
Atualizado em 05/09/2026
Entre 5 e 13 de setembro de 2026, o céu da Cidade do Rock recebe seis apresentações de drones luminosos. A maior delas, no dia 11, coloca 1.500 aeronaves sincronizadas no ar, voando a cerca de 300 metros de altura e formando imagens de até 400 metros de largura. É o maior espetáculo do tipo já feito na América Latina, e ele levanta uma pergunta que quase ninguém responde direito: como um enxame desse tamanho é legal num país em que a norma do DECEA diz, com todas as letras, que aeronave autônoma não pode acessar o espaço aéreo brasileiro?
Resposta direta: um show de drones não é um voo autônomo, é um voo programado sob comando de um piloto remoto que pode intervir e abortar a qualquer momento, e essa diferença é o que o torna legal. A ICA 100-40 proíbe a aeronave autônoma, aquela que não permite intervenção do piloto no gerenciamento do voo (art. 19, § 2º), e o RBAC 100 exige um piloto remoto na estação de pilotagem em todas as fases do voo (100.23). Como o show voa acima de 120 metros, ele sai da categoria aberta, cai na categoria específica e exige segregação de espaço aéreo divulgada por produto AIS (ICA 100-40, art. 25). Cada uma das 1.500 aeronaves precisa de cadastro próprio na ANAC, com validade de 24 meses (RBAC 100.301). No mercado internacional, um show custa de US$ 15 mil a mais de US$ 150 mil, dependendo da quantidade de drones e da complexidade da animação.
O que vai ao ar no Rock in Rio 2026
A operação foi anunciada em blocos, com quantidade crescente de aeronaves. Vale olhar a progressão, porque ela conta uma história técnica: enxame maior não é só mais drone, é mais tempo de programação, mais bateria carregada em paralelo e mais gente na equipe de solo.
| Data | Quantidade de drones | Observação |
|---|---|---|
| 5 de setembro | 500 | Primeira apresentação da série |
| 6 de setembro | 750 | Segunda noite |
| 7 de setembro | 750 | Terceira noite |
| 11 de setembro | 1.500 | Apresentação com Alok, 45 dançarinos e cenografia de LED |
| 12 de setembro | 750 | Penúltima noite |
| 13 de setembro | 1.500 | Encerramento, show “Por Um Mundo Melhor” |
Para dar escala
A pergunta que a norma brasileira faz primeiro: isso é voo autônomo?
Este é o ponto que separa quem entende de quem repete release. A ICA 100-40 tem um parágrafo curto e cortante no art. 19:
As UA autônomas não são objeto desta regulamentação e não estão autorizadas a acessar o espaço aéreo brasileiro.
ICA 100-40 (DECEA), art. 19, § 2º

E a mesma norma define, na lista de conceitos, o que é aeronave autônoma: a que não permite a intervenção do piloto no gerenciamento do voo. A definição é a chave. Um show de drones é coreografado por software, com cada trajetória calculada antes, mas a operação mantém estação de pilotagem ativa, telemetria e a capacidade de interromper tudo. Se um drone sai da formação, o sistema o retira; se o vento passa do limite, a equipe aborta. Isso é voo programado com piloto em comando, não voo autônomo.
Por que isso importa para você, que não vai fazer show nenhum
Por que o show não cabe na categoria aberta
O RBAC 100 organiza toda operação de drone em três categorias. A aberta é a do voo comum, e ela tem quatro condições cumulativas. O show de drones falha em pelo menos três:
Saindo da aberta, a operação vai para a categoria específica, que tem regras próprias na Subparte B do regulamento e exige avaliação de risco operacional. E, para operar profissionalmente nessa categoria, entra em cena o COE, o Cadastro de Operador de UA na categoria específica, documento emitido pela ANAC que comprova que a empresa passou pelo processo de cadastramento, tem manual de operações, pessoal de administração designado e procedimentos auditáveis. É a Subparte F inteira do RBAC 100, criada na revisão que entrou em vigor em 16 de junho de 2026.

O espaço aéreo: como se pede permissão para 1.500 aeronaves
Voo acima de 120 metros não é pedido comum no SARPAS. A ICA 100-40 é direta no art. 25: operações BVLOS, acima de 400 pés (120 m) AGL ou com aeronave acima de 25 kg só acontecem mediante segregação do espaço aéreo, e ficam condicionadas à divulgação por produto AIS. Traduzindo: o pedaço de céu é reservado, publicado no sistema aeronáutico e os demais operadores ficam sabendo.
RBAC 100 · seção 100.301(b)
1.500 drones significam 1.500 cadastros
Quantas pessoas pilotam um show de 1.500 drones
A resposta que decepciona: não são 1.500 pilotos, e provavelmente não são nem dez. O RBAC 100 exige a presença de um piloto remoto requerido para a operação na estação de pilotagem durante todas as fases do voo, admitindo troca durante a operação desde que haja procedimento claro sobre quando terminam as atribuições de um e começam as do outro, sem qualquer vazio de responsabilidade. A norma fala em estação de pilotagem, não em um controle por aeronave.
E há um segundo dispositivo que fecha o raciocínio, na alínea seguinte: um piloto remoto somente pode operar uma única aeronave por vez, exceto se de outra forma autorizado pela ANAC (100.23(b)). Ou seja, a regra padrão do país é um piloto para um drone. O enxame só existe porque a ANAC autoriza expressamente a exceção, dentro da categoria específica. É mais uma camada de licença que o organizador precisa ter e que ninguém vê da arquibancada.
O que existe de verdade em campo, numa operação desse porte, é uma equipe dividida assim:

O tempo de voo de cada aeronave costuma ficar entre 15 e 20 minutos, o que explica por que um show de drones é curto: ele é limitado pela bateria, não pelo roteiro. E explica também por que reservar mais aeronaves do que o número anunciado é praxe, já que sempre há unidades que não passam no teste de pré-voo.
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Quanto custa contratar um show de drones
Não existe tabela pública brasileira, e quem promete preço fechado sem briefing está chutando. As referências internacionais de 2026 colocam a faixa entre US$ 15 mil e mais de US$ 150 mil por evento, e o que move o valor dentro dessa faixa é previsível:
- Quantidade de aeronaves. Não cresce linear: dobrar o enxame mais que dobra o trabalho de coordenação e de logística.
- Animação sob medida x biblioteca pronta. Figura customizada é hora de programação, e hora de programação é a parte cara.
- Local e deslocamento. Transportar centenas de aeronaves e baterias tem restrição própria, inclusive aérea.
- Licenciamento. Segregação de espaço aéreo, coordenação com o órgão regional e seguro entram na conta.
- Janela climática. Vento e chuva cancelam. Contrato sério prevê data reserva, e data reserva custa.
O argumento que está vendendo shows de drones no Brasil
Quero trabalhar com isso. Por onde se começa
É um mercado pequeno, concentrado em poucas produtoras, e que contrata mais por função de campo do que por pilotagem. O caminho realista, em ordem de barreira de entrada:
- Exame teórico da ANAC. É o piso de qualquer função de voo desde o RBAC 100. Gratuito e online, e obrigatório a partir de 1º de janeiro de 2027 para todo piloto remoto de aeronave acima de 250 g.
- Equipe de campo. É a porta de entrada real: montagem de grade, gestão de baterias, checagem pré-voo e recolhimento. Não exige pilotagem, exige método.
- Programação de coreografia. A habilidade escassa. Quem domina o software de trajetória e entende tempo musical fica com a parte técnica do projeto.
- Operação em categoria específica. Para quem quer montar empresa, o caminho é o COE, com manual de operações e estrutura auditável.
Se o seu interesse é o mercado de drone em geral, e não só o espetáculo, os números de onde o dinheiro está estão em os 7 nichos mais lucrativos de drone no Brasil e a formação de preço de serviço em quanto cobrar por um voo de drone.
E se eu quiser voar o meu drone perto de um show desses?
Não voe. É a resposta curta e ela tem três razões que se somam:
- O espaço aéreo está segregado. Voar dentro de área reservada e publicada em produto AIS é acesso irregular ao espaço aéreo, com processo administrativo garantido.
- Há aglomeração embaixo. A distância mínima de 30 metros de pessoas não anuentes torna quase impossível um voo legal em festival.
- O risco físico é real. Colisão com uma aeronave do enxame derruba as duas e joga destroços sobre o público. É o tipo de acidente que responde no cível e no criminal.
O detalhamento do que a lei permite em evento, show e festa está em drone em evento, show e festa, e a régua de distância está em a regra dos 30 metros.
Perguntas frequentes sobre show de drones
Quantos drones vão voar no Rock in Rio 2026?
Até 1.500 por apresentação. São seis shows: 500 em 5 de setembro, 750 nos dias 6, 7 e 12, e 1.500 nos dias 11 e 13, este último no encerramento do festival.
Show de drones é voo autônomo?
Não, e é por isso que ele pode existir no Brasil. A ICA 100-40 proíbe a aeronave autônoma, definida como a que não permite intervenção do piloto no gerenciamento do voo. No show, a trajetória é programada, mas o piloto remoto mantém autoridade e pode abortar.
Quanto custa um show de drones?
De US$ 15 mil a mais de US$ 150 mil por evento, segundo referências de mercado de 2026. O que move o valor é a quantidade de aeronaves, a complexidade da animação, o deslocamento e o licenciamento.
Quantos pilotos são necessários?
Um piloto remoto em comando na estação de pilotagem, não um por aeronave. O RBAC 100.23 exige a presença de piloto remoto requerido em todas as fases do voo, com troca permitida mediante procedimento claro. O resto da equipe é campo, programação e sistema.
Cada drone do show precisa de cadastro na ANAC?
Precisa. O RBAC 100.301(b) manda cadastrar toda UA e vinculá-la a um CPF ou CNPJ. O cadastro vale 24 meses e é inativado em definitivo se não for revalidado em até 6 meses após o vencimento.
Que altura um show de drones alcança?
No Rock in Rio, cerca de 300 metros. Como passa de 120 metros, a operação exige segregação de espaço aéreo e divulgação por produto AIS, conforme o art. 25 da ICA 100-40.
Quanto tempo dura um show de drones?
Poucos minutos. O limite é a bateria: as aeronaves de espetáculo costumam voar entre 15 e 20 minutos no total, contando decolagem, figura e pouso.
Posso subir meu drone para filmar o show?
Não. O espaço aéreo está segregado, há aglomeração no solo e uma colisão com o enxame joga destroços sobre o público. Além da infração, existe responsabilidade civil e penal pelo resultado.
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Fontes e referências
- RBAC 100 EMD 00 (ANAC), em vigor desde 16/06/2026: seções 100.5 (categorias), 100.11 e 100.23 (piloto remoto em comando, estação de pilotagem e a regra de uma aeronave por piloto), 100.13(b) (exame teórico), 100.301 (cadastro e validade de 24 meses), 100.37 (seguro) e Subparte F (COE).
- ICA 100-40 (DECEA), edição 2026, PDF oficial: art. 19 e § 2º (aeronave autônoma não autorizada, print reproduzido acima), art. 25 (segregação acima de 120 m) e definição de aeronave não tripulada autônoma.
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- SARPAS (DECEA): sistema de solicitação de acesso ao espaço aéreo.
- ANAC, Piloto remoto: exame teórico de conhecimentos.
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