde ela sai rápido, no amarelo exige coordenação. O mapa do SARPAS traduz tudo em verde, amarelo e vermelho. Consulte e solicite sempre antes de decolar, porque controlado não é proibido, é só pedir e esperar.
Para a estrutura completa da norma, veja o guia completo da ICA 100-40 e aprofunde no hub da ICA 100-40. Para o detalhe das zonas de aeroporto, vale o material de zonas restritas no hub da ICA 100-40.
Leituras relacionadas
- Zonas de aeroporto: Como saber se posso voar perto do aeroporto
- Glossário de zonas: FRZ, EAC e ZAD: as zonas restritas
- Altura permitida: Até quantos metros o drone pode subir
- Pedir autorização: Como pedir autorização no SARPAS
Fontes oficiais consultadas
- DECEA — Acesso ao espaço aéreo por drones, ICA 100-40 e SARPAS
- DECEA — Estrutura do espaço aéreo brasileiro (classes OACI, ATZ, CTR, TMA), ICA 100-12
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