
Atualizado em 25/08/2026
Pergunte num grupo de pulverização qual é a melhor marca de drone agrícola e você vai receber opinião de vendedor, de piloto apaixonado e de quem nunca subiu um tanque de calda. Eu preferi outro caminho: baixei a base pública do SISANT, o cadastro de aeronaves não tripuladas da ANAC, e contei aeronave por aeronave o que os operadores agrícolas do país realmente registram. O resultado tem um líder esmagador, um vice sólido e uma cauda cheia de nomes que quase ninguém cita nas rodas de conversa.
Resposta direta: na base pública do SISANT de 23 de agosto de 2026, o Brasil tinha 13.224 drones de uso agrícola com cadastro válido, e a DJI responde por 83,9% deles com a linha Agras. A XAG vem em segundo, com 9,1%, e nenhuma outra marca passa de 2%: XFly (1,6%), GTEEX (1,2%) e EAVision (1,2%) completam as cinco primeiras. Dentro da DJI, três famílias quase empatam na liderança: Agras T40 (18,3% da frota DJI), T25 (18,0%) e T50 (17,8%). O drone agrícola típico é pesado: a mediana é 90 kg de peso máximo de decolagem, e 83,3% da frota passa de 25 kg, ou seja, opera fora da categoria aberta do RBAC 100.
Como este ranking foi feito (e por que ele não é opinião)
Todo drone com peso máximo de decolagem acima de 250 g precisa estar cadastrado no SISANT, e a ANAC publica essa base em arquivo aberto, linha por linha. Filtrei as aeronaves declaradas para uso agrícola, com cadastro válido, e agrupei por fabricante e por modelo. É o retrato mais honesto que existe do que voa de verdade na lavoura brasileira: ninguém cadastra drone de 90 kg por hobby.
Uma ressalva que separa este texto de um anúncio: cadastro não é venda. O ranking mede o que os operadores registraram e mantêm válido, não o faturamento de cada marca no ano. Para medir mercado em uso, porém, é difícil ter proxy melhor: drone agrícola sem cadastro não consegue operar regularmente.
O ranking de marcas, aeronave por aeronave
O gráfico abaixo resume a disputa. Não há suspense: a liderança da DJI é da ordem de grandeza que transforma o segundo colocado em nicho e o resto em margem de erro.
| Posição | Marca | Aeronaves | Participação |
|---|---|---|---|
| 1ª | DJI (linha Agras) | 11.089 | 83,9% |
| 2ª | XAG | 1.209 | 9,1% |
| 3ª | XFly | 213 | 1,6% |
| 4ª | GTEEX | 155 | 1,2% |
| 5ª | EAVision | 153 | 1,2% |
| 6ª | Joyance | 49 | 0,4% |
| 7ª | TopXGun | 39 | 0,3% |
| 8ª | SkyDrones | 18 | 0,1% |
| Outras (Yamaha, Pyka, EFT, Brouav, fabricação própria e mais) | 299 | 2,3% |
A leitura fria: de cada 6 drones agrícolas cadastrados no Brasil, 5 são DJI. A XAG, gigante chinesa especializada só em agricultura, é a única que construiu uma base relevante fora desse guarda-chuva. As demais vivem de nichos regionais, de projetos específicos ou de revenda com pacote de serviço embutido.
Dentro da DJI: as famílias Agras que carregam a lavoura
Falar em DJI agrícola é falar da linha Agras. E a distribuição interna surpreende: não há um modelo dominante, e sim um pelotão de frente com três gerações quase empatadas.
| Família Agras | Aeronaves | % da frota DJI agrícola |
|---|---|---|
| T40 | 2.028 | 18,3% |
| T25 | 1.991 | 18,0% |
| T50 | 1.972 | 17,8% |
| T20P | 1.059 | 9,6% |
| T25P | 857 | 7,7% |
| T70P | 771 | 7,0% |
| T100 | 706 | 6,4% |
| T10 | 424 | 3,8% |
| T30 | 275 | 2,5% |

Repare no movimento das pontas: o T70P e o T100, lançamentos mais recentes e maiores, já somam juntos mais de 1.400 cadastros, enquanto o veterano T10 minguou. A frota agrícola troca de geração rápido. Se a sua dúvida é entre os dois modelos mais disputados do momento, comparei o Agras T25 e o T50 em detalhe aqui.
XAG, as chinesas de nicho e as brasileiras
A XAG é o contraponto interessante do mercado: enquanto a DJI vende de drone de bolso a cinema, a XAG só faz agricultura. Na base do SISANT, a marca aparece com 1.209 aeronaves, puxadas pelo P100 Pro (458 cadastros) e pelo P150 (390), seu topo de linha. Depois vêm P100 (126), P60 (119) e os antigos V50 e V40, já residuais.
Na cauda do ranking mora um Brasil pouco contado. A SkyDrones, gaúcha, tem 18 aeronaves agrícolas na base. A Xmobots, de São Carlos, aparece pouco como fabricante agrícola, mas surge com força do outro lado do balcão: é o segundo maior operador agrícola do país, com 86 aeronaves cadastradas no próprio CNPJ, atrás apenas da Natutec (158), distribuidora que opera frota própria. E há até uma Yamaha na lista, com 11 unidades, herança dos helicópteros agrícolas não tripulados que a marca fez antes de o multirrotor dominar tudo. Somando tudo que declara fabricação própria, são cerca de 30 aeronaves construídas por quem opera.
O drone agrícola típico: 90 kg, CNPJ e categoria específica
A frota agrícola não é uma versão maior do drone de câmera. É outra espécie. A comparação com o restante do cadastro brasileiro deixa isso visível:
Esse peso muda a régua regulatória inteira. A categoria aberta do RBAC 100 termina em 25 kg, e 83,3% da frota agrícola passa disso: essas operações vivem na categoria específica, com autorização da ANAC, avaliação de risco e exigências que o piloto de drone de câmera nunca viu de perto. As regras completas do drone agrícola estão neste guia, incluindo a parte que não é ANAC: o registro da operação no MAPA e a autorização de voo no DECEA.

O mercado ainda cresce? O que os últimos 12 meses mostram
Dos 13.224 drones agrícolas válidos hoje, 8.822 entraram no cadastro nos últimos 12 meses: 66,7% da frota tem menos de um ano de registro. Poucas curvas dizem “mercado aquecido” com tanta clareza.
Também vale registrar quem opera: são 8.864 operadores agrícolas distintos na base, uma média de 1,5 aeronave por operador. O grosso do mercado é o produtor ou o prestador com um ou dois drones, não a mega frota. Para quem pensa em entrar nesse mercado como piloto, este é o caminho da carreira agrícola e esta é a conta do custo por hectare.
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Perguntas frequentes sobre marcas de drone agrícola
Qual é a marca de drone agrícola mais usada no Brasil?
A DJI, com folga. Na base pública do SISANT de 23 de agosto de 2026, a linha DJI Agras soma 11.089 aeronaves agrícolas com cadastro válido, o que dá 83,9% da frota do país. A segunda colocada é a XAG, com 9,1%.
Qual é o modelo de drone agrícola mais cadastrado?
O DJI Agras T40, com 2.028 aeronaves, mas por muito pouco: o T25 (1.991) e o T50 (1.972) estão praticamente empatados com ele. As três famílias juntas são mais da metade da frota DJI agrícola.
A XAG é boa alternativa à DJI?
É a única marca fora da DJI com escala real no Brasil: 1.209 aeronaves cadastradas, puxadas pelo P100 Pro e pelo P150. A decisão prática costuma se resolver menos pela ficha técnica e mais pela assistência técnica e pela rede de peças disponível na sua região.
Existe drone agrícola brasileiro?
Existe, mas em escala pequena. A SkyDrones aparece com 18 aeronaves agrícolas na base, a Xmobots surge mais como operadora (86 aeronaves no próprio CNPJ) do que como fabricante agrícola, e cerca de 30 registros declaram fabricação própria.
Quantos drones agrícolas existem no Brasil em 2026?
13.224 aeronaves de uso agrícola com cadastro válido no SISANT, na base pública de 23 de agosto de 2026. Isso representa 7,29% de toda a frota de drones cadastrada no país.
Drone agrícola entra na categoria aberta do RBAC 100?
Quase nunca. A categoria aberta vai até 25 kg de peso em voo, e 83,3% da frota agrícola passa disso (a mediana é 90 kg). Essas operações caem na categoria específica, que exige autorização da ANAC e avaliação de risco.
Preciso de CNPJ para operar drone agrícola?
Não é obrigatório ter CNPJ para cadastrar, mas o perfil do segmento é bem mais empresarial que o resto do mercado: 47% das aeronaves agrícolas estão em CNPJ, contra 23,3% da frota geral. Além do cadastro na ANAC, a operação agrícola exige registro no MAPA e autorização de voo pelo DECEA.
O mercado de drone agrícola ainda está crescendo?
Sim. Dois terços da frota atual (66,7%) entraram no cadastro nos últimos 12 meses, num ritmo que passa de 700 aeronaves novas por mês, com pico de 937 em outubro de 2025.
Cadastro no SISANT é o mesmo que autorização para pulverizar?
Não. O SISANT registra a aeronave na ANAC. A operação agrícola ainda precisa do registro no MAPA (o lado agronômico) e da autorização de acesso ao espaço aéreo pelo DECEA. São três órgãos diferentes, cada um cuidando de uma parte.
De onde vêm os números deste ranking?
Da base pública de drones cadastrados que a ANAC publica em dados abertos, na atualização de 23 de agosto de 2026. Filtrei as aeronaves de uso agrícola com cadastro válido e agrupei por fabricante e modelo. Qualquer pessoa pode baixar o mesmo arquivo e refazer a conta.
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Fontes e referências
- ANAC, base pública de drones cadastrados (SISANT.csv), arquivo de dados abertos com atualização de 23/08/2026, usado em toda a contagem deste post.
- RBAC nº 100, Emenda nº 00 (PDF oficial), em vigor desde 16/06/2026: limites da categoria aberta (100.5) e seguro (100.37).
- Observatório do Drone Brasil, onde acompanho a frota completa do SISANT mês a mês, com a mesma metodologia.
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