
Atualizado em 24/06/2026
Resposta rápida: a categoria Certificada é o nível mais alto de exigência do RBAC 100 e vale para operações de risco elevado — quando o drone transporta artigos perigosos de alto risco ou quando a ANAC entende que o risco da operação não pode ser mitigado sem certificação. Nesses casos, o drone precisa de Certificado de Tipo (nos moldes do RBAC 21, como uma aeronave tripulada), além de certificação do operador e do piloto. Na prática, em 2026 ela atinge poucos casos: delivery em escala, táxi aéreo (eVTOL), transporte de carga perigosa e algumas operações críticas de segurança pública e energia. O piloto comum, de aerofoto ou inspeção, quase nunca cai aqui.
Se você já entendeu que o RBAC 100 dividiu os drones em três categorias por risco — Aberta, Específica e Certificada — este guia fecha a trilogia explicando a mais avançada delas. É a categoria que menos gente vai usar, mas a que mais gera dúvida, porque envolve um conceito que assusta: certificar uma aeronave não tripulada quase como se certifica um avião de verdade.
Na prática do dia a dia, atendendo operações de aerofoto e inspeção, eu nunca precisei da categoria Certificada — e a maioria dos pilotos profissionais também não. Mas entender onde ela começa é o que evita dois erros opostos: achar que “drone grande já é certificado” e, do outro lado, tentar fazer uma operação de alto risco achando que basta a categoria Específica.
As três categorias do RBAC 100, em uma olhada
O RBAC 100 abandonou a antiga classificação por peso (as “Classes 1, 2 e 3” do RBAC-E 94) e passou a organizar tudo por nível de risco da operação. São três degraus, do mais simples ao mais exigente.
A maioria esmagadora dos voos cabe na Aberta. Quando você estoura um limite — voa acima de 120 m, passa de 25 kg, faz BVLOS ou se aproxima de pessoas —, sobe para a Específica. A Certificada é outro patamar: não é só uma operação mais arriscada, é uma operação cujo risco a ANAC considera só aceitável com a aeronave, o operador e o piloto formalmente certificados. Se você ainda tem dúvida de onde o seu drone se encaixa, comece pelo guia de decisão: Aberta, Específica ou Certificada — qual é a do seu drone.
O que define a categoria Certificada
O RBAC 100 estabelece dois gatilhos principais para a Certificada. Basta um deles para a operação cair nesse nível.
O segundo gatilho é o mais importante de entender. A categoria Específica resolve a maioria das operações de risco médio com uma avaliação de risco e uma autorização operacional. Quando nem isso é suficiente — porque uma falha colocaria muitas pessoas em perigo grave —, a ANAC sobe a régua e exige certificação. É a diferença entre “provar que a operação é segura” e “provar que a própria aeronave foi certificada para aquilo”.

O que a categoria Certificada exige
Aqui mora a diferença de escala. Enquanto a Específica certifica a operação, a Certificada certifica o conjunto inteiro: a aeronave, quem opera e quem pilota. É o regime mais próximo da aviação tripulada que existe para drones.
O Certificado de Tipo é o coração disso. Ele atesta que o projeto da aeronave atende a requisitos de segurança — o mesmo princípio que se aplica a um avião comercial, sob o RBAC 21. É um processo longo, caro e conduzido pelo fabricante junto à ANAC, não algo que o piloto resolve sozinho. Some a isso a certificação do operador e a licença do piloto, e fica claro por que a Certificada é território de empresas e fabricantes, não de operadores individuais. Sobre a parte do piloto, vale lembrar que mesmo fora da Certificada já existe a avaliação teórica da ANAC para pilotar drone.
Quem realmente cai na categoria Certificada em 2026
Na vida real, o universo da Certificada ainda é pequeno no Brasil. Ele se concentra em operações que ou transportam algo perigoso, ou colocam o drone voando de forma autônoma e em larga escala sobre gente. Os casos típicos:
Note o que não está aqui: aerofoto, cinegrafia, inspeção de telhado, topografia, casamento, agro de pequeno e médio porte. Tudo isso vive na Aberta ou na Específica. Se a sua operação cresceu de complexidade mas ainda não envolve carga perigosa nem voo autônomo sobre multidões, o caminho mais provável é a categoria Específica e sua autorização da ANAC, não a Certificada.

O que isso muda para o piloto comum
Para a maior parte de quem lê este texto, a categoria Certificada é uma fronteira que você precisa conhecer, mas dificilmente vai cruzar. O valor de entender essa categoria é estratégico: ela mostra até onde a sua operação pode crescer sem mudar de regime, e sinaliza o momento em que um projeto (delivery, eVTOL, BVLOS em escala) deixa de ser “uma operação grande” e vira “um programa de certificação”.
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Perguntas frequentes
O que é a categoria Certificada do RBAC 100?
É o nível mais alto de exigência do RBAC 100, destinado a operações de risco elevado. Ela se aplica quando o drone transporta artigos perigosos de alto risco a terceiros ou quando a ANAC entende que o risco da operação só é aceitável com certificação. Exige Certificado de Tipo da aeronave, além de certificação do operador e do piloto.
Quando o drone precisa de Certificado de Tipo?
Quando a operação se enquadra na categoria Certificada. O Certificado de Tipo, nos moldes do RBAC 21, atesta que o projeto da aeronave atende a requisitos de segurança, de forma semelhante ao que ocorre com aviões tripulados. É um processo conduzido pelo fabricante junto à ANAC.
Meu drone profissional de aerofoto é categoria Certificada?
Quase certamente não. Aerofoto, cinegrafia, inspeção e mapeamento vivem na categoria Aberta ou na Específica. A Certificada só alcança operações de alto risco, como delivery em escala, táxi aéreo, transporte de carga perigosa e operações críticas de grande porte.
Qual a diferença entre categoria Específica e Certificada?
A Específica resolve operações de risco médio com avaliação de risco e autorização operacional da ANAC — certifica a operação. A Certificada exige certificar o conjunto inteiro: aeronave (Certificado de Tipo), operador e piloto. É o regime mais próximo da aviação tripulada e vale para riscos que não podem ser mitigados sem certificação.
O que é o RBAC 21 citado na categoria Certificada?
O RBAC 21 é a norma que trata da certificação de produtos aeronáuticos no Brasil, incluindo o Certificado de Tipo. Na categoria Certificada, a aeronave não tripulada passa por um processo de certificação de projeto inspirado nessa norma, tratada com rigor semelhante ao de uma aeronave tripulada.
Quem opera drone de delivery precisa da categoria Certificada?
Em geral, sim, quando a operação é autônoma, em escala e sobre área urbana. O delivery por drone é um dos casos típicos da Certificada em 2026, junto de táxi aéreo (eVTOL), transporte de carga perigosa e operações críticas de segurança pública e energia.
A categoria Certificada já é comum no Brasil?
Não. Em 2026 o mercado da Certificada ainda é pequeno e concentrado em projetos pioneiros: pilotos de delivery em áreas específicas, estudos de eVTOL em fase pré-operacional e operações críticas de empresas de energia e segurança pública. A imensa maioria dos voos permanece na Aberta ou na Específica.
Conclusão
A categoria Certificada é o topo da pirâmide do RBAC 100 — o nível para operações em que o risco só se torna aceitável com a aeronave, o operador e o piloto formalmente certificados. Ela vale para um grupo restrito de operações de alto risco, como delivery em escala, eVTOL e carga perigosa, e por isso raramente toca o piloto profissional comum. Conhecê-la, porém, é o que dá clareza sobre os limites das outras categorias e sobre o futuro do mercado. Domine primeiro a base — categoria certa, cadastro, autorização e seguro — e você estará pronto para acompanhar a fronteira quando ela chegar até você.
Fontes e referências
- ANAC — RBAC nº 100, Emenda nº 00 (categorias de operação por risco; categoria Certificada): gov.br/anac
- ANAC — RBAC nº 21 (certificação de produto aeronáutico e Certificado de Tipo)
- ANAC — notícia de apresentação do novo regulamento de drones (RBAC 100): gov.br/anac/noticias
- ANAC — Resolução nº 805/2026, que aprovou o RBAC 100 (em vigor desde 16/06/2026)
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