
Atualizado em 20/10/2026
Entre 5 e 13 de setembro de 2026, o céu da Cidade do Rock recebe seis apresentações de drones luminosos. A maior delas, no dia 11, coloca 1.500 aeronaves sincronizadas no ar, voando a cerca de 300 metros de altura e formando imagens de até 400 metros de largura. É o maior espetáculo do tipo já feito na América Latina, e ele levanta uma pergunta que quase ninguém responde direito: como um enxame desse tamanho é legal num país em que a norma do DECEA diz, com todas as letras, que aeronave autônoma não pode acessar o espaço aéreo brasileiro?
Resposta direta: um show de drones não é um voo autônomo, é um voo programado sob comando de um piloto remoto que pode intervir e abortar a qualquer momento, e essa diferença é o que o torna legal. A ICA 100-40 proíbe a aeronave autônoma, aquela que não permite intervenção do piloto no gerenciamento do voo (art. 19, § 2º), e o RBAC 100 exige um piloto remoto na estação de pilotagem em todas as fases do voo (100.23). Como o show voa acima de 120 metros, ele sai da categoria aberta, cai na categoria específica e exige segregação de espaço aéreo divulgada por produto AIS (ICA 100-40, art. 25). Cada uma das 1.500 aeronaves precisa de cadastro próprio na ANAC, com validade de 24 meses (RBAC 100.301). Uma referência internacional de 2026, publicada por um fornecedor (Kpower), coloca um show entre US$ 15 mil e mais de US$ 150 mil, dependendo da quantidade de drones e da complexidade da animação.
O que vai ao ar no Rock in Rio 2026
A operação foi anunciada em blocos, com quantidade crescente de aeronaves. Vale olhar a progressão, porque ela conta uma história técnica: enxame maior não é só mais drone, é mais tempo de programação, mais bateria carregada em paralelo e mais gente na equipe de solo.
| Data | Quantidade de drones | Observação |
|---|---|---|
| 5 de setembro | 500 | Primeira apresentação da série |
| 6 de setembro | 750 | Segunda noite |
| 7 de setembro | 750 | Terceira noite |
| 11 de setembro | 1.500 | Apresentação com Alok, 45 dançarinos e cenografia de LED |
| 12 de setembro | 750 | Penúltima noite |
| 13 de setembro | 1.500 | Encerramento, show “Por Um Mundo Melhor” |
Para dar escala
A pergunta que a norma brasileira faz primeiro: isso é voo autônomo?
Este é o ponto que separa quem entende de quem repete release. A ICA 100-40 tem um parágrafo curto e cortante no art. 19:
As UA autônomas não são objeto desta regulamentação e não estão autorizadas a acessar o espaço aéreo brasileiro.
ICA 100-40 (DECEA), art. 19, § 2º

E a mesma norma define, na lista de conceitos, o que é aeronave autônoma: a que não permite a intervenção do piloto no gerenciamento do voo. A definição é a chave. Um show de drones é coreografado por software, com cada trajetória calculada antes, mas a operação mantém estação de pilotagem ativa, telemetria e a capacidade de interromper tudo. Se um drone sai da formação, o sistema o retira; se o vento passa do limite, a equipe aborta. Isso é voo programado com piloto em comando, não voo autônomo.
Por que isso importa para você, que não vai fazer show nenhum
Por que o show não cabe na categoria aberta
O RBAC 100 organiza toda operação de drone em três categorias. A aberta é a do voo comum, e ela tem cinco condições cumulativas (100.5(a)(1)): peso em voo de até 25 kg, VLOS ou EVLOS, até 120 metros AGL, área distante de terceiros e avaliação de risco operacional. Um show que passe de 120 metros de altura ou sobrevoe público não cabe nela:
Saindo da aberta, a operação vai para a categoria específica, que tem regras próprias na Subparte B do regulamento e exige avaliação de risco operacional. Dependendo da complexidade da operação ou do cenário padrão, a ANAC exige o COE, o Cadastro de Operador de UA na categoria específica: documento emitido pela ANAC que comprova que o operador passou pelo processo de cadastramento e cumpre os requisitos da operação pretendida (100.3 e Subparte F). É a Subparte F inteira do RBAC 100, criada na revisão que entrou em vigor em 16 de junho de 2026.
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O espaço aéreo: como se pede permissão para 1.500 aeronaves
Voo acima de 120 metros não é pedido comum no SARPAS. A ICA 100-40 é direta no art. 25: operações BVLOS, acima de 400 pés (120 m) AGL ou com aeronave acima de 25 kg só acontecem mediante segregação do espaço aéreo, e ficam condicionadas à divulgação por produto AIS. Traduzindo: o pedaço de céu é reservado, publicado no sistema aeronáutico e os demais operadores ficam sabendo.
RBAC 100 · seção 100.301(b)
1.500 drones significam 1.500 cadastros
Quantas pessoas pilotam um show de 1.500 drones
A resposta que decepciona: não são 1.500 pilotos. O RBAC 100 exige a presença de um piloto remoto requerido para a operação na estação de pilotagem durante todas as fases do voo, admitindo troca durante a operação desde que haja procedimento claro sobre quando terminam as atribuições de um e começam as do outro, sem qualquer vazio de responsabilidade. A norma fala em estação de pilotagem, não em um controle por aeronave.
E há um segundo dispositivo que fecha o raciocínio, na alínea seguinte: um piloto remoto somente pode operar uma única aeronave por vez, exceto se de outra forma autorizado pela ANAC (100.23(b)). Ou seja, a regra padrão do país é um piloto para um drone. Para um enxame operar dentro da norma, é preciso essa autorização expressa da ANAC, que é mais uma camada que o organizador precisa ter e que ninguém vê da arquibancada.
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Para organizar o raciocínio, vale dividir o trabalho em três frentes (divisão didática deste texto, não um organograma oficial de produtora):

A bateria limita o tempo de voo de cada aeronave, e é por isso que um show de drones é curto: ele é limitado pela energia, não pelo roteiro.
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Quanto custa contratar um show de drones
Não existe tabela pública brasileira, e quem promete preço fechado sem briefing está chutando. Uma referência internacional de 2026, publicada por um fornecedor (Kpower), coloca a faixa entre US$ 15 mil e mais de US$ 150 mil por evento, e o que move o valor dentro dessa faixa é previsível:
- Quantidade de aeronaves. Quanto mais aeronaves, mais programação, bateria e equipe de solo.
- Animação sob medida x biblioteca pronta. Figura customizada é hora de programação, e hora de programação é a parte cara.
- Local e deslocamento. Transportar centenas de aeronaves e baterias tem restrição própria, inclusive aérea.
- Licenciamento. Segregação de espaço aéreo, coordenação com o órgão regional e seguro entram na conta.
- Janela climática. Vento e chuva cancelam. Contrato sério prevê data reserva, e data reserva custa.
O argumento que está vendendo shows de drones no Brasil
O que prefeituras brasileiras pagaram
A faixa internacional ajuda pouco a quem está montando o orçamento de uma festa aqui. Os contratos publicados no PNCP dão a referência brasileira, e conferi cada um na API do portal:
| Quem contratou | O que comprou | Valor | Data | Fonte |
|---|---|---|---|---|
| Guapimirim (RJ) | Shows de drones nas festas do calendário oficial, contrato de 12 meses | R$ 2.505.300,00 | 02/12/2025 | PNCP |
| Guapimirim (RJ) | Novo contrato com o mesmo objeto, também de 12 meses | R$ 2.147.400,00 | 22/07/2026 | PNCP |
| Jateí (MS) | Um show de 300 drones com fogos, mínimo de 10 minutos e 12 imagens, na Festa da Fogueira (valor estimado no pregão) | R$ 277.000,00 | edital de 09/06/2026 | PNCP |
| Carmo do Rio Claro (MG) | Um show de luzes com drones na abertura do Natal, em 07/12/2025 | R$ 62.000,00 | 05/12/2025 | PNCP |
Leia os números com o objeto ao lado. Os dois contratos de Guapimirim são de 12 meses e cobrem as apresentações do calendário de festas, não um show só. O de Jateí ainda é estimativa de edital, sem preço fechado. O retrato mais limpo de um show único é o de Carmo do Rio Claro: R$ 62 mil por uma noite de Natal.
No topo da escala está o Réveillon do Rio. Segundo o balanço oficial do Centro de Operações Rio, o show da virada de 2026 em Copacabana teve 1,2 mil drones, durante o set do DJ Alok, e foi tratado como a maior apresentação do tipo em grandes eventos na América Latina. Se a dúvida é levar o seu drone para filmar a virada, a resposta está em drone em evento, show e Réveillon.
Quero trabalhar com isso. Por onde se começa
Não encontrei fonte pública sobre como as produtoras contratam. O caminho abaixo é uma leitura a partir da norma e das etapas do show, em ordem de barreira de entrada:
- Exame teórico da ANAC. É o piso de qualquer função de voo desde o RBAC 100. Gratuito e online. A Resolução ANAC 805 (art. 2º, parágrafo único) dispensa o 100.13(b) até 31 de dezembro de 2026, e a aprovação passa a ser exigida a partir de 1º de janeiro de 2027.
- Equipe de campo. É a porta de entrada real: montagem de grade, gestão de baterias, checagem pré-voo e recolhimento. Não exige pilotagem, exige método.
- Programação de coreografia. Quem domina o software de trajetória e entende tempo musical fica com a parte técnica do projeto.
- Operação em categoria específica. Para quem quer montar empresa, o caminho é o COE, com manual de operações e estrutura auditável.
Se o seu interesse é o mercado de drone em geral, e não só o espetáculo, os números de onde o dinheiro está estão em os 7 nichos mais lucrativos de drone no Brasil e a formação de preço de serviço em quanto cobrar por um voo de drone.
E se eu quiser voar o meu drone perto de um show desses?
Não voe. É a resposta curta e ela tem três razões que se somam:
- O espaço aéreo está segregado. Voar dentro de área reservada e publicada em produto AIS é acesso irregular ao espaço aéreo e pode gerar processo administrativo.
- Há muito público embaixo. Para drones sob o RBAC 100, a distância mínima de 30 metros de pessoas não anuentes torna quase impossível um voo legal em festival, e a ICA 100-40 exige autorização no SARPAS para voo a céu aberto, inclusive com drone de até 250 g.
- O risco físico é real. Colisão com uma aeronave do enxame derruba as duas e joga destroços sobre o público. É o tipo de acidente que responde no cível e no criminal.
O detalhamento do que a lei permite em evento, show e festa está em drone em evento, show e festa, e a régua de distância está em a regra dos 30 metros.
Perguntas frequentes sobre show de drones
Quantos drones vão voar no Rock in Rio 2026?
Até 1.500 por apresentação. São seis shows: 500 em 5 de setembro, 750 nos dias 6, 7 e 12, e 1.500 nos dias 11 e 13, este último no encerramento do festival.
Show de drones é voo autônomo?
Não, e é por isso que ele pode existir no Brasil. A ICA 100-40 proíbe a aeronave autônoma, definida como a que não permite intervenção do piloto no gerenciamento do voo. No show, a trajetória é programada, mas o piloto remoto mantém autoridade e pode abortar.
Quanto custa um show de drones?
De US$ 15 mil a mais de US$ 150 mil por evento, segundo uma referência de 2026 publicada por um fornecedor internacional (Kpower). O que move o valor é a quantidade de aeronaves, a complexidade da animação, o deslocamento e o licenciamento. No Brasil, uma prefeitura de Minas pagou R$ 62 mil por um show de Natal em 2025, e um pregão de Mato Grosso do Sul estimou R$ 277 mil para 300 drones com fogos.
Quantos pilotos são necessários?
Um piloto remoto em comando na estação de pilotagem, não um por aeronave. O RBAC 100.23 exige a presença de piloto remoto requerido em todas as fases do voo, com troca permitida mediante procedimento claro. O resto da equipe é campo, programação e sistema.
Cada drone do show precisa de cadastro na ANAC?
Precisa. O RBAC 100.301(b) manda cadastrar toda UA e vinculá-la a um CPF ou CNPJ. O cadastro vale 24 meses e é inativado em definitivo se não for revalidado em até 6 meses após o vencimento.
Que altura um show de drones alcança?
No Rock in Rio, cerca de 300 metros. Como passa de 120 metros, a operação exige segregação de espaço aéreo e divulgação por produto AIS, conforme o art. 25 da ICA 100-40.
Quanto tempo dura um show de drones?
Poucos minutos. O limite é a bateria. O show do Réveillon de Copacabana de 2026, por exemplo, durou 10 minutos, segundo o vídeo citado neste texto.
Posso subir meu drone para filmar o show?
Não. O espaço aéreo está segregado, há muito público no solo e uma colisão com o enxame joga destroços sobre o público. Além da infração, existe responsabilidade civil e penal pelo resultado.
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Fontes e referências
- RBAC 100 EMD 00 (ANAC), em vigor desde 16/06/2026: seções 100.5 (categorias), 100.11 e 100.23 (piloto remoto em comando, estação de pilotagem e a regra de uma aeronave por piloto), 100.13(b) (exame teórico), 100.301 (cadastro e validade de 24 meses), 100.37 (seguro) e Subparte F (COE).
- ICA 100-40 (DECEA), edição 2026, PDF oficial: art. 19 e § 2º (aeronave autônoma não autorizada, print reproduzido acima), art. 25 (segregação acima de 120 m) e definição de aeronave não tripulada autônoma.
- Cyberdrone, Rock in Rio 2026: show de drones no Brasil: datas, quantidade de aeronaves por noite e formato das apresentações.
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- Kpower, Preços do Drone Show: quanto custam os Drone Shows em 2026: faixa de US$ 15 mil a US$ 150 mil e fatores de formação de preço.
- SARPAS (DECEA): sistema de solicitação de acesso ao espaço aéreo.
- ANAC, Piloto remoto: exame teórico de conhecimentos.








